STF preso amanhã
Segunda-feira, 22 de outubro de 2018

STF preso amanhã

Arte: Caroline Oliveira

“Mas aí vai ter que pagar pra ver. Será que eles vão ter essa força, mesmo?

O pessoal até brinca lá, cara. Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe, cara. Manda um soldado e um cabo.

Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não.

O que que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF. Que que ele é na rua? Você acha que a população…? Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor dos ministros do STF? Milhões nas ruas?”

Eduardo Bolsonaro, deputado federal por São Paulo. O mais votado da história do Brasil. 1.843.735 votos.

 

Dispense-se o jipe. Apenas um cabo e um soldado fecham aquela nulidade acovardada do STF, deve ter dito um General fanfarrão. O pessoal de que o deputado mais votado de toda a história fala é o que tem plano para qualquer contingência, até pra limpar latrina. Tem planos para fechar o Congresso, o STF, intervir na economia e no sistema financeiro, prender as principais lideranças políticas, censurar jornais, intervir em rádios e televisões e suspender as redes sociais. No processo talvez alguns morram ou sejam torturados. Farão tudo isso “para salvar o Brasil de virar uma Venezuela”. Pausa e…risos. O pessoal de que o deputado mais votado de toda a história fala devem ser “gênios militares” que fecharam com o Papai Papudo.

Este Papai Papudo, meus excelsos Ministros Supremos, é aquele para o qual você pergunta as horas e ele sempre lhe responde: — São exatamente 50 anos atrás. Papai Papudo é Unabomber frustrado e adorador de tortura e de torturadores. Um suposto planificador de ataques terroristas a bomba que se deu bem no Rio de Janeiro porque o macaco Tião morreu e, deixando-lhe de opor concorrência, pôde se acomodar numa cadeira de deputado por longos 28 anos.  

Durante 28 anos sustentou sua aura vivendo de esquetes com a Maria do Rosário, a Preta Gil, a Luciana Gimenez, o Jean Wyllys, a Senhorita Iozzi e qualquer outro desavisado que se propusesse a argumentar e contracenar com ele sob as bases da cenografia, do roteiro e da indigência intelectual dos programas de auditório e dos reality shows. Passado um tempo, na era das redes sociais, deixou de ser um Homem para virar um Meme. Ave, Mito!

Quando na ativa foi um sindicalista de porta de quartel a menosprezar comandantes  e abalar os alicerces da hierarquia e disciplina militares. Um mau militar, segundo o Presidente Geisel. Na perspectiva de levar um pé na bunda ou ser perseguido por seus superiores nos quartéis, resolveu abandonar os seus ouvintes de barzinho de Marechal Hermes e partir para a política que infelizmente, no Brasil, é o paraíso de vagabundos, embusteiros, ladrões dos partidos de aluguel e usufrutuários de fundo partidário e de doações caixa 2. Se deu bem.

 

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Depois de 28 anos constituiu toda uma dinastia de filhos políticos e um patrimônio invejável. Adeus miserê daquele soldo de capitão! Sendo um dos admirados baluartes do Supremo Juiz Federal Moro e da República de Curitiba será Presidente da República de um país situado numa América cada vez menos Latina e cada vez mais Latrina. Parando para pensar, só agora posso entender o sentido e o alcance daquela frase de caminhão que a gente vê por aí: política não deveria ser profissão.

Nunca desmereci o então Capitão, atual quase 3 décadas deputado federal e, para mim, Presidente da República amanhã. Sempre soube do que ele seria capaz. Nunca fechei os olhos para um deputado federal que presta continência feito um subalterno à bandeira dos Estados Unidos da América. Já viram algum político americano prestar continência para a Bandeira do Brasil? E nunca fiz muito da pouca sagacidade histórica e política de alguns Generais, principalmente daqueles que são fãs do Creedence ou daqueles que, desacompanhados de seus cavalos, apresentam certa lerdeza de raciocínio.

Enquanto nossos militares de Estado-Maior estabeleciam planos para enfrentar as ameaças irreais de nulidades políticas e militares como o MST e o Foro de São Paulo, há três anos atrás apontei o Capitão PQD como o próximo Presidente da República e me queixava do soft power, da espionagem e da guerra híbrida sendo perpetrada pelos Estados Unidos contra o Brasil sem que ninguém de direito tomasse qualquer providência. Ao contrário, juntaram-se muitos à farândola do ICQ, do Orkut, do Facebook, do Twitter e do WhatsApp para afundar ainda mais a nossa Pátria.  

