Crítica: “Vingadores: Guerra Infinita”
Quarta-feira, 2 de maio de 2018

Crítica: “Vingadores: Guerra Infinita”

“Agora eu me torno a morte, o destruidor de mundos”

Julius Robert Oppenheimer (físico que inventou a bomba atômica).

 

Logo nos primeiros minutos, o filme “Vingadores: Guerra Infinita” apresenta um massacre como cena de abertura. Inversamente proporcional, sem spoilers, vale dizer de forma abstrata que, já em sua cena final, a obra se encerra com um lindo pôr-do-sol, incansável. Dois lados da mesma moeda da existência concedida pela criação divina…

Todos na Terra estamos sujeitos a “um grande Deus dadivoso e impiedoso” ao mesmo tempo, uma entidade que não deveria ter gênero, mas em geral é associada a características patriarcais, paternalistas. “O que Deus dá, Deus tira”. Está lá, nas escrituras, em praticamente todas as interpretações religiosas de diferentes credos, de modo que a culpa e o castigo foram inseridos como formas de controle para facilitar a convivência entre os povos, entre as massas. Vida ou morte nas mãos de leis divinas. “Deus sabe o que faz”… E, para as áreas em que ele não possa estar “onipresente”, recebemos a concessão do suposto livre arbítrio, numa zona de atuação limitada entre brechas das linhas do destino e do tempo. Mas e se não concordássemos com Deus? E se não achássemos justa a distribuição de riquezas e privações, ou a decisão de quem pode viver ou morrer sob seus olhos?

Por incrível que pareça, é sob a égide destas complexas reflexões que se desenrola a mais nova superprodução da Marvel Estúdios, outrora apenas uma editora de quadrinhos homônima, hoje já em sua décima nona obra adaptada para os cinemas, funcionando como um braço do todo poderoso Império do ratinho camarada, a Disney. O filme é “Vingadores: Guerra Infinita” dos irmãos Anthony e Joe Russo, e o nome deste suposto Deus fictício é Thanos (Josh Brolin), um pai maior das galáxias contra quem os heróis terão de se deparar. – Heróis estes que até os filmes anteriores (especialmente “Capitão América 2 e 3” e “Thor 3”) haviam sido expatriados/deserdados pelos próprios governantes que juravam representar e defender… E se viram obrigados a reavaliar suas crenças e se reformular, buscando refúgio no berço do mundo, a África, no reino fictício dos quadrinhos chamado Wakanda (uma metáfora a refletir a importância da Primavera feminista e racial no mundo real, já que é o único lugar do mundo onde toda a guarda real é formada por mulheres, inclusive).

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Não à toa, a existência em si do filme metaforiza o próprio tema abordado, numa metalinguagem diegética cruelmente dúbia e igualmente intrigante. Em primeiro lugar, representa o fato de ser uma produção sem precedentes, que reúne a logística de dezenas de protagonistas em outras franquias próprias capilarizadas pelo universo cinematográfico Marvel, que conta com inúmeros filmes e interseções nas sequências uns dos outros para um desenvolvimento prévio de personagens. Prescinde de maiores explicações e vai direto ao ponto, podendo dispor de simplificações para valorizar os sacrifícios necessários entre desenvolvimento e o desfecho. O espectador simplesmente sabe quem é o bem versus o mal, em camadas que podem ou não se intercruzar a partir de uma boa construção carismática de seu vilão. Porém, em segundo lugar, há de se cogitar que um filme desta magnitude, com este nível de elenco estelar reunido, cada qual estrela de sua própria série individual, não seja desprovido de autoconsciência da anomalia que representa. Leva ao pé da letra a expressão arrasa-quarteirão, uma forma abrasileirada de chamar os blockbuster americanos que arrecadam rios de bilheteria, invisibilizando todo o resto do circuito do cinema, e monopolizando as propagandas mercadológicas e meios de comunicação. Um filme que deveria representar o clímax de inúmeras correntes de reflexão sem precedentes em seu conteúdo de 19 filmes reunidos em um, ao mesmo tempo se torna invisibilizante pelo próprio atolamento de informação na forma. E este é exatamente Thanos, em sua essência, um peso do cosmos que é tão inevitável quanto insustentável, tomando de assalto tudo o que passa, e escancarando a desgraça que deixa pelo caminho sob a sua sombra totalizante.

