Com lucros bilionários, bancos não querem aumentar salário por quatro anos consecutivos
Quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Com lucros bilionários, bancos não querem aumentar salário por quatro anos consecutivos

Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Na sexta rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, nesta terça-feira, 7 de agosto, os bancos apresentaram proposta econômica somente com a reposição da inflação para os trabalhadores.

No balanço dos reajustes salariais do primeiro semestre deste ano, 78,8% das categorias tiveram reajuste acima da inflação. Bancários questionam, portanto, a razão do setor mais lucrativo do país tratar de forma desproporcional os seus trabalhadores.

A proposta dos bancos, anunciada nesta terça-feira, dia 7, foi 3,90% de reajuste, o que corresponde ao valor do INPC e  significa nenhum aumento real (de acordo com a inflação projetada de 3,87%) para a categoria, com acordo de congelamento desta situação durante quatro anos. Uma nova reunião está marcada com os bancos para o dia 17 de agosto.

O Comando Nacional dos Bancários deve indicar a rejeição da proposta nas assembleias de hoje, dia 8.

 


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“Enquanto oferecem zero de aumento real para os trabalhadores, cobram taxas de juros absurdas dos clientes, com cheque especial a 305% ao ano e 292% ao ano no rotativo do cartão de crédito. Lucraram R$ 80 bilhões em 2017, em plena crise econômica, e fecham milhares de postos de trabalho e agências bancárias. Haverá assembleia no dia 8 em todo o país e vamos indicar a rejeição da proposta, que foram insuficientes e incompletas”,  disse Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

“Foram seis rodadas de negociação com os bancos e a proposta apresentada não contempla reivindicações importantes, como o fim das novas formas de contratação, criadas a partir da Reforma Trabalhista (autônomo, terceirizado e intermitente e contrato parcial), garantia de emprego e melhoria das condições de trabalho”, reclama Silva.

Aumento do desemprego

De acordo com dados dos balanços das instituições financeiras, os cinco maiores bancos que atuam no país (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) eliminaram 16,9 mil postos de trabalho somente em 2017. Houve uma redução no emprego bancário de 57.045 postos de trabalho entre janeiro de 2012 e junho de 2018, o que representa uma redução de 11,5% na categoria neste período. Apesar do aumento substancial do lucro no último período, o emprego nos maiores bancos vem caindo: no 1ºtrimestre de 2018, houve uma queda de 13.564 postos de trabalho em doze meses.

Igualdade de oportunidades para as mulheres

Na categoria bancária, as mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho e recebem, em média, salários 23% menores que os dos homens. Essa realidade é ainda mais injusta quando se observa que as mulheres bancárias têm escolaridade maior que a dos bancários. 80% das bancárias têm nível superior completo, enquanto entre os homens esse percentual cai para 74%.

Em seus Relatórios Anuais de Sustentabilidade os bancos apresentam algumas informações que ilustram a desigualdade com a qual as mulheres são tratadas nestas instituições. No Bradesco, por exemplo, o salário médio das mulheres na gerência representa apenas 85% do salário médio dos homens que trabalham nos mesmos cargos.

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Lucro dos bancos – O lucro líquido dos cinco maiores bancos atuantes no Brasil (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander), nos três primeiros meses do ano, atingiu a marca de R$ 20,3 bilhões, com crescimento de 18,7%.

Quais são as principais reivindicações dos bancários:

  •      Reajuste Salarial – 5% de aumento real, com inflação projetada de 3,87 % (até 07/08)
  •      PLR – três salários mais R$ 8.546,64
  •      Piso – Salário mínimo do Dieese (R$ 3.747,10)
  •      Vales Alimentação, Refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá  – Salário Mínimo Nacional (R$ 954): Inclusive nos períodos de licença-maternidade, paternidade e adoção, férias e nos afastamentos por doença de qualquer natureza ou acidente de trabalho.
  •      14º salário;
  •      Fim das metas abusivas e assédio moral – A categoria é submetida a uma pressão abusiva por cumprimento de metas, que tem provocado alto índice de adoecimento dos bancários;
  •      Emprego – Fim das demissões; ampliação das contratações; fim das novas formas de contratação, criadas a partir da Reforma Trabalhista (autônomo, terceirizado e intermitente e contrato parcial); fim da precarização das condições de trabalho e homologações feitas no Sindicato
  •      Melhores condições de trabalho nas agências digitais
  •      Mais segurança nas agências bancárias
  •      Auxílio-educação

 

 

Qual foi a proposta da Fenaban (apresentada no dia 07/08)

A proposta dos bancos foi 3,90% reajuste, o que corresponde ao valor do INPC e zero de aumento real para a categoria (de acordo com a inflação projetada de 3,87%), em um acordo de quatro anos.

Como é hoje:

Piso escritório após 90 dias – R$2.192,88

Piso caixa/tesouraria após 90 dias – R$ 2.962,29

PLR – Regra básica: 90% do salário + 2.243,58 (podendo chegar a 2,2 salários) e parcela adicional: 2,2% do lucro líquido dividido linearmente entre os trabalhadores, com teto de R$ 4.487,16

Auxílio-refeição: R$33,50 por dia ou R$ 737,00 (mensal)

Auxílio cesta alimentação e 13ª cesta – R$ 580,83

Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) – R$ 446,11

 

*Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região


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