Não ao desmonte das três universidades paulistas!
Terça-feira, 12 de junho de 2018

Não ao desmonte das três universidades paulistas!

Foto: Manifestação feita pelas Três Universidades Paulistas no Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, no dia 7 de junho

Por Simony dos Anjos

 

Todas as pessoas que acompanham essa coluna, sempre esperam uma nova problematização que envolva a tríade gênero-religião-machismo. Contudo, desta vez, cedi esse espaço para que o Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP), ao qual sou sindicalizada, se manifestasse abertamente à população paulista. As Universidades Paulistas estão sob sério ataque: estudantes, trabalhadores e professores estão sofrendo perdas salariais e de permanência estudantil. E, saliento uma perda muito importante que a população da Zona Oeste sofreu: o fechamento do Hospital Universitário da USP, que está com o pronto atendimento infantil fechado, diminuição do atendimento às gestantes e dos partos realizados, 40 leitos hospitalares e 8 centro cirúrgicos fechados, dentre outros serviços seriamente prejudicados. 

Sendo assim, passo a palavra ao SINTUSP:

 

Carta aberta à população

Nós, trabalhadores, estudantes e professores da USP, estamos em greve. Mas pelo que lutamos?

A Universidade de São Paulo é a maior do país. Nela se produz importantes pesquisas que poderiam e deveriam estar a serviço de toda a população que sustenta a universidade. No entanto, governos como o de Alckmin (PSDB) e agora Marcio França (PSB) têm atacado a universidade pública sistematicamente, em aliança com o governo federal, nas mãos de Michel Temer (MDB). Esses governos trabalham para colocar cada vez mais a universidade a serviço dos ricos empresários enquanto fecham os poucos serviços que essa mesma universidade presta à população pobre que a sustenta. Fazem isso dizendo que não tem dinheiro para manter serviços como os hospitais universitários em pleno funcionamento, mas apoiaram e permitiram a aprovação de um escandaloso aumento do teto salarial que vai custar aos cofres públicos quase 1 bilhão de reais em quatro anos.

No dia em que deflagramos a nossa greve contra o arrocho salarial e em defesa da educação e da universidade pública, a Assembleia Legislativa aprovou o escandaloso aumento do teto salarial (PEC 5) que beneficia o alto escalão do funcionalismo ligado ao governo, aumentando o teto de 22 mil para absurdos 30 mil reais. Será UM BILHÃO de reais destinados a uma ínfima parcela de formada por burocratas de todos os tipos, reitores e seus dirigentes de unidades, gestores, diretores, promotores, etc, que já ganham altíssimos salários e tem dezenas de privilégios. Na USP significa beneficiar meia dúzia de burocratas que são responsáveis por diversos ataques aos trabalhadores, estudantes e à população.

O hospital universitário, o HU, que é o maior da Zona Oeste e tem capacidade para atender milhares de pessoas, está sendo sucateado. Faltam médicos e funcionários para poder oferecer a toda a população um atendimento de qualidade. Desde o ano passado o atendimento do pronto socorro infantil e adulto está fechado. Uma luta de moradores, estudantes e trabalhadores da USP conseguiu que a verba dos royalties do petróleo (cerca de 48 milhões de reais), fosse destinada à contratação de médicos e funcionários para o Hospital Universitário e assim reabrir o atendimento dos PS à população. No entanto o reitor da USP, Vahan Agopyan, se recusa a usar essa verba para as contratações para o hospital e, assim, atender a população.

As bolsas de permanência estudantil são insuficientes para garantir que os filhos de trabalhadores possam permanecer na universidade. Estão congeladas há anos e são pouquíssimas diante da demanda. Além disso, o atual reitor era parte da gestão que fechou duas creches, deixando centenas de estudantes e trabalhadoras mães sem o direito de ter seus filhos em uma creche de qualidade próxima ao seu local de estudo e trabalho.

A terceirização na USP avança atingindo os restaurantes, os serviços de limpeza e manutenção. Para garantir o lucro de empresas terceirizadas que estão nas mãos do alto escalão da burocracia acadêmica que comanda as unidades da USP, milhares de trabalhadores são submetidos à sobrecarga de trabalho, riscos a saúde e até a própria vida (como o caso de empresas da construção civil que prestam serviços na USP), baixíssimos salários e até passam fome nos restaurantes universitários, porque são proibidos de consumir a comida que ajudam a produzir.

Os trabalhadores e professores da USP estão desde 2015 sofrendo com o arrocho salarial, congelamento de contratações e a precarização do trabalho. As perdas salariais somam mais de 12,5%, além de benefícios sociais como o vale alimentação e refeição estarem há mais de seis anos congelados. Enquanto aumentam escandalosamente o teto dos salários daqueles que ganham muito, os reitores (grandes beneficiados desse aumento do teto) oferecem 1,5% de reajuste salarial, o que significa menos de 32 reais de aumento para o piso da categoria de funcionários.

Todos esses ataques partem de uma reitoria e do alto escalão de burocratas, aliados aos interesses dos empresários e dos governos, que se beneficiam do aumento do teto e de vários privilégios.  Para destruir a educação, saúde e as universidades públicas, os reitores e os governos sabem que precisam derrotar os trabalhadores. Porém, em aliança com os estudantes, professores e a população podemos derrotar as reitorias contra a precarização das nossas condições de vida e por uma universidade  serviço dos trabalhadores.

REABERTURA DO HU PARA TODOS! CADÊ OS 48 MILHÕES DO HU, REITOR?

Terça-feira, 12 de junho de 2018
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