Eis que somos apresentados metaforicamente, com isso, a questões bastante atuais, de aplicação prática no extracampo de nosso dia-a-dia. Estamos em crise, sim. O mundo inteiro está passando por uma enorme crise que começou nos EUA em 2008 e foi se alastrando feito vírus, pior do que o estrago de um desastre ambiental ou pragas bíblicas… Com isso, há um considerável aumento da inflação e do déficit público, lento crescimento ou mesmo retração do produto interno bruto e elevação de falências e desemprego. Quanto menos negócios fluindo e ciclos de capital na crise de um sistema burguês, mais a fome e o abandono se alastram numa superpopulação mundial que só cresce enquanto os recursos diminuem. Até quando esperaremos para tomar ação antes que líderes mundiais não comecem a pensar de forma imoralmente pragmática e cogitem que o problema esteja mais no excesso de pessoas do que na escassez de recursos? Porém…, na verdade isso já está acontecendo! Um danoso conservadorismo desmedido está tomando conta da maior parte dos governos internacionais; representantes de ideologias fascistas ou de extremismos reacionários estão cortando direitos de massas e minorias para tentar estancar a sangria através do detrimento do povo que está na base da pirâmide. Só que o mesmo não está sendo feito para responsabilizar as grandes riquezas, estas sim responsáveis pela crise, que continuam sem impostos proporcionalmente gradativos, ao mesmo tempo que privilégios sociais de elite permanecem intocados por concessões coletivas.

E este é o plano de Thanos: subverter a ordem de distribuição de vida e diminuir a concorrência… Eliminar de forma impessoal e aleatória metade da população do universo, quase um recomeço, para que a metade sobrevivente possa viver com abundância da mesma reserva de recursos que antes pareciam escassos.

Parece cruel…? Mas imagine isso proposto por um ser de extremo carisma e convicção. Esta é a situação de poder contrapor os espectadores desavisados a um tubo de ensaio para testar como seu conformismo e condescendência, guiados apenas por falsos símbolos, podem fazer com que ficções deste nível ocorram na vida real também. Não em nível cósmico, porém já ocorreram: o campo de concentração na 2° Guerra Mundial, genocídios étnicos, pelotões de fuzilamento e muito mais. O senso crítico só consegue ser despertado e torna o filme uma denúncia ao comportamento psicopata de Thanos porque, numa das raras vezes dentro do universo Marvel nas telonas, houve preparo e desenvolvimento para o personagem do vilão no mesmo nível que de qualquer protagonista. Aliás, corrijo o que eu disse: o vilão é o protagonista. Entendemos sua dor e sua causa, por mais atroz que seja. E entender não quer dizer concordar ou abaixar a cabeça. “Conheces teu inimigo e conhece-te a ti mesmo” – Sun Tzu.

Vide a coragem do filme em colocar fortes imagens de esquadrão impiedoso de extermínio como o da cena abaixo, com a personagem de uma criança (Gamora interpretada na infância por Ariana Greenblatt) no meio de tudo, o que, por analogia, faço um quadro comparativo com o famoso quadro de Goya “Três de Maio de 1808”; e a foto ganhadora do Pulitzer com a menina Kim Phuc fugindo de uma bomba de napalm no Vietnã, fotografada por Huynh Cong “Nick” Ut, da Associated Press:

Acontece que são poucos os casos de antagonistas tão bem trabalhados em filmes de super-heróis. São ainda mais raros os casos dos que permanecem por mais de um filme e se assimilam à história de forma indissociável, como Magneto dos “X-Men” (que até pouco tempo pertencia à Fox Films, recém adquirida também pela Disney), ou Loki do “Thor”, talvez o único vilão trabalhado de forma a continuar em mais de um filme no universo Marvel Estúdios. Até porque os filmes deste nicho que simplificam a luta do bem contra o mal, onde o primeiro sempre triunfa sobre o segundo no final, causam um prejuízo enorme à plateia na ausência de reflexão realista, que reflita uma área muito mais cinza do que tão isoladamente maniqueísta assim. Mais raro ainda é o tipo de filme em que o mal “vence” no final, ou melhor, sai com alguns de seus objetivos alcançados. A Marvel já havia flertado com isso curiosamente nas duas inserções prévias do personagem Pantera Negra, tanto em seu recente filme homônimo de sucesso, com o vilão Killmonger, quanto na primeira aparição em “Capitão América 3: Guerra Civil” com o Barão Zemo – sendo que em ambos os casos, tais antagonistas tiveram de obter suas ‘vitórias morais’ apenas dentro da própria derrota.

