Que comece a balbúrdia nas universidades
Segunda-feira, 6 de maio de 2019

Que comece a balbúrdia nas universidades

Somos as melhores Universidades deste País e sempre aparecemos no topo dos Rankings internacionais que mapeiam as Universidades da América Latina e do Mundo

Por João Victor Ferreira

 

Confesso que tenho diversas dúvidas quando o assunto é o governo Bolsonaro. Mas existe uma questão específica que me inquieta no presente momento: qual é o problema com as Universidades Federais, sobretudo, com a Universidade de Brasília (UnB)?

Contextualizando, o Ministro da Educação de Jair, Abraham Weintraub, anunciou no último dia 30 de abril o corte de 30% da verba de 3 (três) Universidades Públicas: UnB, UFF e UFBA, sob alegação de que estas estão promovendo ‘Balbúrdia’.

Dias depois, o ministro ampliou o ataque para todas as universidades e, em seguida, para todo o ensino brasileiro, anunciando  um corte de 7,3 bilhões de reais na educação do nosso país. O corte inclui verbas para a construção de escolas, ensino técnico, bolsas de pesquisa, transporte escolar, além do custeio das universidades federais (água, luz, pagamento dos professores, funcionários etc). O governo não deu maiores explicações do por que tal corte seria necessário ou de quais foram os critérios adotados para se chegar a tais números. Assim, vamos nos ater à justificativa apresentada: ‘Balbúrdia’.

Existem, ao menos, 2 (duas) incoerências na fala do Governo: a primeira é de que o termo ‘balbúrdia’ não pode ser usado para generalizar as Universidades Federais e os Institutos Federais de ensino, pois o seu aceite significaria resumir nosso papel a um contexto de desordem e confusão.

Pelo contrário, aqui fazemos ciência e produzimos o conhecimento com a pretensão de torná-lo mais democrático e acessível aos desprestigiados. Somos as melhores Universidades deste País e sempre aparecemos na parte de cima dos Rankings internacionais que mapeiam as Universidades da América Latina e do Mundo.

Exportamos talentos para que cumpram com a sua função de auxiliar no desenvolvimento consciente e sustentável do planeta e para que disseminem por aí as vivências e experiências construídas nos corredores, nas salas, nos laboratórios, nas extensões, nos momentos de vivência e de aprendizado da Universidade.

Criamos mentes astutas e atentas, prontas para criticar, analisar, desconstruir e reconstruir modelos de projeto de País e, sobretudo, para identificar que o giro civilizatório promovido pelo novo Governo tem destinatário final certo e determinado: os Bolsonaristas irresignados com a crescente democratização do espaço Universitário e dos impactos sociais que as políticas distributivas e de assistência afirmativa começaram a produzir.

A segunda incoerência é de ordem semântica: ‘balbúrdia’ também é ato de resistência e de irresignação. A UnB balburdiou, no último dia 25.04, junto com o candidato derrotado à Presidência Fernando Haddad para pensar novos/diversos caminhos para o nosso País. Não coincidentemente, menos de 1 (uma) semana depois emerge o ato unilateral do Governo Federal de realizar uma espécie de caça às bruxas moderna com o corte substancial da receita.

Mas, como dito, ‘balbúrdia’ é ato de resistência. E estaremos sempre aqui, vigilantes e atentos. Sempre denunciando e resistindo ao processo de sucateamento e de retrocesso no projeto político de educação. Fortes e sólidos contra as tentativas de desmonte e de precarização.

A ‘balbúrdia’ será na UnB, na UFF, na UFBA, no Congresso Nacional, no Palácio no Planalto, em todos os cantos desse País que clama por mudança; e será promovida por cada jovem, adulto ou criança, por aqueles movidos pelo espírito da resistência e que sempre serão nossas partículas de esperança.

Por isso eu digo: Que comece a balbúrdia!

João Victor Ferreira é estudante de Direito da Universidade de Brasília – UnB.

 

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