Museu Nacional sofria com corte orçamentário desde 2014
Segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Museu Nacional sofria com corte orçamentário desde 2014

Imagem Agência Brasil

No último domingo (02), o Museu Nacional localizado na zona norte do Rio de Janeiro foi destruído pelo fogo em aproximadamente seis horas, ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a instituição sofria com os cortes orçamentários há pelo menos quatro anos.

No ano em que completou 200 anos de existência, o museu que já foi palácio da família real teve seu acervo de 20 milhões de itens majoritariamente destruído, os danos para a historiografia nacional ainda estão sendo mensurados.  

Com acervo raro em botânica, coleção egípcia, itens de arqueologia clássica, acervo de paleontologia, o crânio de Luzia com idade estimada entre 12,5 mil e 13 mil anos, batizado como “a primeira brasileira”, o Museu Nacional, especializado em história natural, é o mais antigo centro de ciência do Brasil e o maior museu desse tipo na América Latina.

Sofrendo de corte orçamentário desde 2014, o Museu Nacional teve seu orçamento diminuído em 35% até 2017 e entra agora para a lista de museus e instituições de ensino e pesquisa que foram destruídos por falta de manutenção. Como o Museus na Língua Portuguesa em 2015, a Cinemateca Brasileira em 2016 e o Museu do Ipiranga que está fechado há 5 anos para manutenção.

A perda que ocorreu para a historiografia não pode ser afastada de uma perda da identidade nacional. Constituído como forma de perpetuação do imaginário histórico entre as gerações, museus de história natural perfazem uma dupla função nas nossas sociedades, primeiro porque dispões elementos fáticos para a construção de narrativas acerca da história da ciência nacional e depois como instituições de ensino que evidenciam a produção científica de uma sociedade dentro de um recorte temporal.

O recorte temporal do Museu Nacional era de 200 anos. Determinado como um amplo espaço de acúmulo de saberes e tecnologias científicas como o processo de mumificação da coleção egípcia, o maior da América Latina. Entende-se o ocorrido como uma consequência grave, mas natural, dos governos que negligenciam a manutenção da cultura nacional na figura de suas instituições.

O descaso em relação ao patrimônio cultural nacional vem se reiterando como negativa ao valor social de nossa produção intelectual. Dentre diversas medidas contrária à produção científica nacional, como o corte das bolsas de pesquisa, a inexistência de museus aptos ao trabalho científico agrava a situação da ciência brasileira.

A negligência à pesquisa brasileira, a falta de manutenção de nossos museus, cria obstáculos ao trabalho científico de nossos pesquisadores ao não enxergam a produção intelectual como um processo de emancipação nacional das tecnologias estrangeiras. Ao contrário, em reiteradas oportunidades, por ação ou omissão, o Estado brasileiro opta por um apagamento massivo da história.

Contingenciamento de recursos na área de pesquisa e inovação segue a prática de desmonte da Ciência e Tecnologia desde que Michel Temer assumiu o Palácio do Planalto. Assim que foi empossado, Temer reduziu drasticamente o ministério da Ciência e Tecnologia ao fundi-lo com o das Comunicações. Na mesma esteira, a aprovação do teto de gastos, contingenciamento e cortes em agências de fomento como Capes e CNPq, junto à crise econômica colocam a área em emergência.

 


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