População em situação de rua passa de 20 mil e leva prefeitura de SP a antecipar censo 
Segunda-feira, 6 de agosto de 2018

População em situação de rua passa de 20 mil e leva prefeitura de SP a antecipar censo 

Fonte: Radioagência Nacional

A prefeitura de São Paulo vai antecipar censo da população em situação de rua. O levantamento estava previsto para 2020. 

A justificativa para antecipar o censo é porque cresceu muito o número de pessoas vivendo nas ruas da capital paulista.

A expectativa da prefeitura é que 20 mil pessoas estejam nessa situação. Número equivalente à população inteira da cidade de Itaparica, no litoral baiano. Em 2015, quando foi feito o último censo, eram 16 mil pessoas.

Os cálculos oficiais são ainda menores que as estimativas de quem conhece as ruas de São Paulo de perto.

 

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Robson Mendonça, presidente do Movimento Estadual da População de Rua de São Paulo, vem há anos questionando a metodologia do censo e aposta em um número muito maior.

Quando eles falavam em 16 mil, a gente já falava em 22 mil. E agora, nós acreditamos que temos na cidade cerca de 32 mil pessoas em situação de rua. Porque se ela aumentava antes mil pessoas por ano, agora está aumentando 1,5 mil pessoas por ano.

Afirma Mendonça.

Não é possível confirmar o levantamento do ativista e ex-morador de rua, mas ele lembra que uma boa medida é olhar para a lotação dos abrigos e centros de acolhida.

Quem já precisou dos serviços da prefeitura sabe que as vagas em abrigos são disputadas e que nem sempre dá pra juntar dinheiro suficiente, seja com trabalho formal ou informal, para garantir o sustento e ainda ter tempo para as cumprir as regras dos abrigos.

Quem está em abrigo perde até a vaga porque a gente sai 8 horas daqui, da Mooca, aí vai para São Bernardo… sai de lá 20 horas, chega aqui 22 horas, 21:40 não entra mais no abrigo.

A crise econômica é a principal explicação para o problema, dizem as próprias pessoas em situação de rua.

Há 10 anos, Francisco Marques, 32, trabalhava na construção civil no interior de São Paulo. Mas, desde o começo do ano, não consegue mais emprego. Veio para capital tentar arranjar trabalho, mas, desde que chegou, não tem onde morar.

Eu vim a procura de emprego e de uma vida melhor…. Só [encontrei] tragédia.  Estou desempregado, não estou conseguindo arrumar emprego. Fiquei uma noite na rua, quase fui roubado. Aí eu fui para assistente social lá no Tietê, pedi ajuda, eles me botaram na fila para o albergue, mas quero ir pra casa não estou aguentando. Estou há um mês nessa vida, não estou aguentando.

Perguntado sobre como foi a noite em que dormiu na rua, em entrevista à Radioagência Nacional, Marques respondeu: 

Ah, foi a pior vida. Nunca tinha passado por isso não. Tinha ficado na casa de amigo, tinha ficado de favor na casa das pessoas, mas na rua foi a primeira vez, é horrível.

Francisco foi pra rua sozinho, mas o padre Júlio Lancelloti, uma das principais referências para a população em situação de rua no país, diz que a crise diversificou o perfil de quem passou a viver nas ruas.

[Desde o começo da crise] aumenta o número de mulheres num universo que era mais masculino, aumenta o número de mulheres com crianças, então aumentam muito esse conglomerados de grupos familiares. Aumenta também as pessoas que são dependentes de drogas e de álcool, aumenta os jovens, mas também aumenta os idosos. 

Diz o padre. E completa:

É o desemprego, mas a gente não pode esquecer a intolerância dos grupos sociais. Dos grupos familiares que expulsam as pessoas. Com a crise, as relações ficam muitos desgastadas. A crise econômica não atinge só as relações econômicas, ela atinge também as relações sociais.

A promessa é que o censo permita conhecer melhor quem são essas pessoas para que a prefeitura possa tomar medidas que melhorem a cobertura dada a quem está na rua.

Apesar de confirmar que o censo será antecipado, a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social não definiu um prazo para começar o levantamento e a atividade não está prevista no orçamento aprovado pela Câmara de Vereadores.

Sobre a estrutura de acolhimento, a secretaria lembra que a cidade conta com a maior rede de atendimento da América Latina e que, desde o ano passado, oferece 18 mil vagas em abrigos. Segundo a pasta, em junho, a ocupação média foi de 15,4 mil vagas.


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Segunda-feira, 6 de agosto de 2018
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