Transexualidade e a fé: o viés mais doloroso da transfobia, é o da Religião
Segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Transexualidade e a fé: o viés mais doloroso da transfobia, é o da Religião

Arte de Karin Miller

É muito comum, nos movimentos sociais, existirem iniciativas que buscam dar voz aos invisibilizados. Dar voz às pessoas negras, dar voz às pessoas trans, às pessoas pobres etc. Na verdade, esta atitude é muito mais comum nos partidos de esquerda. Assistindo às propagandas políticas para o último pleito, há muitos figurantes negros; um ou outro candidato negro que tem a imagem explorada pelo partido, como maneira de “dar voz”, de “dar visibilidade”. Essa expressão “dar voz” é extremamente complicada e acredito que deva ser substituída por “dar ouvidos”.

Faz algum tempo que tenho convivido diretamente com a militância de diversas minorias sociais e o problema não é falta de voz, mas falta de ouvidos. Em outras palavras, as minorias sociais sempre falaram, a sociedade que nunca ouviu.


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Esta postura de tutelar a população atingida por intersecções de opressões, não é a melhor postura para quem deseja fazer transformações profundas nas estruturas sociais. E pensando em abrir esse diálogo, a coluna (fé)ministas não se coloca como um espaço para “dar voz”, e sim um espaço para ouvir. Precisamos ouvir, pois a expressão “dar voz” nem sempre significa “dar ouvidos” e se existe uma coisa que a esquerda, de modo geral, precisa, é dar ouvidos. Ouvidos aos excluídos, ouvido às ruas e às periferias.

Para reafirmar nosso compromisso de ouvir as minorias sociais, publicaremos uma série de relatos cujo o tema é “Transexualidade e a fé: o viés mais doloroso da transfobia, é o da Religião”.  Nesse sentido, ouviremos mulheres trans maravilhosas que romperam as opressões religiosas de seus corpos e construíram um novo caminho para sua fé e experiências religiosas.


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Precisamos denunciar sistematicamente o que a transfobia produz em nossa sociedade: morte, medo e desumanização das pessoas trans. A expectativa de uma pessoa trans é de 35 anos; a maioria dos assassinatos de pessoas trans é com requintes de crueldade; são vítimas de estupros constantes; agressões físicas; agressões verbais;  humilhação e  desumanização; expulsão de suas casas, de suas famílias e religiões; desrespeito ao nome social e ao gênero; fetichização e proibição do uso de banheiros, conforme sua identidade de gênero, são algumas das opressões diárias que as pessoas trans sofrem diariamente.

Assim, precisamos dar um basta a invisibilização das pessoas trans e combater as atrocidades que essa população sofre. As pessoas trans são excluídas de suas famílias, do convívio social, das oportunidades de trabalho e estudo e, ainda, têm suas religiosidades arrancadas de si, quando tabus e preconceitos sociais separam essa população de suas experiências religiosas. Damos início então à campanha: A minha religião não é transfóbica!

 A coluna (fé)ministas publica relatos de pessoas que combatem as opressões de gêneros em suas religiões, mande seu relato no e-mail: [email protected]

Simony dos Anjos é graduada em Ciências Sociais (Unifesp), mestranda em Educação (USP) e tem estudado a relação entre antropologia, educação e a diversidade.

 

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Segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
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