@ViraVotos: a estratégia da esperança
Quarta-feira, 17 de outubro de 2018

@ViraVotos: a estratégia da esperança

Imagens publicas
Entre tudo o que se pode dizer dessas eleições, não se pode deixar de perceber que se trata de uma eleição sem precedentes, marcada pela crescente do autoritarismo e da polarização entre eleitores. Presenciamos diversos ataques que foram realizados por eleitores de Bolsonaro nos últimos dias em todo o Brasil e, ainda assim, as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno não deixam de preocupar diante da expressiva diferença estatística entre os candidatos. Essa situação veio acompanhada de uma onda de medo e desesperança por parte de todos os eleitores que dizem #elenão.

Como todo momento de crise comporta boas oportunidades de mudança, a reorganização dos eleitores que não se vêem representados pelos ideais de Jair Bolsonaro e apoiam Fernando Haddad merece um capítulo à parte nessa história. No sábado do dia 13 de outubro foi criado um perfil no Instagram denominado @viravoto. Após uma hora de sua criação, o perfil registrava mais de 1.000 seguidores. Na quarta-feira, quatro dias depois, o número de seguidores chegou ao 188.000.


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Trata-se de um perfil que nasceu com o intuito de dar visibilidade às histórias de pessoas que mudaram sua intenção de voto e agora pretendem optar pelo candidato do PT e que, inclusive, votaram no candidato do PSL no primeiro turno. Nesse perfil são apresentados prints dos relatos enviados aos administradores da página.  Também são enviados relatos de pessoas que conseguiram mudar o voto de outras e expõe os argumentos que utilizaram. Muitas postagens explicam formas de se conversar com os eleitores de Bolsonaro e argumentar sobre suas propostas.

Personalidade como as atrizes Alinne Moraes, Patricia Pillar, Letícia Sabatella e o ator José de Abreu passaram a seguir e a marcar o perfil. Também Gregório Duvivier e Eduardo Suplicy. Em comum, os relatos trazem a marca de uma conversa paciente, pedagógica e amorosa com os eleitores de Bolsonaro que buscam desvendar quais são as intenções dos eleitores ao optarem pelo discurso incisivo e equivocado do candidato.

O relato exposto pelo ator José de Abreu, por exemplo, contém a seguinte fala: “Marcelo Serrado não apoia fascista. E é antipetista e carteirinha. Mas tem boa cabeça, sabe que o fascismo esmaga a arte. Não dá tiro no pé.” Em seguida, o ator colocou um print tirado do perfil do ator Marcelo Serrado que contém o seguinte dizer: “Não sou petista, mas tenho certeza que o ódio não me representa, por isso vou de ‘hamor’”, em uma referência à letra inicial do nome Haddad. Marcelo que é notoriamente antipetista conforme já expressou diversas vezes, optou pelo projeto petista em detrimento de suas posições partidárias pessoais.

Para além dos debates já levantados sobre todo o ódio que toma conta do pleito que se aproxima, dos discursos carregados de misoginia, racismo, xenofobia e que se apoiam principalmente sobre o jargão do Brasil sem corrupção, temos um novo fenômeno que é produto da reorganização dos eleitores do projeto petista: um convencimento pedagógico-acolhedor.

Após diversas tentativas por parte dos eleitores de Haddad de confrontar os eleitores de Bolsonaro, mostrando que seu projeto não abarcava as minorias e levantando questões sobre o nazismo e o fascismo, foi possível notar que essa estratégia não estava funcionando. Inclusive, porque alguns desses eleitores escolhem esse lado justamente pelo discurso excludente, nem todos ignoram as entrelinhas. Alguns fascistas simplesmente aproveitaram a oportunidade para sair de seus armários e esbravejar. Outros, tomados pela falta de clareza de compreensão, simplesmente reproduzem discursos como “O Brasil não pode virar a Venezuela”, “Xô comunismo do PT” e falam até mesmo na existência da URSAL.

Para além dos despreparados que reproduzem discursos prontos e dos maliciosos que esperavam essa candidatura para mostrar o seu fascismo, surgiram esses novos atores no espaço da Internet, com uma página que oferece esperança em tempos difíceis e promete bem mais do que virar votos, mas também mostrar a articulação inventiva dos eleitores, conquistando novos espaços e vivenciando a democracia participativa da esperança e não do ódio. (E sem fake News).

 

Deise Brião Ferraz é mestranda em Direito e Justiça Social na Universidade Federal do Rio Grande, especialista em Direito do Trabalho pelo Centro Universitário Internacional e bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande.

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Quarta-feira, 17 de outubro de 2018
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