Com a hashtag #YoAborte, argentinas compartilham experiências de aborto
Quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Com a hashtag #YoAborte, argentinas compartilham experiências de aborto

Imagem: EBC / Fonte: CNJ

O Senado argentino iniciou hoje, dia 8 de agosto, a votação sobre a descriminalização do aborto no país. O texto foi aprovado no último mês de junho pela Câmara dos Deputados, mas deve encontrar mais resistência dos senadores: de acordo com o periódico argentino La Nación, dos 72 integrantes do Senado, 37 deverão votar contra o projeto.

A pressão popular pela descriminalização, no entanto, continua intensa. Segundo o jornal El Clarín, os arredores do local de votação estão tomados, desde o início da manhã, por manifestantes pró-legalização.

Na internet, as argentinas criaram a hashtag #YoAborte (eu abortei), cujo objetivo é compartilhar as experiências de quem já passou por uma interrupção voluntária da gravidez. A hashtag, que teve início no último domingo, chegou a ficar entre as mais visualizadas na Argentina e no mundo.

Entre elas, muitas contaram histórias de abortos feitos de maneira segura, em clínicas particulares ou com medicamentos. Outras relataram a insegurança de realizar um aborto clandestino quando se tem pouco dinheiro. Muitas, ainda, contaram terem engravidado mesmo tomando todos os cuidados com a contracepção.

 

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Confira alguns dos depoimentos:

“Eu levei adiante um aborto voluntário em janeiro de 1994. Depois, tive três abortos involuntários. Foram mais traumáticos os involuntários, porque a diferença entre o aborto voluntário e o involuntário é o desejo.”

 

“Eu abortei com comprimidos na minha casa e acompanhada, porque pude fazer isso como eu quis. Não quero ser mãe e pude dizer que não a essa gravidez que eu não desejava. Dizer que não tem que deixar de ser um privilégio nesse país.”

 

“Eu abortei usando o DIU. Não me venham dizer que basta se cuidar.”

 

“Eu abortei aos 18 anos, não tinha dinheiro e cheguei a considerar o suicídio do que passar pela gravidez e parir. Por sorte alguém me ajudou e pagou tudo. Hoje posso entender que sobreviver  a um aborto é um privilégio de classe. O traumático é a clandestinidade, a negligência do estado e da sociedade.”

 

“A prima da minha mãe tinha 16 anos e engravidou do namorado, que a obrigou a abortar. A levou a quem sabe onde para quem fizessem o aborto, disseram que ela estava morrendo por causa de uma hemorragia e que a levassem embora. A encontraram morta em uma vala três dias depois”.

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Quarta-feira, 8 de agosto de 2018
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