Eliana Calmon, que cunhou o termo “bandidos de toga”, quer ser interlocutora de Bolsonaro com Judiciário
Terça-feira, 16 de outubro de 2018

Eliana Calmon, que cunhou o termo “bandidos de toga”, quer ser interlocutora de Bolsonaro com Judiciário

Arte: Caroline Oliveira

A ministra aposentada promete ser a interlocutora do candidato do PSL no Judiciário. Para ela, o presidenciável não é preconceituoso

Por André Zanardo e Caroline Oliveira

Aos 73 anos de idade, a ex-Corregedora Nacional de Justiça Eliana Calmon tem orgulho de “ser mulher e batalhar todos os dias, seja no meu campo profissional, na política ou em meu cotidiano”. Nas palavras dela, esse é o seu jeitinho feminino de lidar com o mundo. Nas viradas de ano, os pedidos da baiana se voltam à reflexão sobre a situação o País. Em épocas natalinas, o espírito é “essencialmente de amor, compaixão e solidariedade”. Calmon ficou famosa por fazer uma dobradinha com Joaquim Barbosa quando ele era presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) e ela Corregedora Nacional de Justiça. A ex-ministra sempre escolheu pautas ligadas à corrupção.

A pouco menos de 20 dias do segundo turno do pleito presidencial de 2018, a ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), depois de analisar o discurso do candidato Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal, declarou apoio ao pesselista. Para ela, não há preconceito ao redor dele. “Isso não existe diante do que eu avaliei”, afirmou.

Em entrevista ao veículo de comunicação Metro1, ela discorreu que “existe muito fake, muito exagero”, ainda que algumas declarações comprovadamente verdadeiras do presidenciável façam referências a violências explícitas contra populações minorizadas, como negros, homossexuais e mulheres. Afirmou que não pagaria o mesmo salário para homens e mulheres que exerçam o mesmo cargo. Em uma conversa entre jornalistas, o candidato a presidência explica que um “coro” é suficiente para acabar com a homossexualidade de um filho. Preferia ter um filho morto do que gay.

 

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Conhecida por sua excentricidade, apoia o candidato ao mesmo tempo em que defende a soberania popular, “o pilar de uma sociedade saudável. Vamos celebrar a nossa democracia, hoje e sempre”. Para isso, quer ser interlocutora de Bolsonaro com o Judiciário, ainda que não aviste a possibilidade de ocupar o possível cargo caso o capitão da reserva seja eleito pela população brasileira. Esta foi uma condição dela para ser a mensageira do candidato.

“Eu disse a ele que não queria cargo, não gostaria de participar do governo, mas queria ser uma interlocutora para falar sobre a área que eu sei [o Direito]. Até agora não temos uma pessoa que possa assessorá-lo bem no Judiciário para que possa fazer assessoria nesse sentido. Foi uma das minhas condições. Estou hipotecando essa solidariedade, mas como cidadã brasileira, não quero cargos”, afirmou ao site. Calmon já está em contato com a equipe de publicidade de Bolsonaro para anunciar publicamente seu apoio. E já disse que se quiserem gravar, ela topa.

Em uma coletiva de imprensa no começo deste ano, Calmon disse ter negado o convite do presidenciável para ser sua candidata à vice-Presidência. Na ocasião, ela, filiada ao partido Rede Sustentabilidade, preferiu ficar somente com o seu escritório de advocacia diante de um postulante ao Planalto muito radical e tido como salvador da Pátria.  

“Pessoalmente, acho o Bolsonaro uma pessoa muito radical. Tenho uma certa preocupação com esse radicalismo hoje no País, por ele ser um líder carismático, que aparece como um salvador da pátria. Mas eu disse que não estava interessada mesmo porque tenho meu escritório de advocacia”, declarou.

Lídice da Mata, primeira senadora da Bahia pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) da Bahia e deputada federal hoje, afirmou ao Metro1 que a postura de Calmon é lamentável o apoio de uma pessoa com o perfil de integridade moral a um candidato que é estimulador da violência, racista e homofóbico. É algo que não combina pelo respeito moral que ela tem”. Durante o regime militar brasileiro, Calmon, em 1976, concedeu um mandado de segurança solicitado por estudantes da Universidade de Brasília contra a invasão de forças de segurança do Estado nos campi. No STJ, foi a segunda mulher numa corte superior. Para uma coluna da Folha de S. Paulo, afirmou em 2011 que seu desejo “é proteger a magistratura dos bandidos infiltrados”.

Eliana Calmon é uma das precursoras das perseguições políticas em massa, e cunhou o termo “bandidos de toga”. Afirmou sem provas que haveria uma infiltração de criminosos no Judiciário, que se escondiam atrás de suas posições. Apesar de sua dura posição, não foi capaz de mencionar pessoas em específico para provar o seu ponto. Dentro do judiciário ficou conhecida por manipular os discursos em prol do combate à corrupção conforme os votos peçam por rigor, assim como mudou de postura ao criticar veementemente Bolsonaro e agora se aproximar para chegar mais perto do poder.

 

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