A ineficiência da Comunidade de Informações do General Mourão, o Esteio da Nação, se fez ver quando se descobriu que a Presidência da República, as Forças Armadas, a Petrobrás e “certas pessoas” estavam sendo espionadas e monitoradas pela NSA. O Brasil e seus interesses estavam à mercê de uma país estrangeiro, os Estados Unidos da América, sem qualquer tipo de proteção ou salvaguardas que deveriam ter sido tomadas por aqueles a quem incumbe a defesa da Pátria e dos interesses nacionais. Ao invés disso,  centrados num viés de revanchismo político doméstico contra nulidades militares, políticas, partidárias e ideológicas, temos esses planos militares contingenciais ridículos. Um dos quais foi verbalizado pelo deputado federal mais votado da história – parabéns São Paulo – que é o de fechar o STF e prender os seus Ministros.

Não é de hoje que o Brasil, nossa Pátria, está sendo alvo de desestabilização em prol de interesses norte-americanos. O Exército Brasileiro já há tempos deveria deixar de dar atenção para pessoas, integrantes seus inclusive, absolutamente anacrônicas que pensam viver na década de 50 do século passado.

 

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O militarismo político é a ruína de qualquer nação, é primo-irmão da revolução bolivariana do Coronel Chaves. É coisa que não deu certo em nenhum lugar do mundo. Onde tem militarismo político tem país atrasado. Onde tem militarismo tem comunismo, tem fascismo. Onde tem farda e coturno no poder tem ditadura, tem golpismo e uma miríade de maria-batalhão. Onde tem militarismo político tem corrupção, falência econômica, subdesenvolvimento, desgraça e morte. É exemplo disso toda a história da América Latina. Há estudos abalizados sobre isso. Vamos papirar. E eventuais exceções apenas confirmam a regra.

Nossos atuais modelos de país deveriam ser a França, Inglaterra, Noruega, Suécia, Holanda, Japão, Alemanha. Cada brasileiro tem direito a isso, tem direito ao trabalho, à dignidade, a ser proprietário, dono e senhor de sua casa, de estudar e de ser um empreendedor, de criar e progredir, de prosperar e enriquecer. Precisamos construir uma nação de cidadãos. Não somos rebanho. Não queremos ser uma sociedade dividida entre senhores e escravos. Mais que isso, cada brasileiro tem direito a ser livre de governos autoritários e de criminosos fanfarrões de WhatsApp que querem nos ameaçar e mandar em tudo e todos como se fossem Pais da Facção, reis ou príncipes.

O militarismo político não manda nestes países. Lá a lei é para todos, as pessoas se respeitam pelo que são, o capitalismo não é de compadrio, sonegador de imposto vai pra cadeia e caixa 2 é coisa de bandido e terrorista.  E se aparecer algum cara que faça apologia à tortura por lá eles entroncam na cadeia sob os candentes gritos de vai pro Brazil!

Ao invés de cogitar fechar o STF e prender os seus ministros porque não se elaboram planos de modernização das Forças Armadas para defesa do Brasil contra os seus reais inimigos externos? Na condição de brasileiro que serviu com orgulho o Exército Brasileiro eu passo vergonha com um exército de meio-expediente pra economizar rancho e de ver ainda em atividade viaturas ferradas e os mesmos antigos paus de fogo nas solenidades militares. Passo mais vergonha ainda de ver o Exército Brasileiro receber “sucata” “doada” de tempos em tempos pelos Estados Unidos da América. É esmola?

Este arcaísmo bélico, embora a manutenção irrepreensível e a excelente operacionalidade de nossos soldados, não tem poder dissuasório ou poder de defender o País contra nenhuma ameaça externa.

Mas parece que é eficiente, segundo a dinastia Bolsonaro, para se voltar contra a Democracia, contra a República, contra os Poderes constituídos da República do Brasil e contra nós cidadãos brasileiros.

 

Fuad Faraj é promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná.

 

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