Morte de Amarildo completa 5 anos; família ainda aguarda indenização
Sexta-feira, 13 de julho de 2018

Morte de Amarildo completa 5 anos; família ainda aguarda indenização

Imagem: EBC

Cinco anos depois, a pergunta “Onde está Amarildo?” continua sem resposta. Em 14 de julho de 2013, o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, de 47 anos, saiu de casa para fazer compras para a família, foi detido por policiais, levado para a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de São Conrado, Rio de Janeiro, e nunca mais voltou.

Em 2016, a Justiça condenou 13 policiais militares por tortura, morte, ocultação de cadáver e fraude processual. Também foi determinado que o estado do Rio indenizasse a família de Amarildo em R$3,5 milhões – R$500 mil para cada filho e para sua companheira, Elizabete Gomes da Silva -, além de um salário mínimo por mês para a viúva.

Na época da decisão, o advogado João Tancredo, que auxilia a família de Amarildo, disse que a condenação era um reconhecimento da morte do pedreiro pelo Estado. “O sentimento [da família] é que não importa o tempo de pena. O que importa é que o Estado reconheceu que foram os policiais que sequestraram e assassinaram Amarildo”, disse.  A indenização, no entanto, nunca chegou, já que o governo estadual vem recorrendo da decisão há dois anos.

“Eu espero que eles paguem pelo que eles fizeram. Que a gente pelo menos receba indenização do Estado. Porque foi o Estado que errou”, diz Elizabete em entrevista à BBC News Brasil. “A vida está embaraçada. É uma coisa que não dá para esquecer. Ninguém tira o Amarildo da cabeça”.

 

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Histórico

O pedreiro Amarildo Dias de Souza desapareceu em julho de 2013, após ter sido levado pela polícia para prestar esclarecimentos na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade. A determinação partiu do então comandante da Unidade, major Edson Santos, que pedia aos policiais que localizassem suspeitos de ligação com a venda de drogas na região. Sob as ordens de dois oficiais da UPP, Amarildo foi torturado, morto e seu corpo foi ocultado posteriormente.

Em outubro do mesmo ano, o Ministério Público denunciou 25 policiais militares por envolvimento na morte. Dos 25, 13 foram condenados pela 35ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2016. Entre eles está o major Edson Santos e o tenente Luiz Felipe Medeiros, subcomandante da UPP na época.

“Infelizmente, sabemos que ele não sumiu. Amarildo morreu. Não resistiu à tortura que lhe empregaram. Foi assassinado. Vítima de uma cadeia de enganos. Uma operação policial sem resultados expressivos. Uma informação falsa. Um grupo sedento por apreensões. Um nacional vulnerável à ação policial. Negro. Pobre. Dentro de uma comunidade à margem da sociedade. Cuja esperança de cidadania cedeu espaço para as arbitrariedades”, afirmou a juíza Daniella Alvarez Prado na decisão.

 


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