Prefeito de Manaus se recusa a receber vice presidente dos EUA
Quinta-feira, 28 de junho de 2018

Prefeito de Manaus se recusa a receber vice presidente dos EUA

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, recusou-se a receber na última quarta-feira (27) o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, durante a sua viagem à capital amazônica. Em Manaus, Pence visitou um centro de acolhimento para refugiados venezuelanos. No local estão abrigados 79 imigrantes que chegaram pelo processo de interiorização promovido pelo governo federal brasileiro.

“Respeite a soberania do meu país e o brio do povo amazonense. Não aceito a intervenção militar, nem por brincadeira. Por favor, volte para sua casa”, disse o prefeito em um tweet.

O prefeito já havia adiantado na terça-feira (26) que não receberia o vice-presidente devido às exigências impostas pelo protocolo de segurança da delegação norte-americana.

Uma das exigências era que as autoridades amazonenses estivessem no aeroporto duas horas antes da chegada de Pence, para esperar o visitante. 

Outra era a de que o prefeito de Manaus não poderia estar acompanhado nem mesmo de sua esposa, Elisabeth Valeiko Ribeiro, que preside o Fundo Manaus Solidário, responsável pelo acolhimento dos cidadãos venezuelanos. Pence, por outro lado, viajava na companhia de sua esposa Karen.

O site da Prefeitura de Manaus explicou que Virgílio Neto “manifestou preocupação com a presença do grande aparato militar que acompanha a comitiva americana”. Também explicou que o prefeito destacou o trabalho humanitário feito com imigrantes venezuelanos em Manaus, “em comparação ao que vem sendo feito pelo governo norte-americano com os imigrantes mexicanos”. 

Em outro tweet, o prefeito escreveu que “O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) reconheceu o trabalho de acolhimento aos venezuelanos feito por Manaus. Não tente me ensinar a ser solidário. Os mexicanos podem falar sobre o tratamento que o seu país dá a eles.”

Pence e Karen visitaram o Centro de Acolhimento Santa Catarina para refugiados em Manaus, onde conversaram com algumas famílias e rezaram por seu bem-estar.  Ficaram cerca de uma hora e meia no Centro, no bairro Petrópolis, administrado pela Cáritas Arquidiocesana. Mike Pence fez um pronunciamento no local e voltou a criticar o regime do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que chamou de ditadura brutal. Ele disse que o governo Trump vai manter o apoio ao povo venezuelano até que a democracia seja restaurada. Depois, os dois sobrevoaram a zona franca da capital amazônica e a mata, antes de se dirigirem a Quito.

 

Visita controversa

O padre Orlando Barbosa, vice-presidente da Cáritas, conta que Pence ficou sensibilizado com o trabalho desenvolvido no abrigo.

Essa maneira nossa, brasileira, humana e simples de fazer esse processo de acolhimento criou um impacto no discurso dele aqui, internamente, de ver as pessoas e as crianças, bem aqui, na casa. Acho que isso sensibilizou um pouco ele. Isso pode atingir a expectativa de que os Estados Unidos possam continuar acreditando nos direitos humanos, acreditar também na defesa dos refugiados imigrantes, não só aqui [no Brasil], na Venezuela, mas em todo o mundo.

Antes da visita de Mike Pence ao abrigo, os Serviços Pastoral do Migrante Nacional e da Arquidiocese de Manaus divulgaram uma nota manifestando indignação e tristeza com a visita do vice-presidente norte-americano:

 [Pence] representa um governo que constrói muros, separa crianças dos pais e que pretende se apresentar ao mundo como defensor de migrantes e refugiados.

A nota afirma ainda:

Esse gesto do governo Donald Trump está longe de ser humanitário e de preocupação com os direitos humanos. Remete a uma política de controle e colonialismo constante dos Estados Unidos com a América Latina.

A visita de Mike Pence também foi criticada por moradores de Manaus, pelos transtornos causados na rotina e no trânsito.

O vice-presidente dos Estados Unidos saiu do aeroporto para o abrigo em um comboio e sob forte esquema de segurança.

A escolta foi feita por policiais e representantes do Serviço Secreto Norte-Americano, pelas Forças de Segurança do Amazonas e pela Polícia Federal.

Toda área ao redor do Centro Humanitário foi fechada e a passagem de carros ficou proibida por, pelo menos, duas horas. O morador Regildo Martins reclamou que eles não foram avisados.

Ninguém veio avisar, fui pego de surpresa. Além de ser um trânsito terrível eu fui a todas as vias, eu moro aqui, bem perto, e a polícia não deixa eu chegar na minha casa. Está tirando o meu direito de ir e vir.

Milhares de venezuelanos começaram a chegar em dezembro de 2016 na capital amazônica, onde a situação é menos precária que em Roraima, fronteira com a Venezuela, que acolhe dezenas de milhares de pessoas que fogem da crise econômica e política.

Desde janeiro de 2017, a Polícia Federal de Manaus registrou 7.080 solicitações de asilo por parte dos venezuelanos.

Com informações da Agência Brasil e do portal Terra.

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