A eleição da esquerda no Brasil
Segunda-feira, 25 de junho de 2018

A eleição da esquerda no Brasil

Chegamos em 2018 com uma das maiores instabilidades políticas da história da República no Brasil. O grupo colocado no governo através de um golpe não conseguiu atender as expectativas da burguesia, sofreu e ainda sofre as derrocadas dos escândalos de corrupção. O inicio do ano ainda ficou marcado para muitos como o ponto chave dessas eleições, o julgamento do ex-presidente Lula pela segunda turma do TRF de Porto Alegre. O líder nas pesquisas de intenções de votos acabou condenado em segunda instância e pela ficha limpa fica inelegível sua candidatura, porém, o que muitos não esperavam era sua ascensão no plano eleitoral ascender ainda mais. As pesquisas lançadas nos meses posteriores à sua condenação, com o petista já preso, mostravam um leve declínio, mas ainda, mantinha um distanciamento diante do segundo colocado.

A burguesia fez festa com a prisão de Lula, mas esta comemoração seria passageira. Se a felicidade toda era por ver o petista fora das eleições, a tristeza deles viria logo em seguida: o governo Temer com suas ações impopulares neste ano manchou toda a direita brasileira, isso sem falar de Aécio Neves no ano passado. Temer e seu plano de governo fracassado consumaram ainda mais a crise de representação diante do eleitorado, associando sua imagem aos partidos de direita e do famoso centrão, dando total liberdade para que a esquerda retornasse ao planalto em 2019.

O processo para a retirada de Dilma Rousseff da presidência da República em 2016 foi um plano macabro entre a elite da sociedade brasileira e a direita política. As famosas pedalas fiscais usadas como pretexto para desencadear o impeachment, ocorreram sem que houvesse a participação da petista, como foi comprovado. Temer, seu então vice, mesmo com a não aprovação da população brasileira, aplica-lhe o golpe e assume do governo no Brasil. A consumação deste golpe ficou clara para a sociedade brasileira meses após assumir a presidência, quando vaza um áudio do então ministro de governo Romero Jucá (MDB), no qual dizia que colocando o Temer lá resolveria a problemática. O áudio em questão era em relação à operação lava jato, no qual Jucá, Temer e outros políticos da base governista têm inquéritos.

Com um ministério envolvido na lava jato, o distanciamento com a população aumentou ainda mais com as reformas antipopulares lideradas pelo então ministro da fazenda Henrique Meireles. A primeira foi a reforma do teto dos gastos públicos, onde congelou os investimos em saúde, educação e outras áreas de extrema necessidade nos pilares do Brasil, a segunda, reforma trabalhista, essa com um caráter institucional atentando a demanda dos grandes empresários do país, a reforma da CLT desarticulou o trabalhador brasileiro, flexibilizando as normas e direitos que demoram a serem garantidos, e o patrão obtendo mais força, a terceira por questão da intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro não chegou a ser levada ao plenário da câmara dos deputados, mesmo se tivesse sido levada por ser ano eleitoral a reforma da previdência dificilmente iria ser aprovada em uma das casas legislativas.

Além das reformas impopulares, o governo Temer enfrentou o desgaste dos escândalos de corrupção, além de ter seu nome citados por delatores na operação lava jato, em 2017 o então presidente do grupo J&F, Joesley Batista entregou áudios onde o presidente do Brasil pedia propina para manter o ex-deputado Eduardo Cunha calado, com isso derrocou duas denuncias pela Procuradoria Geral da Republica (PGR), as manifestações contra o governo tomaram as ruas do país, a impopularidade atingiu números recordes para um presidente do Brasil e o pedido de diretas já entoou por todo canto da nação. O desmoronamento feito por Joesley seria ainda maior quando ele também revelou áudios envolvendo o senador tucano Aécio Neves (PSDB), pedindo propina para poder pagar sua defesa com processos da lava jato.

Aécio Neves foi o padrinho de Temer na articulação para retirar Dilma do poder, o senador que obteve mais de 49% de votos na ultima eleição para presidente do Brasil viu sua vida política ir por ralo a baixo, prova disso são as intenções de voto para o cenário do senado em minas, onde temos a ex-presidente Dilma Rousseff liderando as pesquisas e Aécio em segundo lugar, o tucano perdendo mais uma vez dentro de casa.

Quando disse que este ano seria a eleição da esquerda no Brasil, é devido ao marasmo social que este governo atual transformou o país, a última dela foi a paralisação feita pelos caminhoneiros devido ao aumento do preço do óleo diesel, Temer mais uma vez se viu acuado, agora que está quase sozinho e não tem mais a mesma força política de alguns meses atrás, os Democratas já distanciaram do planalto e o PSDB finge que nem conhece mais o presidente. Mesmo com esse distanciamento do governo feito pelo grupo do centro, DEM, e pela direita, PSDB, eles não caíram no gosto popular e em pesquisas de intenção de votos não ascendem substancialmente. A maior prova do fracasso deste plano de governo é os números apresentados por Luis Inácio Lula da Silva, depois da greve dos caminhoneiros, a porcentagem do petista aumentou nas intenções de votos para a presidência da República.

Segundo pesquisa recente publicada pelo instituto de pesquisa Datafolha, cerca de 30% dos entrevistados declaram votar no petista. Em contraponto, sem o ex-presidente como opção, o primeiro colocado só obtêm 19% das intenções de voto, e os que declaram estar sem candidato representam 33% do total. Como um candidato preso atinge números altos de intenções de voto, ainda por cima liderando as intenções de voto? A credibilidade da operação lava jato é posta em prova diante dos números.

Para muitos a esquerda no Brasil estava falida depois do impeachment da Dilma e com a prisão do Lula, porém os brasileiros, diante do governo de direita usurpador, se viu regredir aos tempos sombrios de décadas atrás, em que direitos eram restringidos, além do Brasil se destacar no mapa da miséria, com um plano de retomada econômico totalmente falacioso.

Em dois anos de governo, Temer fez com que o Brasil retornasse aos anos 80, onde quem está em baixo desce e quem está em cima sobe². A esquerda, por mais resistente que seja, está com o caminho livre para retornar ao estrelado da política brasileira. Nos últimos anos a população brasileira vivenciou um mar de privilégios, a oportunidade de mudar de vida e ascender para um capital maior virou realidade, os dois anos que se passam essa ascensão social foi aniquilada, a esquerda largou aquele rotulo extremista pregado nos anos 70 e trouxe a vida para este país, nos anos em que o Brasil esteve sob sua tutela as desigualdades foram diminuídas, as classes mais baixas passaram a ter poder de compra e a indústria atingiu números astronômicos.

Na questão da corrida eleitoral a esquerda brasileira se encontra pulverizada, mas que ao contrario da direita, apresentam uma união nas entrelinhas que, a  qualquer momento, eles podem unir e usar de plano de fundo em suas campanhas a credibilidade conquistada do povo brasileiro na década passada. Um Brasil que ainda impera uma desigualdade fora do contexto, é necessário politicas de esquerda para que vença esse agravo que retornou ao nosso país nos últimos anos.[1]

Valdivino Afonso Moreira Neto é Acadêmico de Direito na Faculdade Montes Belos.


[1]DATAFOLHA. Sem Lula, Bolsonaro só é superado por brancos e nulos. Disponível em:<http://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2018/06/1971537-sem-lula-bolsonaro-so-e-superado-por-brancos-e-nulos.shtml>. Acesso em 12 de junho de 2018.
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