Governo se inspira em estratégias de Schopenhauer para manipular discursos
Quinta-feira, 5 de março de 2020

Governo se inspira em estratégias de Schopenhauer para manipular discursos

Imagem: Fotógrafo/Agência

 

Por Alberto Lopes da Rosa

 

São muitas as críticas que podem ser feitas ao governo Bolsonaro e elencar aqui todas seria uma tarefa hercúlea. Qualquer pessoa progressista discorda de uma grande parcela das ações políticas empreendidas pela gestão atual. Apesar de ser um governo que foi eleito sem apresentar um projeto de país e que hoje, após mais de um ano de mandato, ainda não o apresentou, resta evidente que há um plano de poder em curso a todo vapor, o qual se fortalece por meio de uma ‘estratégia da encolerização’. 

 

 

De acordo com o dicionário digital Caldas Aulete[1], a cólera é o “sentimento violento de alguém em reação ao que o revolta, ofende, prejudica, indigna”. Trata-se de um sentimento decorrente da lei da ação e reação e que surge a partir de uma ação, ou seja, toda ação leva a uma reação. O caso aqui analisado é uma ação política, que pode ser tanto um discurso quanto um ato propriamente dito, manifestando-se principalmente por meio de discursos que expressam ideias sectárias, intolerantes. 

 

O intuito destes discursos parece ser justamente provocar revolta e indignação nos cidadãos mais progressistas, ou seja, naqueles cidadãos que defendem uma sociedade plural, assentada em valores como a liberdade, a igualdade e a solidariedade e que acreditam ser a educação libertadora e de qualidade o principal instrumento para o desenvolvimento socioeconômico do país.  

 

Essas ações têm por objetivo manter a bipolarização política que se estabeleceu no país nos últimos anos e cujo marco histórico inicial foi o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef. Embora as próprias eleições de 2014 já indicassem a existência de uma intensa bipolarização política, foi o processo que culminou no impedimento da continuidade do mandato da presidente eleita que consolidou a lógica do conflito – o nós contra eles.  

 

No fenômeno da bipolarização há apenas dois lados que estão sempre em polos opostos e por essa lógica de conflito questões políticas complexas são debatidas como se fosse um jogo de futebol, quem torce pro time A defende intransigentemente seu time e quem torce para o time B faz o mesmo em relação ao seu time, estabelecendo-se uma verdadeira rixa entre um e outro, de um lado coxinhas/bolsominions e de outro lado petralhas/esquerdistas. Em resumo, por meio da lógica bipolar ou você está comigo ou está contra mim, não há meio termo. 

 

O problema é que a política é bem diferente do futebol e seguir essa lógica faz com que haja um total esvaziamento da esfera pública. A pluralidade de ideias, valor maior da democracia e que representa a riqueza maior do debate político, acaba sendo reduzida a esta bipolaridade conflitiva, o que acaba por aniquilar o debate de ideias. 

 

Esta bipolaridade conflitiva é marcada por uma total falta de respeito ao outro, ambientes onde deveriam vigorar o respeito à opinião do outro passam a ser uma verdadeira arena de conflito. A transmissão da votação do impeachment na Câmara dos Deputados revelou a toda a população um cenário caótico, a regra do decoro parlamentar parecia ter sido revogada e, ao invés de estar atônita com esse fato, a população, vivendo em um estado de bipolaridade conflitiva, torcia como se fosse uma final de campeonato, de um lado os coxinhas e do outro os petralhas. 

 

O comportamento dos representantes eleitos televisionado serviu para desqualificar a importância da atividade política e fortaleceu ainda mais a bipolaridade conflitiva. Ao invés de prevalecer o debate de ideias, o que se viu foram discursos que, em grande parte, eram inflamados ataques pessoais ao adversário.    

