“A gente precisa sobreviver a 2018”; novas candidaturas poderosas
Sexta-feira, 14 de setembro de 2018

“A gente precisa sobreviver a 2018”; novas candidaturas poderosas

Por Gabriel Prado

Há seis meses perdemos a ativista negra, líder comunitária e vereadora carioca, Marielle Franco. Sem repostas fornecidas pela justiça institucional – dentro de suas elucubrações jurídicas institucionais. O sistema criminal fomenta o genocídio da população negra e o extermínio da juventude periférica. Nesse tempo, as conquistas de direitos dentro da institucionalidade política se tornou pauta em suas limitações e implicações através da representatividade.

“A gente precisa sobreviver a 2018”, disse Marielle sobre as urgência sociais e política que enfrentávamos no início deste ano. Nessas eleições, muitas candidaturas surgem tendo o referencial de luta e transformação social como horizonte. Embaladas no espírito das lutas contra opressões sistêmicas que atingem grupos sociais como mulheres, negros e periféricos, em suas interseccionalidades. Mulheres se lançam a política institucional nas eleições de 2018 em maior quantidade.

Ocupando 9,94% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 14,81% no Senado Federal, as mulheres brasileiras ainda são sub-representadas no legislativo nacional. Entre a representação de 193 países analisados pela União Interparlamentar, a Câmara brasileira ocupa a 153ª colocação em quantidade de mulheres. Ficando em último posição na América do Sul.

“As rosas da resistência nascem no asfalto. A gente recebe rosas, mas vamos estar com o punho cerrado falando de nossa existência contra os mandos e desmandos que afetam nossas vidas” – Marielle Franco

É sobres essas resistências que tratam as nove candidatas que seguem, enquanto ativistas dos direitos humanos e líderes comunitárias; Adriana Vasconcellos (SP), Aline Torres (SP), Áurea Carolina (MG), Sylvia Siqueira (PE), Perpétua Almeida (AC), Talira Petrone (RJ) e Taíres Santos (CE), Vaneska Dias (RS) e  Zuleide Queiroz (CE) assumem a responsabilidade pela disputa da política institucional para transformar a realidade de seus contextos e estados a partir das eleições de 2018.

 

Adriana Vasconcellos (PSOL) – São Paulo

Adriana Vasconcellos é uma professora de geografia e história da rede municipal de ensino há 23 anos e mestranda em educação pela PUC/SP.

Em debate na Faculdade de Direito da USP, Adriana disse que “todo o ensino que foge do modelo básico padrão, foge da lógica meritocrática”.

Foi assessora parlamentar onde contribuiu para elaborações de projetos de lei étnicos raciais que visam a agenda anti racista e a reparação histórica necessária para a população negra brasileira que ainda sofre com o fruto de mais de 500 anos de escravidão. Atualmente é filiada ao PSOL e concorre como deputada federal no estado de São Paulo.

 

Aline Torres (PSDB) – São Paulo

Aline defende sistemas de cota, se posiciona favoravelmente à descriminalização do aborto e luta contra o genocídio da população negra. A adolescente de Pirituba, zona norte da capital paulista. Aos 16 anos, frequentava cursinhos da Educafro, uma organização voltada para a inclusão de negros e pobres no ensino superior, e militava pelo Partido dos Trabalhadores

Graduada em Relações Públicas e pós-graduada e Gestão de Projetos Culturais na ECA-USP. Foi diretora do Centro Cultural de Juventude Ruth Cardoso, maior centro de políticas públicas de juventude da América latina, onde atuou no planejamento e identificação de oportunidades para as juventudes por meio da cultura. Filiadas ao PSDB, é candidata a deputada federal no Estado de São Paulo.

 

Áurea Carolina (PSOL) – Minas Gerais

Áurea Carolina começou sua atuação política no movimento hip hop de Belo Horizonte. No início dos anos 2000, participou do coletivo Hip Hop Chama que, em suas palavras, surgia para “aliar o fazer artístico com o pensamento crítico, nas quebradas e em toda a cidade”. Participou ativamente da consolidação do hip hop feminino na cena local, tendo sido uma das integrantes do grupo Atitude de Mulher, que contribuiu para abrir caminhos para as mulheres do rap.

“Sem a presença de mulheres negras na política a democracia é impossível, porque requer a convivência entre as diversas possibilidades de existências das pessoas.” disse ao Justificando. “Vivemos em uma sociedade racista, patriarcal, violenta e excludente. Não é possível promover justiça social na ausência dos segmentos que mais sofrem com as desigualdades” concluiu.

