Curtir funk, só na Vila Madalena
Quinta-feira, 12 de julho de 2018

Curtir funk, só na Vila Madalena

Imagem: Mídia Ninja

“Existe um paradoxo quando se fala da diversidade cultural brasileira na construção da nossa identidade nacional. Você se utiliza de elementos como a capoeira, o samba, a feijoada, que todo mundo diz que é parte da identidade brasileira, mas você desvaloriza os sujeitos que foram os autores, que efetivaram essas produções”.

A análise é de Juliana Borges, colunista do Justificando, pesquisadora em Antropologia e uma das autoras do Dossiê das Periferias, cujo primeiro volume foi lançado na última quinta-feira, dia 5 de julho, pela Fundação Perseu Abramo. Um dos aspectos tratados no primeiro número do dossiê é, justamente, a mobilidade cultural versus a mobilidade dos sujeitos.

Segundo Jaqueline Santos, militante do movimento negro, doutoranda em Antropologia e uma das autoras do dossiê, esse paradoxo também está presente da produção cultural contemporânea, como o funk: “O exemplo institucional que a gente tem são os estados de São Paulo, do Rio de Janeiro, e até na esfera federal, com vários projetos de lei para proibir os bailes funk. Ao mesmo tempo, o funk é celebrado por grupos socialmente favorecidos. Aqui em São Paulo mesmo, só na Vila Madalena, existem dois bares onde um segmento específico ouve funk a noite inteira, de maneira segura, enquanto o jovem da periferia é atacado pela truculência de um braço do estado”.

 

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O Projeto

O Dossiê da Periferias faz parte de um projeto mais amplo da Fundação Perseu Abramo, o Reconexão Periferias, que visa qualificar o debate e as políticas públicas em torno das agendas das periferias, por meio de pesquisa, seminários, oficinas e encontros temáticos. Com três eixos temáticos – cultura, trabalho e violência -, o material pode ser obtido, gratuitamente, em formato de ebook, no site da Fundação.

“Os movimentos de periferia são a vanguarda da resistência ao conservadorismo no Brasil”, avalia o coordenador do projeto e colunista do Justificando, Paulo Ramos. “Numa sociedade que é extremamente fragmentada, estratificada, segregada, nós procuramos dar uma contribuição que dá voz a uma série de narrativas e reivindicações”.

O número inaugural do dossiê traz o tema da cultura, sob o título Cultura e reexistências nas periferias. Juliana Borges explica o conceito de “reexistência”: “Ele significa o movimento de reinvenção, de reformulação, de não ser simplesmente determinado a partir do olhar do outro, mas também uma forma de se apresentar, de apresentar o que pensa sobre si”. Para Juliana, essa é uma ideia cada vez mais importante. “A gente percebe muito isso na contemporaneidade. Esses sujeitos, esses corpos periféricos, começam a se colocar e a disputar a ideia que se tem da periferia, e começam a ressignificar o que é ser periférico”.

O Dossiê busca, dentro de cada eixo temático, apresentar três cenários: o vigente, onde apresenta-se o percurso do tema e os resultados esperados se continuarmos no mesmo caminho;  o cenário projetado, com o avanço do conservadorismo e as problemáticas decorrentes; e o cenário ideal, que deveria orientar as políticas públicas conforme perspectivas progressistas. Esta última explora teses vigentes e uma projeção com a implementação das mesmas.

O próximo número discutirá o tema do trabalho, sob a perspectiva não apenas do trabalho formal, mas também daquele realizado na “informalidade”. Em seguida, será discutido o tema da violência. Além de Jaqueline Santos e Juliana Borges, também assinam a autoria do dossiê Danilo Morais, doutor em Sociologia, e Danilo Cardoso, mestre em Geografia.


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