 

Tal situação parece seguir alguns dos estratagemas apresentados pelo filósofo Arthur Schopenhauer na obra Como vencer um debate sem precisar ter razão. Nesta obra o autor apresenta 38 (trinta e oito) estratagemas dialéticos[2] que correspondem a artimanhas utilizadas por debatedores capciosos que, na impossibilidade de vencer o debate por meio de objeções substanciais aos argumentos do adversário, buscam apenas desmoralizá-lo e confundem a plateia, fazendo com que o verdadeiro pareça falso e o falso pareça verdadeiro.[3]

 

A combinação do oitavo com o trigésimo oitavo estratagemas parece ser a chave para a compreensão do momento que se vive no país desde o início do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef. 

 

O oitavo estratagema é a encolerização do adversário: “provoca-se a cólera do adversário, para que, em sua fúria, ele não seja capaz de raciocinar corretamente e perceber sua própria vantagem”, o que pode ser feito por meio da prática de alguma injustiça para com o adversário, um tratamento insolente ou causando-lhe algum vexamento[4]. Este último ato, inclusive, tem relação com o trigésimo oitavo estratagema que é desferir ofensas pessoais ao adversário, a partir do momento em que se percebe que se está a perder o debate: “O uso das ofensas pessoais consiste em sair do objeto da discussão (já que a partida está perdida) e passar ao contendor, atacando, de uma maneira ou de outra, a sua pessoa[5]”.  

 

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Termos como coxinha, bolsominion, petralha e esquerdista podem hoje ser considerados xingamentos no Brasil e o fato mais curioso é que quando se vê a utilização destes termos no dia-a-dia nota-se que não há uma definição muito clara do que cada um representa. Com exceção do termo esquerdista, nenhum dos demais termos é utilizado pelo próprio indivíduo para se autoqualificar, sendo geralmente utilizados como meio de ofender e desqualificar aquele que pensa determinada questão política de modo diferente.

 

Embora não haja um conceito claro destes termos, há uma função cada vez mais clara, qual seja, a manutenção da bipolaridade conflitiva. Tais termos funcionam para segregar e impedir o diálogo aberto de ideias, se eu sou coxinha não converso com petralhas e vice-versa. Ao reduzir o cenário político a um ambiente bipolar, marcado especialmente por ataques pessoais, esvazia-se completamente a importância da política e a vitória de um candidato que não apresentou um projeto de país é a demonstração de que o debate foi vencido por meio do trigésimo oitavo estratagema de Schopenhauer. 

 

Acontece que, mesmo após sagrar-se vencedor nas eleições, a utilização dos estratagemas continua, porém, funciona agora sistemicamente. É justamente essa utilização sistêmica do oitavo e/ou do trigésimo oitavo estratagema que se denomina aqui como estratégia de encolerização.

 

Tanto o atual mandatário como alguns de seus ministros proferem discursos e pronunciamentos com frases de efeito, cujo intuito é claramente provocar a ira dos progressistas. Talvez o momento atual venha a ser considerado como o de maior retrocesso em termos de discurso político na história do país, pois na utilização dessa estratégia de encolerização produz-se discursos com frases de efeito em uma quantidade absurda.

 

Na era da informação as notícias são veiculadas em tempo real e por meio da estratégia de encolerização que é a principal estratégia do plano de poder em curso, o governo bombardeia a população com frases de efeito que desviam a atenção da ala progressista dos pontos que são realmente importantes para a discussão. 

 

Por se dar de uma maneira sistêmica buscar-se-á aqui destacar os fatos que comprovam tanto o funcionamento quanto o sucesso desta estratégia.

 

O primeiro fato são os ataques constantes que o presidente faz à imprensa. Em levantamento feito pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgado no início de fevereiro, ao longo de 2019 o presidente Jair Bolsonaro fez 116 (cento e dezesseis) declarações contra a imprensa, sendo 105 tentativas de descredibilização do setor e 11 ataques a jornalistas, uma média de um ataque a cada 3,14 dias.

