MPT alega nulidade em dispensa coletiva dos três mil empregados da Ford
Sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

MPT alega nulidade em dispensa coletiva dos três mil empregados da Ford

Imagem: Agência Brasil

Segundo o MPT, a demissão pode trazer “severas consequências para os trabalhadores, familiares, fornecedores, Município e toda a comunidade afetada”

A fabricante de automóveis multinacional estadunidense Ford Motor Company anunciou nesta terça-feira (19), o encerramento de suas atividades, ao longo de 2019, na fábrica de caminhões e carros Fiesta em São Bernardos do Campo, a mais antiga em operação da montadora no Brasil.

Segundo estimativas do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, serão 2,8 mil demissões. No total, 24 mil trabalhadores devem ser impactados, afirmou o sindicato e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), já que  as demais empresas do setor não terão como substituir a demanda gerada pela norteamericana Ford.

Diante do anúncio, o Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo abriu um procedimento para garantir o respeito às convenções internacionais que tratam de demissões massivas. De acordo com o MPT, deve haver “a nulidade de qualquer forma de dispensa coletiva de forma unilateral, sem a prévia negociação com o sindicato profissional, bem como a garantia de todos os direitos previstos na Constituição, na Leis Trabalhistas e nas Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho”.

Para o MPT, a decisão demonstra “elevada gravidade”, “com severas consequências para os trabalhadores, familiares, fornecedores, Município e toda a comunidade afetada”.

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), afirmou em nota à imprensa que a Ford poderia pelo menos “ter respeitado o Brasil e a nossa cidade”. “São 2.800 famílias diretamente e outras 2.000 indiretamente que mereciam uma chance de reagir, isso é uma covardia. Sempre apoiamos o trabalhador de verdade, sempre respeitamos aqueles que geram empregos, por que agir assim?”, disse Morando.

A Ford anunciou que não planeja remanejar os funcionários para outras unidades. Uma possível transferência se daria para Taubaté, em São Paulo, e Camaçari, na Bahia, mas estas estão com o quadro completo. Diferente da empresa também norteamericana General Motors, a Ford não tentou negociar a situação com os governos federal e estadual. A negociação poderia ocorrer em termos de subsídios fiscais.

 

Leia mais:
Reforma Trabalhista: no vácuo da insegurança jurídica
Uma “retrotopia” e uma infindável dicotomia na legislação trabalhista
A CLT é um documento fascista?

 

O Justificando não cobra, cobrou, ou pretende cobrar dos seus leitores pelo acesso aos seus conteúdos, mas temos uma equipe e estrutura que precisa de recursos para se manter. Como uma forma de incentivar a produção de conteúdo crítico progressista e agradar o nosso público, nós criamos a Pandora, com cursos mensais por um preço super acessível (R$ 19,90/mês).

Assinando o plano +MaisJustificando, você tem acesso integral aos cursos Pandora e ainda incentiva a nossa redação a continuar fazendo a diferença na cobertura jornalística nacional.

[EU QUERO APOIAR +MaisJustificando]

Sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Anuncie

Apoiadores
Seja um apoiador

Aproximadamente 1.5 milhões de visualizações mensais e mais de 175 mil curtidas no Facebook.

CONTATO

Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP

[email protected]

Send this to a friend