Ao responsável, com nome e sobrenome
Quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ao responsável, com nome e sobrenome

Por Esther Solano Gallego

 

Governador Beto Richa (PSDB)

200 pessoas machucadas, maltratadas por estarem exercendo seu direito democrático de manifestação.

Esse número fere tanto quanto as balas de borracha. É uma ferida direta que dilacera nossa quebradiça democracia. Fere cada um de nós, como professores, como cidadãos, como pessoas que ainda não perdemos a capacidade de nos estarrecer com um poder mesquinho que utiliza a violência cotidianamente como se de um instrumento legítimo se tratasse.

Mas já passou o momento da tristeza, da comoção. Agora é momento da indignação organizada, da indignação democrática. Agora é o momento de apontar com o dedo ao responsável.

A Polícia Militar de Paraná é comandada pelo governador Beto Richa.

Se ele tivesse ainda o mínimo de dignidade que se pressupõe a todo homem público, já teria se desculpado, já teria saído do governo. Demonstrou-se que não tinha.

A sociedade brasileira deve exercer seu direito a falar, a gritar. Deve exercer seu direito a ser tratada com dignidade, a não ser desprezada. Ela tem a força para isso.

A saída do governador Beto Richa é uma exigência evidente, irrefutável.

Como podemos aceitar que nossos deputados estejam discutindo o delírio perverso da redução da maioridade penal e, ao mesmo tempo, os representantes do povo fiquem imunes às violências cometidas? Que tipo de sarcasmo cruel é esse? Que tipo de Estado queremos? Aquele que pune ao vulnerável e que protege ao dono do poder? Um Estado mesquinho, penal, mercenário, que reproduz séculos e séculos de humilhação para uns e privilégios para os outros?

Não podemos continuar ocultando os nomes dos culpados.

Todos nós fomos feridos o dia 29 de abril em Curitiba. Todos nós devemos pedir responsabilidades aos verdadeiros responsáveis.

Brasil precisa expulsar certos nomes do poder se quer ter um futuro.

A saída do governador Beto Richa é o símbolo de um País melhor.

Esther Solano Gallego é doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri, professora de Relações Internacionais da UNIFESP.

Quarta-feira, 6 de maio de 2015
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