Silenciar a filosofia é silenciar a democracia
Segunda-feira, 29 de abril de 2019

Silenciar a filosofia é silenciar a democracia

A criação de explicação para os fenômenos, para acontecimentos sociais, permite ao indivíduo uma compreensão da realidade: compreendendo-a pode agir sobre ela.

É a partir da perspectiva conceitual de algo que se procura justificar uma crença, uma explicação racional da realidade. Diferentes perspectivas sobre a igualdade, por exemplo, terão como resultado diferentes condutas, atos e compreensão da realidade.

Dito de outro modo, da construção subjetiva do mundo – alicerçada em crenças, códigos e normas – surge os motivos para as mais diversas condutas dos indivíduos.

Dessa construção subjetiva, emergem na sociedade grupos de pessoas que não comungam – não pensam – o mesmo mundo. Consequentemente: concepções diferentes de realidade convivem e colidem, já que ordens, regras, códigos e padrões de conduta valorados e percebidos como moralmente bom para certos grupos de pessoas, não o é para o outro.

Diante disso e dos diversos conceitos que transitam na sociedade propondo condutas diversas e compreensões diferentes da realidade, emerge a importância da filosofia: o seu aspecto questionador.

A filosofia não se contenta com conceitos existentes na sociedade por força da moral, da política e da religião. Pelo contrário, a filosofia parte da crítica desses conceitos e da criação de novos – não na busca de um conceito inabalável, mas ambicionando uma reflexão que resulte em crítica e construção da realidade: esta sempre provisória.

Em outras palavras, a filosofia vislumbra a existência de diversos conceitos com base em valores diferentes. Respeitá-los, criticá-los e defendê-los por meio do diálogo e do debate argumentativo é premissa básica de uma democracia.

Portanto, querer silenciar a filosofia: é silenciar as crenças e conceitos sobre a realidade; é silenciar quem concebe o mundo de outra forma; é silenciar a existência do outro e a liberdade dele em construir pelo livre pensar conceitos sobre a realidade; é silenciar a democracia.

 

Felipe Alberti é bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR); Licenciado em Letras Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

 

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