Eis que “Vingadores: Guerra Infinita” trata seus heróicos protagonistas como peças do xadrez de Thanos (numa excelente interpretação do ator Josh Brolin mesmo sob camadas de computação gráfica), como seus coadjuvantes desentendidos de algo muito maior do que seus meros umbigos, na procura pelas chamadas “Joias do Infinito” e seu poder inimaginável que gera a guerra do título. E isso funciona! Na verdade, é ótimo e refrescante ver arquétipos tão super poderosos despidos pela primeira vez de seus egos inflados por roteiros onde sempre é simples resolver tudo até seu desfecho. Assim é fácil. Os roteiristas acostumam mal sua audiência de modo a não exigir muito dela para superar os obstáculos trazidos por mais uma obra de produção cultural que deveria desafiar a pensar e amadurecer, ao mesmo tempo que entretém. Aqui não, pois o novo exemplar da Marvel consegue colocar cada ego em seu devido lugar, contrapostos muitas vezes por seus próprios pares, até mesmo desconstruindo suas masculinidades tóxicas. Isto porque os maiores medalhões discordam veementemente uns dos outros quando dispostos como numa rinha paternalista de machos Alfa: há de exemplo Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e Homem de Ferro (Robert Downey Jr), Thor (Chris Hemsworth) e Star-Lord (Chris Pratt), Banner e Hulk (Mark Ruffalo) etc…

Aliás, Doutor Banner e seu alter ego Hulk, então, que nunca estiveram tão Doutor Jekyll e Hyde quanto neste exemplar, comunicando-se um com o outro, merecem um artigo todo à parte, sobre como lidar com a impotência masculina e descobrir outras potências por trás dela.

Há muito do mito grego de “Prometeu acorrentado”, o que, ao mesmo tempo que denuncia um pouco a ausência de tempo dedicado às personagens mulheres (com raras exceções da excelente Gamora/Zoë Saldaña e Feiticeira Escarlate/Elizabeth Olsen), aumenta outrossim o crivo crítico sobre a tragicidade do super ego destes homens como modelo de centro do mundo que já faliu.

Vide imagens abaixo à la Sansão de Thor e à la Zeus de Thanos, com cromáticas similares em relação a seus pálidos tons pastéis/lilás como fragilidade da vida humana moral ante o tom dourado estelar do sol que os cerca e sustenta:

Mas talvez o verdadeiro triunfo do filme seja, independente de não inovar em linguagem visual própria, justamente usar o laboratório de dezoito filmes prévios para só ter de encaixar cada codificação simbólica na mistura de personagens dos quais se origina. Ou seja, pegou um bom bocado emprestado da matriz imagética principalmente de três filmes com mais riqueza substancial à parte do restante do universo Marvel que peca pela homogeneidade, com raras exceções inventivas como: o cinza coberto de sombras da espionagem industrial dos filmes do “Capitão América”, especialmente o 2 e 3, não à toa dirigidos pelos mesmos irmãos Russo que guiaram agora este “Vingadores: Guerra Infinita”; a escala neon high-tech e trilha sonora dos “Guardiões da Galáxia” (que permitiu as concessões mais cósmicas emprestadas para a parte mais extraterrestre da história); e as palhetas mais terrenas, com ancestralidade colorida pela natureza e o berço da vida na África, advinda do mais recente sucesso “Pantera Negra”. Claro que, ocasionalmente, aparece uma ou outra referência de outros personagens, como os fractais multidimensionais que dividem a tela, advindos do “Doutor Estranho”, ou a puberdade cômica e leve de “Homem-Aranha”, e etc, com uma fluidez muito grande em alternar de linguagem, som e músicas como um interruptor bem azeitado.

Só que aquela autoconsciência supracitada do filme aproveita para ir além. Sabendo que reunir tantos filmes e personagens cultivados por tantos anos seria algo sem precedentes no universo pop, o que talvez nem François Truffaut poderia prever quando usou o mesmo ator para envelhecer na frente da tela como espécie de seu alter ego por 5 filmes, “Vingadores: Guerra Infinita” não apenas admite todas as referências, como se reapropria delas. Não apenas as internas ao universo Marvel, porém gerais. Desde a mais óbvia, tanto por sua parcela intergaláctica quanto pelo pessimismo e melancolia da vitória voltada para o vilão como em “Star Wars II: O Império Contra-Ataca”, como muito mais. Da participação surpresa de famoso ator de “Game of Thrones” numa decupagem irônica desta série da qual se origina; como pelo retorno não creditado e surpreendente de personagem inesperado cujo intérprete era outrora um dos artistas-assinatura da saga “O Senhor dos Anéis”, numa das melhores cenas do filme que referencia os Nazgûl e o lado místico da Terra Média, que ao invés de ser filmada na Nova Zelândia veio ser filmada no Brasil! Nos lençóis maranhenses. Quase como se o filme assumisse ciência de que virou referência obrigatória para as novas gerações em perpassar todas as referências do universo pop através de si, de forma inescapável, não como cópia, e sim como uma nova lente sem a qual não se há nenhuma tabula de referência da contemporaneidade que lhe deixe de atravessar. Ele ressignificou suas influências de modo a tornar obrigatória a releitura através de si.