 

O massivo ataque à imprensa é a maneira de fazer com que seus apoiadores deixem de dar valor às informações veiculadas nos meios de comunicação, convencendo-os de que está sofrendo uma perseguição. Com isso, quando as frases de efeito são divulgadas pelos veículos de comunicação, seus apoiadores não dão a devida importância, pois acreditam que estes canais estão perseguindo o presidente, buscando atrapalhar a gestão. Para Bolsonaro e seus apoiadores os erros cometidos pelo governo são sempre culpa do outro e não de sua inaptidão política.

 

O segundo ponto a garantir o sucesso da estratégia da encolerização é a adoção da incoerência como regra para o esvaziamento das instituições. Eleito com o discurso de combate à corrupção, na primeira oportunidade que teve Bolsonaro tentou praticar o nepotismo, que também é uma forma de corrupção, pela qual o agente público se vale de sua posição para nomear parentes para cargos públicos.

 

Após a primeira visita oficial aos Estados Unidos, o presidente Bolsonaro manifestou publicamente o interesse de nomear o seu filho, Eduardo Bolsonaro, ao cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Sobre as qualificações que o filho teria para o exercício do cargo, Bolsonaro declarou, em cerimônia no Palácio do Planalto no dia 16 de julho de 2019, que ele “fala inglês, espanhol e frita hambúrguer também”. O fritar hambúrguer como qualificação ao cargo de embaixador, decorre de fala do próprio Eduardo Bolsonaro que em entrevista coletiva em frente ao Palácio do Itamaraty declarou que a sua indicação não surgia do nada: “Sou presidente da Comissão de Relações Exteriores (da Câmara), já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos”, afirmou o deputado. 

 

Embora a nomeação não tenha ocorrido, a chacota já estava pronta e, provavelmente, o objetivo foi justamente este. Bolsonaro sabia que a efetivação desta nomeação seria um tiro no pé, tanto dele quanto no de seu filho. Mas afinal, o que isso representa em termos das demais nomeações políticas? 

 

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Isso leva ao terceiro ponto que é a nomeação política de agentes desqualificados e/ou despreparados para o exercício de determinados cargos. Ao cogitar tal nomeação para o cargo de embaixador naquela que é a embaixada geralmente ocupada por diplomatas no topo da carreira, o sinal que foi passado é o de que a qualificação e o preparo pouco importam para ocupar uma posição em cargo público.

 

Em verdade, Bolsonaro já havia feito nomeações de pessoas despreparadas para o cargo, o próprio ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi uma nomeação bastante questionável, vista como uma quebra de hierarquia sem precedentes no Itamaraty. Para um presidente que se vangloria de sua carreira militar, quebrar a regra de hierarquia é de uma enorme incoerência, pois se tem algo que um militar aprende desde o início de sua carreira é o respeito à hierarquia. Ou seja, este é um caso em que a incoerência como regra e a nomeação de agentes inaptos na verdade se mesclam. 

 

Poder-se-ia aqui dar exemplos de nomeações de outros agentes inaptos ao exercício do cargo que ocupam, contudo, é preciso avançar para o quarto e último ponto que é a pulverização dos discursos que adotam a estratégia da encolerização, isto é, como estratégia de governo os pronunciamentos não são apenas feitos pelo presidente, mas também por seus ministros.

 

Vale aqui destacar pronunciamentos de três ministros que parecem ter se alternado na função de provocar a ira dos progressistas.

 

O primeiro caso é o da ministra titular do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Embora o episódio não tenha sido um pronunciamento oficial, mas um vídeo divulgado na internet de uma fala que a ministra teria feito logo após a cerimônia de posse do presidente Jair Bolsonaro, quando disse: Menino veste azul, menina veste rosa. O vídeo gerou grande polêmica e manifestações de diversas pessoas tanto favoráveis quanto contrários. 

 

Deixando os progressistas em polvorosa a repercussão do vídeo parece ter confirmado qual deveria ser a estratégia a ser adotada pelo governo para lidar com aqueles que discordam dos posicionamentos conservadores. A ministra que ocupa a pasta de direitos humanos mostra um posicionamento bem distante do que são efetivamente os direitos humanos, a desqualificação para a ocupação da pasta é demonstrada desde os primeiros dias do governo.

