Berenice Bento produz curta sobre a luta pelo direito a autodeterminação do povo de Saharaui
Terça-feira, 22 de setembro de 2020

Berenice Bento produz curta sobre a luta pelo direito a autodeterminação do povo de Saharaui

Imagem: Cartaz de Saharaui: memória e exílio

 

 

Por Berenice Bento

 

As histórias coloniais podem ser narradas a partir de datas e eventos reconhecidas pelo mundo. No caso saharaui, o ano 1975 é o marco. Enquanto guerrilheiros da Frente Polisário (representante política do povo do Saara Ocidental) combatiam contra os colonizadores espanhóis, as Forças Armadas marroquinas se preparavam para invadir o território. “O Saara Ocidental nos pertence!”, gritavam os marroquinos. A Mauritânia também reivindicava o território como seu. É nesse mesmo ano, no dia 16 de outubro, que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia declarou que o Saara Ocidental não pertencia nem ao Marrocos tampouco à Mauritânia. Essa decisão foi fundamental para o reconhecimento internacional do direito do povo saharaui ao seu território, mas insuficiente para barrar a política bélica marroquina de conquista e colonização de um território que não lhe pertence.

 

Os saharauis, com medo da repressão marroquina, começaram a fugir de suas casas rumo ao deserto. Muitos dos que permaneceram no Saara Ocidental desapareceram e outros passaram anos nas prisões secretas do Reino de Marrocos. O cessar-fogo com Marrocos só seria assinado em 1991, depois de 15 anos de guerra.

 

Para frear as vitórias da Frente Polisário, Marrocos construiu um muro de 2.720 quilômetros. A cada 5 km do muro, há bases de controle militar, envolvendo 110 mil soldados. Esta imensa barreira dividiu a população do Saara Ocidental. Atualmente, uma parte vive no lado ocidental e outra do lado oriental, nas Zonas Liberadas, controladas pela Frente Polisário. E uma terceira parte da população encontra-se em gigantescos campos de refugiados (vide mapa).  

 

Entre os dias 20 a 29 de fevereiro de 2020 visitei os campos. O resultado parcial dessa viagem pode ser visto no curta metragem “Saharaui: Memória e Exílio”, uma obra de caráter testemunhal e que tem como principal objetivo contribuir para visibilizar a luta pelo direito a autodeterminação do povo do Saara Ocidental.

 

 

Berenice Bento é doutora em Sociologia e professora do Departamento de Sociologia da UnB.


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