Redução de danos é tema do segundo episódio da série do Justificando “Que Droga é essa?”
Sexta-feira, 8 de março de 2019

Redução de danos é tema do segundo episódio da série do Justificando “Que Droga é essa?”

Nesta sexta-feira, 8 de março, o Justificando lança o segundo episódio do Programa “Que droga é essa?”, dessa vez sobre redução de danos. A redução de danos é o que tem de mais novo e eficaz no mundo quando lidamos com as questões políticas envolvendo drogas. No geral, as práticas são de baixo custo, fáceis de implementar e têm um alto impacto na saúde individual e comunitária e por isto se tornaram referência em países como Canadá, Holanda, Portugal e França.

De acordo com a IHRA – (Associação Internacional de Redução de Danos), a redução de danos é um conjunto de políticas e práticas cujo objetivo é reduzir os danos associados ao uso de drogas psicoativas em pessoas que não podem ou não querem parar de usar drogas.

O primeiro episódio, intitulado “Explicando o que é droga para os seus pais” traz as definições acerca do que é uma droga, quais são os seus tipos, o que está por trás da criminalização de algumas e outros tópicos.

A iniciativa é um projeto do Justificando, cuja missão é ampliar o engajamento da população no debate e conscientização sobre o uso de drogas e políticas públicas, com uma narrativa antiproibicionista, pautada em estudos e ciência, contrastando com o usual sensacionalismo moralista da mídia convencional.

A série tem como uma das referências o sucesso holandês DrugsLab, mas diferentemente da gringa, a brasileira conta com uma densidade de conteúdo maior, servindo de material para leigos e estudiosos. Nessa primeira temporada, com 10 episódios, mergulhamos na história das substâncias mais utilizadas pela população, trazendo informações sobre suas descobertas, aplicações, efeitos, riscos e estratégias de cuidado.

Gabriel Pedroza, apresentador e roteirista da série, é psicólogo e trabalha diretamente com redução de danos. Foi também tutor de cursos EAD sobre drogas na USP voltados para operadores do direito como policiais, escrivães, advogados, entre outros.

Do ponto de vista da Redução de Danos, o “Que Droga É Essa?” foca em dar um panorama histórico, social e químico sobre as drogas ilegais e legais mais usadas pela população. Com uma pesquisa minuciosa de mais de um ano, a roteirização foi pensada com apoio de diversos especialistas e organismos que trabalham diariamente com a questão.

Para o editor do Justificando, produtor e entusiasta do projeto, André Zanardo, este programa se dispõe a qualificar o debate, mesmo que isto incomode os setores mais conservadores da sociedade. “O objetivo principal é informar a população e educá-la em relação aos entorpecentes, prevenindo riscos e quebrando estereótipos acerca destas substâncias. Mas é claro que você não encontrará no Justificando uma política proibicionista e punitivista, mas sim esclarecedora sobre os males e os benefícios que tais substâncias provocam na vida das pessoas. Sob a ótica social, fica claro logo no primeiro episódio que queremos levantar bandeiras de paz e decretar o fim da guerra às drogas.”

Já para o apresentador e roteirista, Pedroza, “vivemos hoje uma conjuntura política repressora, moralista, retrógada  e perigosamente conservadora. Ao mesmo tempo, temos projeto de Lei no Senado visando a descriminalização do cultivo da cannabis para uso próprio e a votação no STF que será retomada no segundo semestre de 2019, sobre a constitucionalidade do art. 28 (da Lei 11.343/06), sobre porte de drogas – o que decidirá a descriminalização, ou não, de diversas drogas no Brasil, que será um gamechanger. Por isto, 2019 será um ano denso e turbulento. Devemos aproveitar essa oportunidade para trabalhar com o caos e remodular o pensamento popular”.

Como funciona a redução de danos?

De acordo com a IHRA – (Associação Internacional de Redução de Danos), a redução de danos é um conjunto de políticas e práticas cujo objetivo é reduzir os danos associados ao uso de drogas psicoativas em pessoas que não podem ou não querem parar de usar drogas.

A redução de danos (RD) tem como compromisso garantir que as políticas e ações relativas às drogas sejam baseadas na mais forte evidência científica existente. No geral, ações de redução de danos são de baixo custo, fáceis de implementar e têm um alto impacto na saúde individual e comunitária e por isto se tornaram referência em países como Canadá, Holanda, Portugal e França. Por definição, a redução de danos foca na prevenção aos danos causados pelo uso, ao invés da punição do usuário de drogas; assim, estabelece um diálogo que abarca aqueles que não usam, aqueles que querem parar de usar, bem como as pessoas que seguem usando drogas.

Por isso, a RD complementa outras medidas que visam diminuir o consumo de drogas como um todo. É baseada na compreensão de que muitas pessoas, em diversos lugares do mundo, seguem usando drogas apesar dos esforços empreendidos para prevenir o início ou o uso contínuo do consumo de drogas. Redução de danos também aceita o fato de que muitas pessoas não conseguem ou não querem parar de usar drogas.

Para a instituição internacional, “o acesso a um tratamento adequado para o uso de drogas é importante para pessoas que têm problemas com as drogas, mas muita gente não tem acesso ou não consegue parar de usar. Além do mais, a maioria das pessoas que usam drogas não precisam de tratamento. Existe uma necessidade de prover pessoas que usam drogas com opções que minimizem os riscos de continuarem usando drogas e acabarem causado danos a eles próprios ou a outros. É portanto essencial a existência de informações, serviços e outras intervenções de redução de danos que ajudem as pessoas a se manterem seguras e saudáveis. Deixar as pessoas morrerem ou adoecerem por uma causa evitável não é uma opção. Muitas pessoas que usam drogas preferem utilizar maneiras informais e “não clínicas” para diminuir seu consumo de drogas ou pelo menos diminuir os riscos associados ao consumo.”

Os episódios da primeira temporada contam com gravação de Guilherme Rocha e assistência de Isabella Barboza. A curadoria gráfica e identidade visual foi realizada por Paula Macedo / Akuosa Solução. A edição é de responsabilidade da produtora audiovisual ‘Filmes de Rei’, com a edição e finalização de Renan Almeida.

 

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