Décimo adolescente morre no incêndio de Centro de Internação em Goiânia
Segunda-feira, 18 de junho de 2018

Décimo adolescente morre no incêndio de Centro de Internação em Goiânia

Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Morreu na última quinta-feira, dia 14 de junho, o adolescente de 15 anos que havia sobrevivido ao incêndio no Centro de Internação Provisória (CIP) do 7º Batalhão da Polícia Militar, em Goiânia. O jovem era o único sobrevivente do incêndio que matou outros nove menores no último mês.

O adolescente estava internado desde o dia 25 de maio, data do incêndio, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Urgências Governador Otávio Lages de Siqueira (Hugol), onde permanecia sedado e respirando com a ajuda de aparelhos. 

Em entrevista para o G1, a avó do adolescente contou que o rapaz havia sido preso três meses antes, por participação em um roubo. Ela relatou também os maus tratos sofridos pelo neto durante a internação:  “Baterem nele, amarraram ele de cabeça para baixo das oito horas da noite até as cinco horas da manhã. Quanto tirou ele, o braço estava todo roxo, sem circulação”.

 

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O incêndio ocorreu no último dia 25 de maio, quando alguns jovens protestaram contra a possível transferência de internos em decorrência de barulhos à noite e atearam fogo em um colchão do lado de fora da grade. A manifestação, contudo, tomou consequências contrárias e o fogo entrou para dentro do alojamento e se espalhou para outros colchões. No momento, funcionários do presídio estavam almoçando no refeitório e, ao perceberem as chamas, retiraram os internos mais próximos e tentaram apagar as chamas com mangueiras, uma vez que a unidade não continha extintores de incêndio. O Governo de Goiás nega a inexistência de extintores no local. 

A tragédia era mais que anunciada. Em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2012, o governo de Goiás assumiu o compromisso da construção de novas unidades do sistema socioeducativo e o fechamento do CIP, já que ele funciona em um batalhão da Polícia Militar (PM), local considerado inadequado para alojar crianças e adolescentes infratores. Além disso, na ocasião do incêndio, 11 jovens estavam internados em uma cela com capacidade para apenas quatro.

Tribunal de Justiça de Goiás, por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo, fez em julho do ano passado uma vistoria no local. Na oportunidade, em 13 categorias analisadas, o CIP foi avaliado como a pior nota possível em 8 quesitos, dentre os quais destacam-se instalação hidráulica, estrutura predial e temperatura dos alojamentos.

Segundo o relatório do Tribunal de Justiça, foi identificada condição insalubre no alojamento, com odor fétido e sem leitos suficientes para abrigar os adolescentes. O documento do próprio tribunal afirma que o local não permite atendimento em “condições dignas e humanizadas aos internos”.

Segunda-feira, 18 de junho de 2018
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