Caso “Xereca Satânica”: juiz decide que manifestação artística não é crime
Terça-feira, 17 de julho de 2018

Caso “Xereca Satânica”: juiz decide que manifestação artística não é crime

Realizada pelos alunos do curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense (UFF), a festa “Xereca Satânica”, ocorrida em maio de 2014, foi alvo de inquérito da Polícia Federal e investigação realizada pela própria universidade. Organizada no campus de Rio das Ostras, a festa serviu de encerramento da disciplina “Corpo e Resistência”. Durante a festa, o Coletivo Coiote, convidado pela organização do evento, realizou performances em que participantes teriam ficado nus, e uma mulher teve suas partes íntimas costuradas.

Duas das participantes foram indiciadas por realizar representação de ato de caráter obsceno em lugar de acesso público. Passados quatro anos, o Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro constatou que a festa não envolveu nenhum ato criminoso, e arquivou o processo contra os envolvidos.

 

 

Ao pedir o arquivamento, o Procurador da República  Leandro Mitidieri Figueiredo considera que “não houve crime na execução da performance de confraternização do seminário Corpo e Resistência, não havendo que se falar, por conseguinte, em responsabilização dos professores que organizaram o seminário e permitiram a representação artística”.

 

Repercussão

A festa foi alvo de conservadores, que a classificaram como uma “orgia”. Com a polêmica em torno do evento, o chefe do departamento de Produção Cultural da UFF, Daniel Caetano, saiu em defesa do grupo: “Após um dia de apresentação de seminários e muitas discussões os alunos promoveram uma performance, realizada por um coletivo que se dispôs a vir de Minas Gerais apenas para isso. É um coletivo que está habituado a fazer performances como a que aconteceu, feitas para chocar a sensibilidade das pessoas e fazê-las pensar sobre seus próprios limites”.

Caetano acrescentou ainda que “há pessoas que acreditam que o mundo deve ser moldado à sua imagem e semelhança, sem permitir qualquer espécie de desvio do padrão ou qualquer espécie de afronta à sua sensibilidade confortável, conformista e preguiçosa”. Ele ressalta que a costura de partes do corpo, inclusive da região genital, não é uma novidade na arte contemporânea:

“Sugiro a quem quiser saber mais sobre o assunto que pesquise os trabalhos de pessoas como Marina Abramovic e Lydia Lunch. A performance tinha como um dos objetivos denunciar a constante violência contra mulheres na cidade de Rio das Ostras, onde as ocorrências de estupros estão entre as maiores do país”.

 

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Logo após a repercussão sobre o caso, o Coletivo Blogueiras Feministas lançou o “Manifesto em Solidariedade às Xerecas Satânicas”,em que defendeu as participantes e classificou o evento como “a expressão ousada de uma vida limitada”.

“Todos os dias costuram nossa buceta, nosso cu e nossa piroca, costuram com linhas invisíveis de machismo, de moralismo, de valores conservadores. Todos os dias violam nossos corpos, mutilam nossas expressões despadronizadas, todos os dias querem que nossas xerecas sejam santificadas. Não! Nossa xereca é profana, nosso corpo é uma expressão efêmera de nós mesmos”.

 


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