As crianças de Trump e a xenofobia nacionalista
Segunda-feira, 16 de julho de 2018

As crianças de Trump e a xenofobia nacionalista

Foto: AFP

Desde que foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos, Donald Trump dividiu opiniões e espalhou temor por todo o mundo. Trump, busca resgatar um nacionalismo estadunidense, que fora estabelecido na década de 1940 pelo então presidente, Franklin Delano Roosevelt, que contava com expressões como: “América para os americanos”, expressão essa que, simbolizava a força dos Estados Unidos na segunda grande guerra.

Com a evolução da sociedade e a chegada da contemporaneidade, esses governos nacionalistas foram se fragmentando, pois suas ideologias estavam atreladas ao extremismo, o qual não se encaixa em uma sociedade democrática. O ex-presidente Barack Obama, consolidou uma política socialista ao decorrer de seu mandato, deixando de lado esse espírito nacionalista norte-americano, contrariando assim, os mais conservadores.

No entanto, Trump, o então presidente, não ligou para o arcaísmo do extremismo nacionalista e logo deixou claro que ressuscitava o empoderamento estadunidense, dessa vez frente aos imigrantes, que buscam na “maior” potência mundial esperança em mudar seu status social. A última sanção do republicano foi separar as crianças dos pais que estão de forma ilegal no país, essa medida adotada por Trump chocou todo o mundo, ferindo os princípios da dignidade da pessoa humana e os tratados universais de proteção e garantias às crianças e aos adolescentes.

O Parlamento norte-americano e defensores dos Direitos Humanos, logo pressionaram a Casa Branca para que revogassem a medida extremista de Donald Trump. E essa situação se torna cada vez mais caótica devido à forma que essas crianças estão sendo tratadas, apesar de serem levadas a orfanatos sua tutela não fica garantida, colocando desse modo, dezenas de crianças diante de um caos psicológico.

Segundo a American Civil Liberties Union (ACLU), Associação de Direitos Civis, algumas vezes a violência começa quando as crianças ainda estão sob a guarda da imigração. Há centenas de casos de abusos verbais, físicos e sexuais contra crianças e adolescentes por agentes de imigração e guardas de fronteira.Do ponto de vista médico e psicológico, o trauma é enorme. Muitas crianças são bebês em fase de aleitamento materno ou têm menos de 4 anos de idade, quando sequer possuem capacidade avançada de expressão oral.[1]

A ação de Trump em separar as crianças dos pais automaticamente remete-nos ao capítulo triste da história da humanidade, o nazismo. Durante a Segunda Guerra Mundial o governo de Adolf Hitler promoveu um genocídio contra crianças e adolescentes filhos de judeus, os nazistas exterminaram de forma brutal o futuro de vários menores.

Crianças e bebês eram mortos em câmaras de gás, e os jovens levados para trabalhos escravos. Esse massacre contra crianças e adolescentes fazia parte de um plano nacionalista de Hitler em exterminar os imigrantes judeus e de outras nações e transformar a Alemanha em uma nação de raça ariana. Quando se iniciou a Segunda Guerra Mundial, existiam aproximadamente 1.6 milhões de crianças judias vivendo nos territórios que os exércitos alemães ou seus aliados viriam a ocupar. No final da Guerra, em maio de 1945, mais de 1 milhão delas haviam sido assassinadas através dos programas de genocídio nazista [OBS: atualmente, através do estudo de novos dados, chegou-se à soma de 1.5 milhão de crianças assassinadas]. [2]

Com o final da Segunda Guerra Mundial, o mundo começou a juntar os cacos manchados de sangue dos atentados nazistas, e implantaram políticas públicas a fim de zelar pela paz mundial e resguardar os direitos daqueles que estão vulneráveis ao mal maior. A criação da ONU (Organização das Nações Unidas), UNICEF(Fundo das Nações Unidas para a Infância) e os Tratados Internacionais visam à garantia total dos direitos de crianças e adolescentes, a importância do ceio familiar e de sua integridade física e psicológica.

Em 1989, aconteceu a Convenção dos Direitos da Criança, no qual os Estados Unidos foi signatário, destarte observemos abaixo a redação do tratado que Trump ousou descumprir referente a um dos direitos resguardados:

Artigo 9º, § 1 “Os Estados-partes deverão zelar para que a criança não seja separada dos pais contra a vontade dos mesmos, exceto quando, sujeita à revisão judicial, as autoridades competentes determinarem, em conformidade com a lei e os procedimentos legais cabíveis, que tal separação é necessária ao interesse maior da criança…” [3]

Desde a época da corrida eleitoral, Trump já deixava transparecer o que viria caso ganhasse, defendendo uma visão xenófoba, unilateral e belicista quanto às relações internacionais[4]. Essa xenofobia de Donald Trump não chega ao holocausto de Adolf Hitler, pois as proporções da fatalidade nazista ascendem em dimensões maiores, no entanto, ressalva uma comparação que em pleno século XXI não se encaixa de forma alguma a esses ideais extremistas, ainda mais em um país como os Estados Unidos da América.

A crise imigratória que invade todo continente europeu e também os EUA, não concede a permissão de sanções radicalistas como essa se sim a busca pela solução adequada com o propósito de deslindar a crise da imigração nessas grades potências. Portanto, “as heranças do primeiro ano do mandato de Trump estão sendo claras: xenofobia, unilateralismo e belicismo, adjetivos que resumem muito bem seu slogan eleitoral American First”.

Valdivino Afonso Moreira Neto é Acadêmico de Direito na Faculdade Montes Belos.

Tálita Vicente Parreira é Acadêmica de Direito e simultaneamente Letras, na Faculdade Montes Belos e Universidade Estadual de Goiás.


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[1]Disponível em: <https://jornalggn.com.br/noticia/eua-imigracao-separa-dos-pais-milhares-de-criancas-na-fronteira-por-solange-reis>.
[2]Disponível em: <https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10006124>.
[3] Disponível em: <http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/direitos/tratado11.htm>.
[4]Disponível em: <http://fpabramo.org.br>.
Segunda-feira, 16 de julho de 2018
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