Conheça a origem do PSL e como se transformou depois de Jair Bolsonaro
Quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Conheça a origem do PSL e como se transformou depois de Jair Bolsonaro

Edição Gabriel Prado – Imagem destaca em preto o avanço do PSL por municípios nas eleições de 2018.

Servindo de palanque para a onda conservadora que percorre o país, o Partido Social Liberal (PSL) passou de defensor da social democracia e do liberalismo econômico à fortaleza política dos candidatos da extrema-direita ofensiva brasileira. Saltando de 8 deputados no Congresso Nacional para 52 nas eleições de 2018, o PSL se tornou a segunda maior bancada do congresso. Com o aumento do número de cadeiras nunca antes visto no país e uma narrativa sem apreço às instituições, o partido se tornou uma ameaça a democracia brasileira.

“Jair Bolsonaro não virá para o PSL” declarou em nota o movimento Livres, tendência dentro do partido que se colocou contrária a entrada do futuro candidato à presidência pelo partido em janeiro deste ano. Contrariando a corrente e cientistas políticos que acompanhavam a ascensão autoritária de Bolsonaro, o então presidente Luciano Bivar anunciou em 5 de janeiro a filiação do deputado federal ao PSL. O partido se desvinculou de todas as correntes internas democráticas como o movimento Livres e abandonou sua agenda ideológica que remetia a fundação em 1998 e começou sua caminhada a passos largos rumo à extrema direita.

 

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Imagens Publicas – Bolsonaro, candidatos do partido e diretores na convenção nacional do PSL

O atual presidente Gustavo Bebbiano vem sendo apontado como o líder formal do partido, enquanto Bolsonaro controla a maior parte dos diretórios e exerce grande influência sobre o partido e seus filiados. Nestas eleições de 2018, o PSL emplacou recordes numéricos nas urnas e inéditas candidaturas autoritárias como a de Janaína Paschoal, co-autora do impeachment, que declarou, à época, que “Deus manda uma legião para cortar as asas da cobra” ou Daniel Silveira que destruiu uma placa em homenagem à vereadora e ativista carioca Marielle Franco (PSOL), assassinada em 14 de março no Rio de Janeiro.

Constituição ideológica  

Nascido para a promoção da ideologia do social-liberalismo, entendida com uma participação menor do Estado na economia, contando com direcionamento total dos recursos que forem arrecadados pelo Estado aos serviços sociais, como saúde, educação e segurança. O PSL passou por uma reformulação liderada pelo movimento “Livres”, com uma ideologia libertária presente na ideologia do partido de sua fundação até janeiro de 2018. A reformulação do partido contava com a colaboração de nomes conhecidos do liberalismo no Brasil como o cientista político Fábio Ostermann e o jornalista Leandro Narloch.

Atualmente, o partido acredita em um modelo econômico liberal, mas se autoclassifica como “conservador nos costumes”. É favorável à legalização do porte de armas de fogo, contra o aborto, o casamento homoafetivo e o ensino sobre identidade de gênero nas escolas. Atualmente é considerado por cientistas políticos, como Claudio Couto, como de extrema-direita.

Eleições 2018

No último pleito, o partido alcançou o maior número de votos à presidência da república na história do país. Jair Bolsonaro ultrapassou os recordes antecedentes do primeiro turno de Lula e Dilma ao receber 49.276.990 votos – ganhando em todas as regiões, com exceção do nordeste em que o candidato perdeu em todos os estados.

A candidatura de Bolsonaro vem sendo apoiado pela equipe da marketing da Cambridge Analytica que trabalhou na campanha de Donald Trump nas últimas eleições nos Estados Unidos e no brexit que colocou a Reino Unido fora da união europeia. O filho do presidenciável, Eduardo Bolsonaro, também posou ao lado Steven Bannon nas redes sociais em agosto, o ex-assessor de Trump agora atua na campanha das redes sociais de Bolsonaro.

Imagens das redes sociais de Eduaro Bolsonaro – O deputado federal se encontrou com Steven Bannon em NY – Agosto de 2018.

A onda da extrema-direita surfada por Jair Bolsonaro ajudou a eleger o maior número de candidato militares desde a redemocratização. O Congresso passou de 18 para 73 eleitos que se declararam pertencentes a alguma profissão militar no momento do registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – . Candidatos como o senador eleito por São Paulo,  Major Olímpio não foram considerados no levantamento pois declarou ter como promissão “deputado”.

O alavanque do partido até então nanico colocou 52 deputados na Câmara, onde antes nunca havia tido mais do que dez. A bancada do PSL se tornou a segunda maior do congresso, atrás apenas do Partido dos Trabalhadores com 56 cadeiras. A Frente Parlamentar da Segurança Pública no Congresso Nacional, conhecida como “bancada da bala” recebeu no Senado 15 integrantes que são deputados federais e elegeram-se senadores nas eleições de 2018. O deputado reeleito, Eduardo Bolsonaro, já se preocupa com a mesa do Congresso e já declarou que “a gente vai articular para colocar um nome identificado com as bandeiras de Jair Bolsonaro”.

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