Imagem dos lençóis maranhenses no Brasil onde foi filmado (Inserção de Thanos meramente ilustrativa):

Vale ressaltar aqui a evidente parte Darth Vader que cabe a Thanos, especialmente na ênfase “Luke, I am your Father” que o humaniza com sua filha adotiva Gamora, e a potência de se ter esta criança ligada e suscetível a um semi-Deus da Destruição, que a adota logo após torná-la órfã, dando-lhe poder com seu carisma psicótico e ao mesmo tempo amargura e ressentimento, numa das imagens mais possantes com analogias históricas (em comparação com duas imagens de infantes com soldados logo abaixo):

Isto é de fato mais do que um filme, é um acontecimento. E, de acordo com sua natureza única, irá arrastar um tsunami junto consigo. Há quem não irá gostar por sua pretensão labiríntica independente da experiência frenética que causa, quase exigindo a revisão dos 18 filmes anteriores para a total absorção e gozo. Todavia, o filme é completamente inteligível para aqueles que não assistiram quaisquer filmes ou quase nada, ou sequer tenham sido alcançados por informações osmóticas deste universo (onde vivem, o que comem…?), passíveis de terem uma experiência indolor no nível de um carrossel ou montanha-russa passageiros: como se passando por carros alegóricos carnavalescos na velocidade de um Porsche em autoestrada. Ainda que a total imersão só possa ser recepcionada pelo público-alvo que espera por signos e códigos para além da mera linguagem cinematográfica técnica disposta na tela, como ângulo de câmera, luz e som, mas sim o reencontro com personagens que lhes são uma família há muito tempo.

No demais, sobra aos desavisados apenas tentar embarcar no exercício antropológico que será assistir às reações acaloradas e desproporcionais aos olhos leigos de quem estiver nos assentos laterais. Além de lembrar que em 02 de maio de 2019 será lançada a segunda parte deste filme, provisoriamente denominada “Vingadores 4” – apesar deste presente exemplar atual funcionar bem sozinho sem precisar de compêndios para finalizar todas as pontas soltas abertas em prol da jornada do vilão que possui início, meio e fim muito bem orquestrados.

Cabe um último aviso: que a reflexão crítica que o filme provoca não se encerre apenas dentro da obra. Porém extravase, para o capital humano receptor. Que se saiba que este talvez seja o exemplar mais quadrinístico da Marvel nos Cinemas até agora, seja nas cores e CGI, seja na confabulação das múltiplas polaridades do impossível, para o bem ou para o mal, ou para o que está no meio disso. Em quadrinhos tudo que é feito pode ser desfeito; essa é a mágica dos heróis. Mas na vida real não. Que o alerta de iminência de perigo não fique apenas na telona, e os espectadores cuidem melhor de sua sociedade… e de seus cinemas.

 

Há de se entender que isto é apenas um filme, mas que o alerta de dentro para fora dele também torna o espectador autoconsciente de que isso é um produto de massa, manipulativo, e que não pode ser passado adiante sem o devido senso reflexivo.

 

Este é um filme distribuído para um número recorde de salas, invisibilizando todo o resto do circuito, e sequestrando todos os assuntos para ele, quando pode ser reapropriado e incentivar que se procure e assista outros filmes sob a sombra de Thanos, como várias obras nossas, brasileiras natas, multipremiadas. Há de exemplo: “Praça Paris” de Lúcia Murat com a estreia como protagonista no cinema da consagrada atriz e dramaturga Grace Passô; ou “Ex-Pajé” de Luiz Bolognesi, laureado no último Festival Internacional de Cinema de Berlim e no maior Festival de Documentário da América Latina É Tudo Verdade; ou mesmo “Construindo Pontes” de Heloísa Passos, fotógrafa premiada, em sua estreia na direção solo. Além, claro, do polêmico filme “O Processo” de Maria Augusta Ramos, sobre o Impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, que acabou de ganhar um dos maiores festivais de documentários do mundo, o Visions du Reel, e que finalmente estreia dia 17 de maio no circuito comercial de salas de cinema… se “Vingadores: Guerra Infinita” e seu público em massa assim permitirem.

Filippo Pitanga é Jornalista e Advogado. Membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro – ACCR. Professor na Academia Internacional de Cinema – AIC-RJ, curador de Cineclubes no Estação Net de Cinema e Editor-chefe do Almanaque Virtual.

PS: Dois dias após a elaboração do presente texto, foi anunciado que o governo sul-coreano pode aprovar uma nova legislação para evitar o tipo de dominação de mercado provocado por “Vingadores: Guerra Infinita”, com 85% das telas do circuito, sendo responsável por 95% do total das bilheterias. Os expositores já foram multados anteriormente: “As leis revisadas sobre a promoção de filmes e vídeos, que estão atualmente pendentes na Assembleia Nacional restringem os conglomerados de alocar mais de 40% de suas vagas para o mesmo filme”, disse Cho Seung-rae, representante do governo (dados via Variety).

Quarta-feira, 2 de maio de 2018
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