Quais são as “coincidências” entre a família Bolsonaro, milícias cariocas e Marielle?
Quarta-feira, 13 de março de 2019

Quais são as “coincidências” entre a família Bolsonaro, milícias cariocas e Marielle?

No próximo dia 14, completa-se um ano da execução da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. A dois dias da data, na manhã desta terça-feira (12), policiais militares são presos Polícia Civil do Rio de Janeiro por suposto envolvimento nos assassinatos: o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46. E com os nomes, novas coincidências envolvendo milícias cariocas, Marielle e família Bolsonaro não param de vir à tona.

“Quem tem bom vizinho, dorme sossegado”

Ronnie Lessa é vizinho de Jair Bolsonaro, tem uma casa no mesmo condomínio que o presidente na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na mesma alameda.

Mais do que vizinhos

Nessa mesma terça-feira, o delegado responsável pela investigação do caso Marielle, Giniton Lages, disse que uma filha de Lessa já namorou um dos filhos de Bolsonaro. “Isso tem, mas isso, para nós, hoje, não importou na motivação delitiva. Isso vai ser enfrentado num momento oportuno. Não é importante para esse momento”, disse sem entrar em detalhes. Em entrevista coletiva a jornalistas nesta quarta-feira (13), Jair Bolsonaro afirmou que o filho Jair Renan Bolsonaro já namorou o condomínio inteiro e não se lembra se namorou a filha de Lessa. Bolsonaro afirmou também não se lembrar de ver Lessa no condomínio, lembrou que no local existem cerca de 50 casas e outros casos de moradores investigados. 

Os homenageados Adriano Magalhães da Nóbrega e Ronald Paulo Alves Pereira

Antes das prisões desta terça-feira, outros nomes haviam sido colocados pela investigação como suspeitos. Um deles é o do major da PM Ronald Paulo Alves Pereira grileiro nos bairros de Vargem Grande e Vargem Pequena e chefe da milícia de Muzema, localizada no bairro do Itanhangá, da onde partiu o carro utilizado pelos assassinos de Marielle. O outro é o chefe da milícia de Rio das Pedras e ex-policial do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega. O primeiro chegou a ser preso na Operação Intocáveis. O segundo está foragido.

Por indicação de Flávio Bolsonaro, em 2005, Nóbrega recebeu a mais alta honraria do Legislativo fluminense, a medalha Tiradentes e outras pelos serviços prestados à corporação e por trabalhar “direta e indiretamente em ações promotoras de segurança e tranquilidade para a sociedade”. Pereira não ficou para trás. Recebeu moção honrosa quando era investigado como um dos executores na cinco jovens, em 2003, também no Rio de Janeiro.

Queiroz está em Rio das Pedras

O Ministério Público descobriu que o seio dos milicianos presos na Operação Intocáveis se localiza na região de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Não por acaso, é para lá que foi o ex-PM e ex-assessor do senador eleito do PSL Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, esconder-se depois que sua movimentação financeira, no mínimo, suspeita, ganhou os noticiários do País.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras descobriu, em 2018, uma movimentação de R$ 7 milhões nas contas de Queiroz depositados por outros assessores de Flávio e Jair Bolsonaro. Na descoberta, Michelle Bolsonaro recebeu um cheque de R$ 24 mil de Queiroz. Flávio recebeu 48 depósitos de R$ 2 mil cada.

Segundo a Agência Pública, nas eleições de 2018, Flávio Bolsonaro foi o senador mais votado em Rio das Pedras, com 8.729 votos, 17% do total.

Família acima de tudo

Flávio Bolsonaro, além de empresas a esposa e filhas de Queiroz, também empregou a mãe e a esposa do ex-Bope Adriano Nóbrega Nóbrega. Raimunda Veras Magalhães, mãe deste último, também é citada pelo Coaf com movimentações financeiras suspeitas.

 

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Quarta-feira, 13 de março de 2019
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