 

O segundo caso é de um ministro que coleciona pérolas. Dado o seu total despreparo para o exercício do cargo que ocupa, Abraham Weintraub, ministro da Educação, tem prestado um enorme desserviço à educação brasileira. 

 

De acordo com as informações contidas em seu currículo lattes, atualizado pela última vez em 7 de março de 2017, o ministro é economista formado pela USP em 1994 e mestre em administração pela FGV em 2013. Conforme descrito em sua biografia, dedicou a maior parte de sua carreira ao mercado financeiro e o único vínculo com a educação é o de professor da UNIFESP, iniciado em 2014. De acordo com as informações do currículo, orientou apenas uma aluna em trabalho de conclusão de curso de graduação em ciências contábeis cujo tema foi fundos de previdência privados. Não ocupou cargos administrativos e/ou de gestão nesta universidade e tampouco publicou artigo sobre educação.

 

O ministro afirmou ao jornal O Estado de São Paulo em 30 de abril de 2019 que “o Ministério da Educação (MEC) vai cortar recursos de universidades que não apresentarem desempenho acadêmico esperado e, ao mesmo tempo, estiverem promovendo ‘balbúrdia’ em seus câmpus (sic). Três universidades já foram enquadradas nesses critérios e tiveram repasses reduzidos: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), disse”.

 

Em relação ao ensino superior, Weintraub já emitiu várias declarações em que deixa evidente seu menosprezo pelos cursos das áreas de humanas, em transmissão realizada por meio do Facebook ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou apoiar a proposta de seu ministro de reduzir investimentos em cursos de filosofia para priorizar áreas que, na visão deles, “geram retorno de fato”, como “enfermagem, veterinária, engenharia e medicina”.

 

Declarações como essas revelam a incompetência do ministro para gerir área cujo retorno do investimento é em longo prazo. Talvez seja sua experiência no mercado financeiro que o incapacite para lidar com o longo prazo. Como é sabido, no mercado financeiro busca-se especialmente retorno a curto prazo, é uma área que trabalha com a especulação e, por isso, o dinamismo e a velocidade são importantes. Contudo, este não é o caso da educação. A educação é uma área de construção, de formação do indivíduo, o que leva anos. Um projeto nacional de educação elaborado por alguém que parece apenas entender a lógica da especulação é jogar o futuro do país no lixo. 

 

De toda forma, é importante aqui destacar que, em relação à utilização da estratégia da encolerização, Weintraub é um dos que tem se saído melhor, pois tem se mostrado como a incoerência em pessoa, como bem apontado em matéria publicada no Jornal do Campus da USP, “O ministro é contraditório: sugeriu que os estudantes “foquem na técnica de escrever, na interpretação de texto, foquem muito em matemática, ciência, e realmente, no aspecto que a gente quer desenvolver, o conhecimento científico e na capacidade de desenvolver novas habilidades”. Ele esqueceu que ler e escrever são habilidades ensinadas por professores formados em ciências humanas, que ele desconsidera

 

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O terceiro e último caso é de um ministro que, apesar de ter qualificações que o habilitariam ao exercício do cargo, não demonstra ter habilidade política, na medida em que emite declarações de cunho bastante preconceituoso, demonstrando seu total desprezo aos mais pobres. Trata-se do ministro da Economia, Paulo Guedes.  

 

A nomeação de um liberal para a pasta era esperada, pois apesar de conservador nos costumes, no âmbito econômico Jair Bolsonaro sempre demonstrou que adotaria a linha liberal. Graduado em economia pela UFMG e com mestrado e doutorado na Universidade de Chicago, uma das principais escolas de tradição econômica liberal do mundo. Também foi professor de macroeconomia da PUC-Rio, da FGV e do IMPA, todas no Rio de Janeiro e durante a ditadura o governo Pinochet, foi professor em tempo integral na Universidade do Chile. Além disso, na década de 80, Paulo Guedes foi diretor-técnico e professor do IBMEC. Além da experiência acadêmica, o ministro tem vasta experiência no mercado financeiro, fundador e sócio majoritário do grupo financeiro BR Investimentos e é um dos quatro fundadores do Banco Pactual. 

