O quê a polícia tem a ver com a greve?
Segunda-feira, 9 de junho de 2014

O quê a polícia tem a ver com a greve?

Por Humberto Barrionuevo Fabretti.

 

A cidade de São Paulo, mais uma vez, encontra-se parada. A greve dos metroviários simplesmente inviabiliza a já péssima mobilidade urbana paulista, que mesmo quando está boa, é péssima. Condição esta que é fruto de décadas de descaso do governo com o transporte público, bem como da falta de planejamento e dos contratos espúrios firmados, também há décadas, com as grandes empresas do ramo.

Até aí nenhuma novidade, pois o paulistano está acostumado a isso. Está acostumado com o descaso, com a violência, com os engarrafamentos, ou seja, está acostumado a viver no caos. 

Porém, diferentemente das demais, a atual greve dos metroviários deixou absolutamente clara uma coisa: o governo não se importa com o povo, mas sim em proteger os empresários. 

Desde o primeiro momento, quando a greve ainda estava em discussão nas assembleias dos metroviários, estes fizeram um proposta magnífica: “não faremos greve, trabalharemos de graça, desde que a catraca esteja livre.” 

A proposta dos grevistas era ótima, pois não prejudicaria o bom (?) andamento da cidade, as pessoas conseguiriam chegar aos seus empregos, conseguiriam voltar para suas casas, mas as empresas, que de fato não lucrariam pelos dias parados dos trabalhadores, também não lucrariam com essa “greve”, pois não receberiam os valores das passagens. Seria uma forma racional e civilizada de reivindicar melhores salários e pressionar as empresas ao diálogo. 

Pura ilusão! 

O governo do estado, imediatamente, pronunciou-se no sentido de que não admitiria, de forma alguma, a liberação das catracas, pois tal medida seria ilegal, traria prejuízos ao Metrô e afetaria o contribuinte.

Ora, e a greve? Não trouxe prejuízos? Não afetou o contribuinte?

Diante da negativa do governo, os metroviários entraram em greve e a cidade que já era um caos, virou o caos do caos. Desnecessário falar das consequências e prejuízos de todas as ordens que uma greve de metrô traz para uma cidade como São Paulo.

Mas, não teria sido tão ruim se o descaso governamental parasse por aí. O governo estaria demonstrando simplesmente que ignora a população. Até aí, sem novidades, pois já estamos acostumados. 

Porém, o que se viu no dia seguinte, foi pior que a paralisação, foi pior que os prejuízos, foi pior que o desrespeito. 

O que se viu foi a violência.

A Polícia Militar, braço armado do governo do estado, foi acionada para reprimir a greve, que até o momento era absolutamente pacífica. As cenas da polícia invadindo estações do metrô com armas, bombas, escudos e capacetes, como se estivessem indo para uma batalha medieval, contra um exército tão bem armados como eles, são assustadoras. 

Os trabalhadores, exercendo seu direito à greve, ameaçados, violentados e coagidos, não tiveram outra opção a não ser abandonar as estações. Fora os casos de sindicalistas presos e muitos outros abusos. 

Essa greve, que ainda não acabou, por enquanto serviu para escancarar algo que há muito já se sabia: os governos continuam a serviço do dinheiro. Para proteção dos empresários e manutenção da ordem pública (que ordem, eu pergunto???), nada melhor que a boa e velha Força Pública, que de pública não tem nada. 

A polícia, principalmente a militarizada, contínua tendo um caráter absolutamente instrumental na mão do governo, pois é a sua face mais violenta, é a força bruta posta em ação. A polícia é o argumento de autoridade, que não admite contraditório, nem mesmo do policial. 

Os policiais militares, que também são trabalhadores, também são pessimamente remunerados, também sofrem as agruras do sistema, pois a eles, até o direito à greve foi negado. 

Imagem: Passe Livre São Paulo
Segunda-feira, 9 de junho de 2014
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