10 medidas contra COVID-19 que deveriam fazer parte da solução dos nossos governantes
Quarta-feira, 29 de abril de 2020

10 medidas contra COVID-19 que deveriam fazer parte da solução dos nossos governantes

Imagem: João Dória / Governo de São Paulo

 

Por Martel Alexandre Del Colle

 

A pandemia é muito perigosa, ninguém duvida mais disso. Porém, se pararmos a economia muitas mortes ocorrerão devido a fome gerada pela falta de produção e desemprego, certo? Errado.

 

A redução na produção e na circulação bens será um problema global e não existe solução fácil. Não é possível colocar a economia monetária no mesmo patamar da economia das relações, da economia das vidas.

 

Também é terrivelmente desumano afirmar que certos grupos morrerão de qualquer jeito e, por isso, devem ser ignorados. Imagine uma criança que tem um problema de saúde que exige uma intervenção cirúrgica caríssima para que ela tenha mais chances de uma vida saudável. Você acha que isso é um gasto desnecessário? Qual a diferença disso para a ideia nazista de que aqueles que apresentam alguma deficiência devem ser sacrificados, castrados? Antes de jogar um jogo é preciso definir as regras. O objetivo é a sobrevivência dos mais fortes? Existe um tempo de vida que depois de alcançado autoriza o descarte de uma pessoa? Na falta de unidades de tratamento intensivo, devemos salvar um empresário antes de um trabalhador?

 

A regra do jogo é que todos somos humanos e devemos ter o tratamento adequado. A grande justificativa para o sistema capitalista é que ele proporcionou às pessoas uma maior qualidade de vida. Dado bastante questionável, mas se o tomarmos por verdadeiro, então está na hora de o capitalismo brilhar. Está na hora de ele mostrar que consegue lidar com uma crise resultando no menor impacto possível.

 

O governo federal, os empresários sem cabeça e outros têm pressionado a sociedade para um retorno das atividades econômicas irresponsável. O principal argumento é o de que não há outra saída. Então aqui vai uma saída:

      1. Subsidiar as empresas com empréstimos a juros baixos. Muitas empresas possuem gastos que continuam mesmo com elas paradas. Para cobrir esses gastos o governo pode providenciar empréstimos a juros bastante baixos para que essas empresas consigam pagar suas contas e seus funcionários. Os empréstimos precisariam de comprovação dos gastos para ser aprovados. E para comprovar os empréstimos para pagamentos de funcionários a empresa deveria mostrar o valor recebido por estes nos meses anteriores. E por serem empréstimos o governo teria a expectativa de receber os valores novamente. Isso causaria menor impacto nos investimentos e um menor comprometimento do orçamento nacional para o enfrentamento da crise.
      2. Postergar o pagamento de empréstimos empresariais. Como as empresas não estão tendo receitas tão expressivas quanto nos tempos de normalidade. Seria possível congelar alguns empréstimos bancários através de negociações do governo com essas instituições. Como temos um oligopólio bancário no Brasil, tal negociação poderia ser feita com muito mais facilidade.
      3. Proibição das demissões e readmissão imediata dos demitidos. Com a autorização de empréstimos para pagar os funcionários, as empresas seriam proibidas de demitir funcionários durante a crise, salvo casos de justa causa. Isso diminuiria o número de seguros desemprego pagos pelo governo e manteria os funcionários com seus salários.
      4. Subsídio aos informais e contratos de emprego para a pandemia. Os informais seriam sustentados com um auxílio governamental. O governo também poderia oferecer vagas de emprego para esses informais em locais que precisem de pessoal para atender as situações envolvendo a pandemia.
      5. Uso das forças armadas como cadastradores de informais e informantes da situação das regiões. Os efetivos das forças armadas ficariam responsáveis por cadastrar os informais e os desempregados para que estes recebessem o auxílio do governo. Esses mesmos militares poderiam ser distribuídos pelas cidades para que relatassem as precariedades que encontrassem para os seus comandantes. Isso ajudaria o governo a dar uma resposta mais rápida para casos que não estivessem previstos, mas precisassem de ajuda. Esses agentes poderiam perceber se alguma família está passando fome e pedir uma apoio extra, por exemplo.
      6. Atendimento de ocorrências seguro. Durante a pandemia seria aconselhável que ficasse somente um policial por viatura. Quando o atendimento de uma ocorrência exigisse mais de um agente, seria despachada mais de uma viatura. Os indivíduos presos também seriam tratados de maneira a evitar a contaminação de todos os envolvidos na situação.
      7. Liberação de presos por crimes sem violência. A aglomeração de presos nos presídios pode se tornar um grande vetor de propagação da doença. Poderia ser implementado um reducionismo penal que deixasse nas cadeias somente os acusados de crimes violentos.
      8. Meta de leitos de unidade de tratamento intensivo. Já percebemos que as UTIs são importantes para aumentar a chance de sobrevivência de pacientes sofrendo da Covid-19. Além dos pacientes da Covid-19, muitas outros precisarão de leitos por problemas alheios a pandemia. Por isso é preciso que o sistema de saúde possua leitos e respiradores disponíveis para o atendimento da doença. Como a previsão é de que essa pandemia dure meses, seria possível estabelecer uma meta de liberação dos comércios conforme o sistema de saúde alcançasse uma porcentagem “x” de leitos disponíveis. Seria necessário ouvir os especialistas para saber qual é a porcentagem aceitável para o retorno das atividades comerciais. Digamos que seja estabelecido que quando 50% dos leitos de uma região estiverem livres o comércio poderá ser reestabelecido. E quando a ocupação chegar a 70% as atividades comerciais devem ser interrompidas até que se chegue a 50% novamente. Os números são exemplos, o importante é o sistema. E aqui entra o grande ponto. Se os empresários estão tão afoitos para que o mercado retorne, então que eles ajudem na compra de leitos e respiradores. Quando a meta for atingida eles poderão retornar suas atividades.
      9. Treinamento de enfermeiros e auxiliares em massa. Recrutar pessoas para que sejam treinadas para auxiliar nas unidades de tratamento intensivo e no uso dos respiradores.
      10. Mobilização intelectual. Criar uma coordenação dos esforços para encontrar mecanismos mais eficientes para o tratamento aos pacientes da Covid-19. Podemos conectar empresas e engenheiros com os especialistas na produção e utilização de respiradores para que estes sejam produzidos mais rapidamente.

     

    Resumindo, é preciso entender que o fato de você não acreditar na letalidade da pandemia não vai deixá-la menos letal. E é preciso compreender que é muita inocência acreditar que afrouxar o isolamento sem planejamento auxiliará a retomada da economia. Ou você realmente acha que pessoas irão às comprar normalmente com corpos espalhados pelas calçadas?

     

    Martel Alexandre del Colle tem 28 anos, foi policial militar por 10 anos.

     


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Quarta-feira, 29 de abril de 2020
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