Escola, Violência Simbólica e Psicologia
Terça-feira, 6 de novembro de 2018

Escola, Violência Simbólica e Psicologia

O mundo pós moderno é produto do materialismo dialético e da exploração do homem sobre o homem. A escola, do século XX, pode ser interpretada como um membro de um processo de hierarquização e dominação social, já que a mesma reproduz ações repressoras e punitivistas.

Segundo Bourdieu, “todo poder de violência simbólica, isto é, todo poder que chega a impor significações e a impô-las como legítimas, dissimulando as relações de força que estão na base de sua força, acrescenta sua própria força, isto é, propriamente simbólica, a essas relações de força.” (2008, p.25).

Erroneamente, sob a perspectiva do senso comum, as divisões sociais são determinadas através da meritocracia. No entanto, essa visão míope, ignora o contexto e a dialética social e histórica dos indivíduos, revelando a perpetuação do abismo social e a violência simbólica. Em outras palavras, não há meritocracia, quando as oportunidades são desiguais.

Dessa forma, analisou-se de que maneira a educação escolar contata-se com os processos educacionais que ocorrem em outros ambientes, especificadamente na família, visto que a mesma e a escola, segundo a psicologia, são considerados os dois ambientes mais importantes de socialização; portanto, o contexto de ambas é inseparável de contribuições diretas aos indivíduos que estão inseridos nessa realidade social, a cultura e os materiais que se manejam. Sendo assim, os contextos não devem ser interpretados como algo concretizado, mas que se constroem progressivamente, dialeticamente, com a ação ativa dos integrantes.

Segundo a perspectiva da Psicologia Escolar, a família trata-se do contexto mais importante, nos primeiros anos da criança, refletindo em suas crenças, cultura, gostos, moral e comportamento; porém, a família não se trata do único agente educacional possível. Para que se mantenha o processo social, ele deve ter continuação em relações de uns indivíduos para com os outros; a partir disso, percebe-se como a psicologia é imprescindível dentro da escola, pois essa ciência é especialista na formação de seres humanos e no estudo do SER humano.

Muitas vezes, a ênfase é dada às dimensões individuais, negligenciando-se as interações dos fatores que constroem esse ambiente e, principalmente, das pessoas que, nele, estão inseridas. Essa formulação, segundo Bourdieu, ignora muitos elementos que poderiam contribuir para explicar e analisar ambientes humanos e os processos de socialização que se produzem neles; o que seria imprescindível para o êxito no processo escolar – continuação dialética no desenvolvimento social do sujeito e do coletivo.

É sabido que a educação é o pilar para a boa vivência, em sociedade.

Ora, sendo assim, a educação e a evolução andam de “mãos dadas”. Isso quer dizer que a educação acompanha e ou estimula essa evolução e os seus instrumentos não podem ficar estagnados. Os profissionais e a família devem atentar-se para a evolução desses instrumentos, a fim de acompanhar a desenvoltura do seu público e, por consequência, a característica desse professor moderno, que não é mais ditatorial. Ou seja, o indivíduo deve saber que ele, também, pode ser produtivo para o seu processo educacional; por esses fatores, hoje, discute-se a importância da atuação de um psicólogo no meio escolar.

Observou-se que, nas escolas, o objetivo do ser humano é a auto realização, fazendo uso de suas potencialidades e capacidades.

O “ser” homem não nasce com um fim definido e se apresenta como um projeto permanente e em desenvolvimento.

O saber deve ser humanizado, proporcionando instrumentos que induza “o compartilhar”.

Cabe, ao sujeito, também, o papel ativo, consistindo em observar, experimentar, relacionar, argumentar e encaixar. Porém, se isso for desestimulado, através da violência estrutural e simbólica, que é reproduzida dentro das escolas, esse papel ativo se torna uma distopia.

Sendo assim, ao se criar condições para que os que indivíduos consigam acompanhar, com clareza, as suas dificuldades, desenvolvimento e resultados, cria-se, também, uma nova estrutura emocional com a finalidade de estimulá-lo.

É necessário, portanto, que se reconheça o êxito das pesquisas que o ambiente familiar, sua cultura e seu contexto podem tornar-se um ponto de apoio para estabelecer relações saudáveis e coerentes entre a família e a escola.

Diante disso, uma questão importante é explorar essas relações, fazendo com que seja possível que haja essa contribuição estimulando os mais novos serem membros de pleno direito em seu contexto social. Isso propões adquirir habilidades, construir conhecimentos que não podem ser obtidos, apenas, na família; uma troca saudável e construtiva, respeitando cada espaço, cada modo de viver, com a finalidade de lapidar o meio social.

A escola deveria ser libertadora, segundo a visão de Paulo Freire, ao invés de repressora, dando autonomia aos profissionais, em relação ao currículo e à forma de trabalhar, visto que, somente os mesmos, têm conhecimento da realidade em que estão inseridos. Isso quer dizer que um currículo igualitário não satisfaz a necessidade de tantos alunos diferentes. É preciso ter um olhar crítico para preencher e responder às necessidades e expectativas divergentes.

 

Rita de Cássia M. Jubini, professora de História, estudante de Psicologia da Faculdade Multivix de Cachoeiro de Itapemirim.

Carlos Eduardo Silva, estudante de Psicologia da Faculdade Multivix de Cachoeiro de Itapemirim.

Giovanna Cazzerino Werneck, professora da disciplina Aprendizagem e Processos Relacionados, Psicologia, Multivix, Cachoeiro de Itapemirim.

 

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COLL, César; et al. Desenvolvimento Psicológico e Educação. Ambiente familiar e educação escolar: a interseção de dois cenários educacionais. Cap. 24. 2. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre: Artmed, 2007.

BOURDIEU, P.; PASSERON, Jean-Claude. A reprodução. 2. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982.

 

Terça-feira, 6 de novembro de 2018
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