A polêmica do Parque do Minhocão
Quinta-feira, 18 de abril de 2019

A polêmica do Parque do Minhocão

SP está em colapso com pontes e viadutos interditados: vamos utilizar uma edificação da mesma idade para fazer um parque sem avaliar sua estrutura e riscos?

Por Caio Miranda Carneiro

        

É incontestável a importância de áreas verdes e espaços públicos para o lazer da população nas grandes cidades. Entretanto, políticas de transformação urbana e um plano viário de mobilidade devem ser pensados com responsabilidade e tendo como preocupação central a segurança da população. Não é possível falar em criação do Parque do Minhocão, como foi anunciado pela prefeitura da cidade de São Paulo, sem refletir sobre os impactos sociais, econômicos, além dos urbanísticos e ambientais.

Estudos técnicos feitos pela própria Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) – entidade que controla o trânsito na cidade de São Paulo e que está subordinada ao poder público municipal – sobre o impacto da desativação total do Minhocão relatam que haverá um aumento da relação volume/capacidade no viário do entorno, ou seja, uma piora nos congestionamentos locais. Os volumes veiculares das vias serão aumentados em 5,4% a 169%. A conclusão dos especialistas mostra que se todo o volume da parte superior do elevado se transferisse para a parte inferior, somado ao volume existente no local ela não suportaria o carregamento restante.

Por essas e outras razões como, por exemplo, a inconstitucionalidade deste projeto, que a construção do parque do Minhocão da forma como está sendo concebida não pode ser considerada. Não existem laudos técnicos sobre a situação atual do Elevado, que é da década de 70, para provar que há condições de construção destas estruturas em cima do Elevado. A cidade de São Paulo está em colapso com pontes e viadutos interditados, então a pergunta que fazemos para o poder público é: vamos utilizar outra edificação da mesma idade e definir que vai ser construído um parque sem avaliar sua estrutura e os riscos? Esta deve ser a primeira resposta antes de propagandear uma construção ilusória para a população.

Há outras possibilidades para a recuperação do centro da cidade, em específico o Minhocão, e uma das alternativas já apresentadas e que está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara é o projeto de Desmonte que autoriza, após a realização de estudos ambientais e de tráfego adequados, que o Minhocão seja desmontado e que seja realizado um projeto de revitalização das áreas no entorno, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população local sem causar prejuízos para o restante da cidade.

Constantemente é feita a comparação do Parque do Minhocão com o High Line, um parque suspenso localizado na cidade de Nova York. Este é um paralelo marqueteiro e que não condiz com a realidade. Lembrando que o High Line não era um viaduto, era uma via que levava por trilhos cargas até o centro da cidade e que estava completamente abandonada, nunca passaram automóveis por esta estrutura e o Minhocão é uma artéria viária. Ou seja, não são estruturas compatíveis para serem utilizadas como sinônimos.

A sociedade civil deve estar organizada e é fundamental que haja um debate democrático entre todas as partes envolvidas antes que decisões deste porte sejam tomadas arbitrariamente sem que haja um levantamento sobre como este projeto deve ser executado e de que forma a segurança de toda a população estará garantida!

Caio Miranda Carneiro é advogado e vereador pela cidade de São Paulo.

 

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