Cientista política pela UFMG, durante o seu mestrado pesquisou a inclusão das mulheres jovens na agenda governamental. Também é especialista em gênero e igualdade pela Universidade Autônoma de Barcelona. É uma das fundadoras do Fórum das Juventudes da Grande BH e constrói as Muitas pela Cidade que Queremos desde o seu surgimento. É feminista e colaboradora da #partidA. Está filiada ao PSOL e foi a vereadora mais votada nas eleições de 2016 em Belo Horizonte, este ano concorre como deputada federal pelo estado de Minas Gerais.

Perpétua Almeida (PCdoB) – Acre

Nascida no seringal Cruzeiro do Vale, que passou a município em 1992 com o nome de Porto Walter. É filha de seringueiro e caçula entre 15 irmãos. Passou 5 anos no colégio das irmãs Dominicanas para ser freira, em Cruzeiro do Sul. Anos depois trocou a vida religiosa pela política. “Acredito que podemos servir à Deus onde quer que estejamos” declarou em sua página nas redes sociais.

Em Cruzeiro do Sul, ajudou a criar a Pastoral da Juventude, a União Municipal de Associações de Moradores, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação e o Sindicato dos Bancários do Acre.

Foi vereadora de Rio Branco, na metade do mandato disputou a eleição para deputada federal. Foi deputada federal por três mandatos, em dois deles foi a parlamevntar mais votada do Acre e no terceiro a mais votada da Frente Popular. É filiada ao PCdoB e este ano concorre como deputada federal pelo estado do Acre.

Sylvia Siqueira (PT) – Pernambuco

Sylvia Siqueira Campos, mestra em Gestão de Entidades não Lucrativas pela 

Universidad Complutense de Madrid e Especialista em Direitos Humanos, atua hoje como coordenadora da ONG Mirim, baseada em Pernambuco, de onde parte com frequência para encontros e eventos internacionais.

Jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco e atuante em redes de direitos humanos, está acostumada a acessar e fazer parte de espaços de debates privilegiados no campo sociopolítico, mas se vale da vivência na periferia d

a cidade, acumulada nas experiências pessoais e profissionais, para abrir diálogos e conectar diferentes classes em torno de pautas progressistas.

Diz que não vê sentido em fazer e falar sobre política se não com um discurso de inclusão de minorias em todos os espaços e até de reparação de direitos negados a grande parte da população. É assim que pretende ingressar na Assembleia Legislativa, onde vai concorrer a uma cadeira de deputada estadual pelo PT no estado do Pernambuco.

Talíria Petrone (PSOL) – Rio de Janeiro

Talíria Petrone é professora de história, está como vereadora de Niterói e é candidata a deputada federal no Rio de Janeiro. Acredita que as salas de aula sempre foram espaço de resistência e construção de um outro mundo.

Da mesma maneira as maneira as ruas, de onde não se furta a estar para lutar pela ampliação do direito das mulheres, contra o genocídio do povo negro, por uma educação libertadora e de qualidade, em prol da saúde pública e de uma cidade de direitos. É militante do PSOL, esteve na direção estadual do partido e constrói os setoriais de mulheres e de negras e negros.

Taíres Santos (PT) – Sergipe

É Diretora de Movimentos Sociais na União Nacional dos Estudantes (UNE), formada em farmácia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), filha de trabalhadores rurais.

Declarou “entender a necessidade da participação de mais mulheres nos espaços de poder, por compreender que vivemos em um momento difícil e que nós jovens negras e negros queremos das nossas pautas com sujeitos e sujeitas que de fato sintam na pele a nossa realidade”.

Vaneska Dias (PSOL) – Rio Grande do Sul

Vaneska dias pe de Candelária, no Rio Grande do Sul, faz parte da Frente Favela Brasil e trabalha como coordenadora geral no Movimento Pérola Negra.

“A mulher negra pode ocupar cargos político  temos que provar que este lugar também é nosso.Por muito tempo entregamos nossas demandas nas mãos de representantes que nem sempre fazem o que é  necessário a maioria não entendem nossa realidade” disse ao Justificando.

Zuleide Queiroz (PSOL) – Ceará

Zuleide Queiroz é professora da Universidade Regional do Cariri (URCA), ativita junto aos movimentos sociais através da frente “Resistência Cariri”.

Em 1994 ingressa como professora na Universidade Regional do Cariri, período em que diz reconhecer a problemática da educação pública: autonomia, democracia, financiamento e condições do trabalho docente. Isso a levou a constituir o grupo fundador do Sindicato de Docente da URCA. No Cariri, também, passa a constituir o movimento de mulheres e inicia sua militância no movimento negro.

Acredita que a política institucional é de suma importância para o recrudescimento de nossas causas, pois reafirma a defesa dos anseios de grupos marginalizados no poder legislativo.

 

 


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