Bancos propõem retirada de direitos das mulheres; bancários podem entrar em greve
Quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Bancos propõem retirada de direitos das mulheres; bancários podem entrar em greve

Imagem: Reprodução/Sindicato dos Bancários

O Comando Nacional dos Bancários esteve reunido com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira, dia 21. As negociações, no entanto, permanecem suspensas, devido a impasses entre representantes dos sindicato e a Fenaban. A categoria reivindica de reajustes salariais com aumento real até o fim das novas formas de contratação, criadas a partir da Reforma Trabalhista, apontando o lucro dos bancos como argumento chave para uma proposta mais favorável.

Um dos grandes entraves nas negociações foi a proposta da Fenaban, prontamente rejeitada, de pagar a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) proporcional aos dias trabalhados para as mulheres em licença-maternidade, ao invés de realizar o pagamento integral, como está previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

“Essa proposta é um verdadeiro insulto, ainda mais vindo de um setor que lucra cada vez mais e cujas trabalhadoras mulheres, apesar de serem mais escolarizadas, são obrigadas a viver com salários mais baixos do que os pagos aos homens”, protestou Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

“Retirar um direito de mulheres, mães de famílias que muitas vezes são provedoras de suas casas, mulheres que assim como funcionários homens contribuíram para o crescimento e lucros exorbitantes dos bancos. Isso é injusto e preconceituoso”, protestou uma trabalhadora. “Vergonhosa essa proposta que regride séculos de luta em busca de igualdade. Repúdio e nojo. Só o que sinto”, afirmou outra.

A retirada de direitos é ainda mais problemático quando se observa a realidade das mulheres que atuam no setor bancário. Entre elas, 80% tem ensino superior completo, contra 74% dos homens mas, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, em 2016, recebiam, em média, R$ 6.796,47,ou 23% menos do que os homens (R$ 8.772,43).

 

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Demais reivindicações

Segundo os balanços semestrais já divulgados pelos cinco maiores bancos que atuam no país (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), de janeiro a junho, a soma dos lucros já alcançou R$ 41,9 bilhões, o que representa um crescimento de 17,8% em relação ao primeiro semestre de 2017. Este crescimento, no cenário de crise econômica nacional, vem sendo usado como argumento para as reivindicações salariais da categoria, que não é reajustado desde 2014.

A categoria pleiteia o reajuste salarial com 5% de aumento real, sendo a inflação projetada de 3,87%, além de três salários mais R$ 8.546,64 de participação nos lucros e um piso com o salário mínimo do Dieese. Acompanhe abaixo as principais reivindicações da Campanha Nacional Unificada 2018:

  • Vales Alimentação, Refeição, 13a cesta e auxílio-creche/babá – Salário Mínimo Nacional (R$ 954): Inclusive nos períodos de licença-maternidade, paternidade e adoção, férias e nos afastamentos por doença de qualquer natureza ou acidente de trabalho.
  • 14o salário;
  • Fim das metas abusivas e assédio moral – A categoria é submetida a uma pressão abusiva por cumprimento de metas, que tem provocado alto índice de adoecimento dos bancários;
  • Emprego – Fim das demissões; ampliação das contratações; fim das novas formas de contratação, criadas a partir da Reforma Trabalhista (autônomo, terceirizado e intermitente e contrato parcial); fim da precarização das condições de trabalho e homologações feitas no Sindicato
  • Melhores condições de trabalho nas agências digitais
  • Mais segurança nas agências bancárias
  • Auxílio-educação

A Fenaban vem reiterando a proposta de reajuste dentro da inflação, projetada em 3,87%, em um acordo com validade para quatro anos. Do mesmo modo, a proposta apresentada pelos bancos tampouco contempla reivindicações essenciais, como manutenção dos empregos, a não adoção das novas formas de contratação previstas na reforma trabalhista e combate às metas abusivas que adoecem grande número de trabalhadores.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, explica como a reivindicação dos bancários da área públicas ou privados também beneficiam a sociedade ao exigir políticas inclusão de mulheres, negros, LGBTs e PCDs (pessoas com deficiência). A categoria pede ainda a ampliação do número de agências bancárias disponíveis, além  de tarifas e juros mais baixos para clientes, em um cenário em que é cobrado até 305% de juros no cheque especial.

 

Por Gabriel da Silva Prado e Lígia Bonfanti


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