A insana perseguição política do governo Bolsonaro é nova forma de censura
Terça-feira, 20 de agosto de 2019

A insana perseguição política do governo Bolsonaro é nova forma de censura

Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Por Frederico Rochaferreira

 

A perseguição política e ideológica do governo Bolsonaro é uma realidade sem surpresas. Ainda candidato, Jair Bolsonaro anunciava que se eleito, implantaria uma perseguição semelhante à ditadura, isto é, aquele ou aquela que pensar diferente deve ir “para fora do país ou para a cadeia”.

 

 

E foi exatamente o que fez  o deputado federal oposicionista Jean Wyllys, depois que Bolsonaro venceu as eleições. Diante das ameaças de morte que se intensificaram depois do resultado das eleições, Jean abriu mão do mandato e deixou o país, simbolizando os anos de chumbo que o Brasil viveu sob o regime militar. 

 

A fúria ideológica de Jair Bolsonaro começou ainda em novembro de 2018, quando atacou violentamente o programa cubano Mais Médicos, levantando suspeitas sobre a formação dos profissionais de saúde de Cuba, dizendo que o programa servia tão somente para “alimentar a ditadura cubana”. Face aos ataques e a ameaça de extinção do programa, o governo de  Cuba, encerrou as atividades no Brasil, iniciada em 2013 e que já havia atendido mais de 63 milhões de brasileiros carentes, em locais distantes, onde os nossos médicos se recusam a ir.

 

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Em nota, o governo cubano disse: “Não é aceitável que se questionem a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, prestam atualmente serviços em 67 países. Em 55 anos, foram cumpridas 600 mil missões internacionais em 164 nações, das quais participaram mais de 400 mil trabalhadores de saúde”.

 

Na área da Educação, Bolsonaro promoveu uma cruzada contra as universidades federais promovendo cortes de verbas, reduzindo investimentos nas áreas de humanidades, expurgando reitores cujo pensamento não fosse de extrema direita e diante de intensos protestos de estudantes e professores, chamou-os de “idiotas úteis”.

 

No Banco do Brasil, uma empresa de economia mista, Bolsonaro interveio mandando demitir o diretor de marketing da instituição, furioso com uma peça publicitária que tinha a participação de atores negros e uma atriz transexual, do mesmo modo que no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ordenou a troca de comando do órgão em função da investigação contra seu filho Flávio Bolsonaro, que foi apanhado num esquema de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio.

 

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Agindo sem escrúpulos e sem freio contra todos e tudo que de alguma forma o contradiz ou o contraria, Bolsonaro mandou demitir o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, (INPE) 9, pela divulgação de dados que apontavam uma devastação da floresta amazônica em julho, 278% maior que o registrado no mesmo mês de 2018.

 

Outra vítima de Bolsonaro foi o coordenador do projeto de  preservação de golfinhos no arquipélago de Fernando de Noronha, que há 30 anos zelava pela preservação da ilha e passou a ser uma pedra no sapato do Presidente e dos grandes empresários, que querem abrir a ilha ao turismo pondo em risco aquele paraíso, assim, o coordenador foi sumariamente destituído do cargo.

 

Nem mesmo o presidente da ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, que não compartilha com suas ideias, escapou. Primeiro, Bolsonaro atacou a memória de seu pai, morto durante a ditadura militar, já que ele (Bolsonaro) entende que os torturados e mortos na luta contra a ditadura militar, não são vítimas, são terroristas,  depois  mandou a Petrobras encerrar um contrato que a estatal tinha com o escritório de advocacia de Santa Cruz.

 

Outra prática de perseguição política explícita, ocorreu na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, uma das grandes estatais brasileiras. Ali foi realizado um levantamento para identificar funcionários filiados a partidos políticos de oposição, sob as ordens do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, o mesmo que sob as ordens de Bolsonaro, demitiu o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que divulgou dados sobre o desmatamento da Amazônia e a mais recente vítima foi o deputado Alexandre Frota, um dos mais dedicados cabos eleitorais da campanha de Bolsonaro, expulso do PSL,  na última terça-feira, (13) por se posicionar contra determinadas ações do governo.14

 

 

Frederico Rochaferreira escritor, especialista em Reabilitação pelo Hospital Albert Einstein, membro da Oxford Philosophical Society

 


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