 

É inegável que Paulo Guedes tem uma ótima qualificação, contudo, sua vocação política torna-se questionável, especialmente em virtude de duas declarações dadas nos últimos dias – a comparação do servidor público a um parasita e criticar que com o dólar baixo (no valor de R$ 1,80), as domésticas estariam indo à Disney. 

 

Foram declarações bastante infelizes para alguém que possui a qualificação que ele possui, falas que não se admitem de um ministro de um Estado Democrático. Por essa razão, parece que Paulo Guedes decidiu se valer da estratégia da encolerização para, com frases de efeito, causar a ira dos progressistas e desviar o foco das questões que efetivamente deveriam ser debatidas.

 

Para defender a reforma administrativa do Estado, em palestra no dia 7 de fevereiro de 2020, Guedes afirmou o seguinte: “O governo está quebrado. Gasta 90% da receita toda com salário e é obrigado a dar aumento de salário. O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo, o hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático, não dá mais”.

 

Neste caso, é clara a utilização do oitavo estratagema de Schopenhauer, acima mencionado. Os servidores públicos são o principal adversário de Guedes em sua reforma administrativa e ao encolerizá-los por meio de sua fala consegue desviar a atenção dos temas que deveriam ser os primeiros a serem abordados em uma reforma administrativa séria, como os super salários e os vários penduricalhos que são  pagos àqueles que ocupam o andar de cima, ou seja, os cargos mais altos da Administração Pública.

 

Por mais que uma reforma administrativa seja necessária, a fala de um homem público não pode fazer uma generalização tão absurda, pois a grande parte do funcionalismo se esforça bastante, inclusive tendo que muitas das vezes trabalhar em condições precárias.

 

De todos os exemplos aqui mencionados, é possível verificar que a estratégia de encolerização do governo está a todo o vapor. Valendo-se especialmente da facilidade de divulgação por meio dos instrumentos digitais que possibilitam a divulgação em massa e instantânea dessas falas, o presidente e seus ministros conseguem manter os progressistas em um estado constante de perplexidade que não permite que estes consigam raciocinar com o devido cuidado as medidas que são efetivamente implementadas pelo governo. A estratégia de encolerização funciona como uma névoa, encobrindo as questões que, de fato, importam. Grande parte dessas falas não são discursos oficiais, mas falas em eventos privados ou mesmo por meio de redes sociais online, pois é necessário o bombardeamento e a produção em massa de falas que provoquem o estado de cólera que impede os cidadãos progressistas de raciocinar. 

 

Somente a partir da exata compreensão desta estratégia, será possível contra-atacar. É imprescindível pensar em uma nova tática. Um possível começo talvez seja dar menos importância, especialmente quando são falas em ambientes privados ou em redes sociais. Enquanto houver plateia o “show” irá continuar e, com isso, a tendência será a de um futuro nada promissor. 

 

 

Alberto Lopes da Rosa é brasileiro e nacionalista. Mestre em Direito (UERJ) e bacharel em Direito pela Faculdade Nacional de Direito (UFRJ). Advogado.


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Notas:

[1] http://www.aulete.com.br/c%C3%B3lera

[2] O estratagema dialético é um ato astucioso, uma armadilha utilizada com o objetivo de vencer um debate.

[3] SCHOPENHAUER, Arthur. Como vencer um debate sem precisar ter razão. Trad. Daniela Caldas e Olavo de Carvalho. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997, p. 23.

[4] Idem, p. 140.

[5] Idem, pp. 180-181.

Quinta-feira, 5 de março de 2020
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