Justiça aceita denúncia contra dono da Friboi, Joesley Batista, e contra o ex-procurador da República Marcelo Miller
Sexta-feira, 29 de junho de 2018

Justiça aceita denúncia contra dono da Friboi, Joesley Batista, e contra o ex-procurador da República Marcelo Miller

Foto: Lula Marques/AGPT

A Justiça Federal em Brasília aceitou, nessa quinta-feira (28), denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o empresário Joesley Batista, dono do Grupo J&F (do qual faz parte a marca JBS Friboi), e o ex-procurador da República Marcello Miller. O MPF argumenta que Miller atuou em favor da J&F durante o processo de assinatura de acordo de delação.

Também passam a ser réus, o executivo do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva, e a advogada Ester Flesch, uma das sócias do escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe (TRW) que teria participado do esquema. Todos vão responder pelo crime de corrupção.

Segundo a acusação, existem documentos que comprovam que Miller e integrantes do escritório de advocacia realizaram o chamado “jogo duplo”. Joesley e Francisco teriam oferecido vantagens indevidas a Miller para conseguir um bom acordo de colaboração, se aproveitando do fato de que ele integrava o grupo de trabalho da Operação Lava-Jato. Miller teria aceitado a promessa de receber vantagens no valor de R$ 700 mil em troca de orientar os administradores da J&F no acordo, o que é proibido.

Para o procurador Frederico Paiva, que assina a denúncia, Miller servia “a dois senhores”, aproveitando-se de seu cargo como procurador e da confiança do então procurador-geral, Rodrigo Janot, para orientar seus clientes:

Um procurador da República integrante do grupo da Lava Jato foi o estrategista dos acordos de colaboração [orientando os delatores] a obter os benefícios da imunidade, ajudando a redigir anexos, prestando aconselhamentos jurídicos e encontrando-se diversas vezes com seus corruptores.

O acordo de colaboração assinado em maio com a Procuradoria Geral da República (PGR) garantiu imunidade a sete executivos da J&F, entre eles Joesley e Wesley Batista. Durante as tratativas do acordo, Miller aceitou se tornar sócio do escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe (TRW). A intermediação foi feita pela advogada Ester Flesch. Paiva diz que o TRW foi usado como interposto para o pagamento das vantagens indevidas.

 

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Em nota, a defesa de Joesley Batista negou que tenha oferecido vantagens ao ex-procurador.

Também por meio de nota, a defesa de Marcello Miller alega que a denúncia não especifica qual vantagem financeira teria sido recebida pelo procurador da República e que a única oferta recebida foi a de emprego, que foi recusada.

Já a defesa do advogado Francisco de Assis reafirmou que ele não procurou obter qualquer vantagem indevida no Ministério Público, por meio de Marcello Miller ou qualquer outra pessoa.


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