Coronavírus e a condição humana
Sexta-feira, 20 de março de 2020

Coronavírus e a condição humana

Imagem: Fernanda Cruz / Agência Brasil

 

Por Marcos Almir Almeida De Souza

 

As revoluções que o mundo passou historicamente gerou um mundo mais funcional e conectado, as variadas redes transmitem informações em questão de segundos. O ser humano alcança qualquer área da superfície terrestre por meio de satélites, qualquer pessoa com internet e um celular consegue acessar determinado local através de alguns cliques. É de se admirar as construções que os seres humanos fizeram e fazem na Terra, todavia devemos refletir se realmente “a natureza propõe, o homem dispõe” (CLAVAL, 1987).

 

 

O antropocentrismo é um tema ainda consideravelmente discutível, o ser humano tem poder sobre qualquer animal na natureza, pois desenvolveu ferramentas remotas. E assim o mundo torna-se hierarquizado, com o ser humano no topo… De repente o contexto contemporâneo global se altera, uma doença regional passa a ser nacional e em questão de horas torna-se mundial.

 

O primeiro país a sofrer com o COVID-19, a China, contabilizou em determinado momento aproximadamente 81.000 pessoas infectadas, com o números de mortes sendo 3.217. O número de morte é bastante pequeno considerando a população chinesa 1,386 bilhão (2017) e a própria taxa de mortalidade 7,7 mortes/1.000 habitantes¹. Porém a grande preocupação do vírus é o potencial contágio que o vírus causa, em 12 dias a China construiu 11 hospitais para infectados do Coronavírus.

 

Em países como o Brasil é um completo devaneio haver a construção de prédios em tão pouco tempo. Além do Brasil, há diversos países que também não suscitam recursos e mão de obra especializada para construção rápida e firme de hospitais em um período curto de tempo, países estes que estão com suspeitas e casos de infecções em seus próprios territórios. 

 

A China conseguiu conter a propagação do vírus, porém em escala global o cenário é bastante diferente, o número de contágios ultrapassam 180 mil em todo mundo, enquanto os de morte chegam a mais de 7 mil. Como os números crescem em ordem geométrica, esses números tendem a aumentar expressivamente.

 

O ser humano nessas situações tende a se isolar e proteger, pois o inimigo é invisível, inimigo que só pode ser vencido pela ciência. Como é uma doença recente, a ciência evita tirar conclusões precipitadas, apesar de que sabemos que os idosos, pessoas com deficiências respiratórias, com pressão alta e com diabetes sofrem mais riscos. No Brasil a primeira vítima fatal foi um homem de 62 anos que tinha diabetes, hipertensão e hiperplasia prostática.

 

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Essa pandemia está longe de ter sido a primeira crise viral mundial e com toda certeza não será a última. A preocupação não é tão grande em grande parte das pessoas residentes no Brasil, isso pode ser revertido nos próximos dias com o aumento dos casos.

 

O ser humano suportou inúmeras crises ao decorrer da história, sobrevivendo em todas elas. A maioria das hipóteses sobre o fim da vida humana na Terra nos filmes e documentários aludem à destruição por meteoros, aquecimento global, guerras, bombas nucleares, etc. Os que se referem a vírus geralmente assimilam a um apocalipse zumbi.

 

A principal reflexão deste artigo é “e se o vírus matasse qualquer pessoa que a contraísse?”, como reagiríamos? Será se somos realmente forte? Nós nos trancaríamos em casa? Evitaríamos contato social? Nos entregaríamos à morte? Conheceríamos o real desespero humano? Por fim, seria “o fim da aventura humana na Terra?”.

 

Se o vírus fosse letal, a busca e escassez por alimento causaria conflitos por comidas, o colapso econômico seria iminente, o isolacionismo prevaleceria, haveria a descentralização dos grandes polos urbanos, o imediatismo de haver esse êxodo urbano poderia causar contaminações no próprio deslocamento do indivíduo. 

 

Certamente configuração urbana e rural se alteraria abruptamente, a estrutura social tornaria consideravelmente virtual, o modo de produção, o consumo, as taxas de mortalidades e natalidades, os empregos, os relacionamentos, a educação escolar, o fornecimento de bens em geral, o mundo como um todo sofreria alterações significativas.

 

Portanto, sabemos que essa é apenas uma hipótese, mas são pautas que devem ser debatidas de diversos pontos de vista, principalmente o filosófico. Além das reflexões sobre a pandemia, nos resta agir com as práticas corretas para conter o vírus. 

 

 

Marcos Almir Almeida De Souza é Professor de Geografia para Ensino Fundamental ou Médio


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Notas:

[1] CLAVAL,‌ ‌Paul.‌ ‌Geografia‌ ‌Humana‌ ‌e‌ ‌Econômica‌ ‌comtemporânea.‌ ‌Madrid:‌ ‌Akal,‌ ‌1987,‌ ‌p‌ ‌73.‌ ‌2016-‌ ‌CIA‌ ‌World‌ ‌Factbook‌

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