Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha: “Não temos o que celebrar”
Quinta-feira, 26 de julho de 2018

Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha: “Não temos o que celebrar”

Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Fonte: por Juliana Cézar Nunes para a Agência Brasil.

Mulheres negras da América Latina e do Caribe realizam ontem (25) debates e atos públicos em diversas cidades para marcar o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha. Em vários países, inclusive no Brasil, elas reivindicam o combate ao racismo, à violência e ao fim do genocídio negro além do direito ao bem viver. A data de luta das mulheres negras foi criada há 26 anos por uma rede de mulheres afrolatinas, durante reunião histórica na República Dominicana.

Marcha das Mulheres Negras marca o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha, na rua da Consolação, região central de São Paulo.

A coordenadora geral da rede, Dorotea Wilson, da Nicarágua, acredita que os governos da região precisam intensificar a implementação de políticas públicas voltadas para as mulheres negras.

As mulheres têm avançado muito em alguns aspectos, na América Latina e no Caribe. Mas ainda falta muito o que fazer. Concretamente, em meu país, estamos dizendo que não temos o que celebrar porque tem muita violência, discriminação, mortes e feminicídio.

A população negra da América Latina e Caribe soma quase 130 milhões de pessoas, de acordo com dados de censos realizados até 2015.

A diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe, Luiza Carvalho, considera que governos de países como Bolívia, Uruguai e Colômbia ficaram mais sensíveis às demandas das mulheres negras nos últimos anos. Com relação ao Brasil, ela destaca que o país precisa investir de forma mais significativa nas políticas para essa parcela da população.

O Brasil tem que resgatar um movimento que vinha sendo feito com muita intensidade, tem que resgatar e ficar certo de que, independentemente de governo, nós temos que avançar com essa agenda.

Pesquisa recente divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que nos últimos 10 anos a taxa de homicídios de mulheres negras no Brasil aumentou em média 15%, enquanto entre mulheres não negras esse mesmo índice caiu 8%. Em Roraima, o aumento dos homicídios de mulheres negras chegou a 214%. No Amazonas e Rio Grande do Norte, a elevação foi superior a 100%.

Para reduzir esses índices, Diego Moreno, da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, defende que é necessário otimização do orçamento e integração das ações.

Em princípio, o que nós fazemos é o contato direto com os ministérios, com inclusão no PPA [Plano Plurianual] dos respectivos ministérios de ações que visem combater essa violência. A gente prevê, no campo da saúde, ações para combater as doenças que são prevalentes na comunidade negra, em especial a mulher.

No Brasil, em 2014, o dia 25 de julho foi declarado como Dia Nacional da Mulher Negra a partir da iniciativa regional latinoamericana e em homenagem à líder quilombola Teresa de Benguela, que viveu em Mato Grosso e lutou contra a escravidão no século XVII.

Este mês, o Rio de Janeiro instituiu o dia 14 de março como o Dia Marielle Franco – Dia de Luta contra o Genocídio da Mulher Negra. Há quatro meses, nesta data, a vereadora negra Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados. O crime segue sob investigação.

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