OAB Pernambuco e Alepe emitem nota de repúdio à música machista cantada em marcha pró Bolsonaro
Terça-feira, 25 de setembro de 2018

OAB Pernambuco e Alepe emitem nota de repúdio à música machista cantada em marcha pró Bolsonaro

Foto: youtube.

A Ordem dos Advogados do Brasil/ Seccional Pernambuco (OAB-PE) e a Assembléia Legislativa de Pernambuco (Alepe) emitiram, nesta segunda-feira (24), notas de repúdio à música cantada por apoiadores de Jair Bolsonaro (Partido Social Liberal – PSL) durante a “Marcha da Família” realizada no último domingo em Recife, Pernambuco. 

A música de conteúdo machista e misógino foi tocada em um carro de som e cantada por dezenas de pessoas vestidas de verde e amarelo que seguiam o trio elétrico na avenida Boa Viagem.

Dou para CUT pão com mortadela e para as feministas, ração na tigela. As mina de direita são as top mais belas enquanto as de esquerda têm mais pelos que as cadelas.

Dizia a letra entoada pelos apoiadores do candidato de extrema-direita, parodiando o ritmo do do funk “Baile de Favela”.  

Após a repercussão negativa do caso, a OAB-PE e a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembléia Legislativa de Pernambuco (Alepe) emitiram notas de repúdio ao episódio. 

Confira as notas na íntegra:

 

OAB

A Comissão da Mulher Advogada (CDMA) da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco, manifesta seu profundo repúdio a uma das músicas cantadas neste domingo (23.09) durante a “Marcha da Família” do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, que aconteceu no bairro de Boa Viagem, na cidade do Recife.

A letra, entoada em coro, afirma que às feministas deve ser dada “ração na tigela” e que as mulheres “de esquerda têm mais pelo que cadela”.

Os estarrecedores trechos da música acima transcritos reduzem as mulheres à condição análoga de seres irracionais e incitam o ódio, a violência e o preconceito contra aquelas que se reconhecem feministas e/ou que têm orientação política diversa do aludido candidato.

Em tempos em que, a cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil, segundo dados do Relógios da Violência do Instituto Maria da Penha, não se pode admitir que, sob o manto da liberdade de expressão, qualquer partido político, seja ele de direita ou de esquerda, ofenda publicamente uma coletividade de mulheres, reforçando a cultura machista e misógina que, infelizmente, ainda insiste em matar muitas mulheres todos os dias.

 

Ana Luiza Mousinho

Presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB PE.

 

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Alepe

A capital pernambucana ganhou destaque nacional neste domingo (23) após ter sido palco de manifestações de ódio contra as mulheres com posicionamento político de esquerda. 

Durante o evento “Marcha da Família”, que reuniu centenas de pessoas na Avenida Boa Viagem, manifestantes entoaram música com conteúdo machista, linguajar chulo e violento – o que não contribui para o debate propositivo e acentua a polarização política que vivemos neste período eleitoral.

Diante da repercussão, e de suas consequências, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Pernambuco se sente na obrigação moral de formalizar seu repúdio à propagação da referida música, que compara mulheres a “cadelas”. 

Este colegiado é suprapartidário, e foi criado com o intuito de defender os direitos das pernambucanas e de combater todos os tipos de violência contra as cidadãs, incluindo a agressão verbal, moral e psicológica. Sabemos que o ciclo da violência contra a mulher é impulsionado pela cultura machista, que se manifesta por meio de pensamentos e palavras de ódio capazes de abalar as mulheres psicologicamente e induzir à violência física, muitas vezes culminando no feminicídio. 

O Brasil, e Pernambuco não foge à regra, já conta com índices absurdos de violência contra as mulheres. Não precisamos de fatos novos com potencial para agravar este cenário já inadmissível.

Não há justificativa para tal comportamento. Não há lugar para manifestações políticas machistas e misóginas, seja de que partido ou candidato for. As mulheres não podem ser tratadas como uma piada e exigem respeito.

COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
24 DE SETEMBRO DE 2018

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