Peça desculpas antes que o prazo termine
Terça-feira, 15 de setembro de 2015

Peça desculpas antes que o prazo termine

Há algum tempo venho pensando na energia que flui entre nosso cotidiano. Aquela que passa pelo vão da porta, que entra pelo cobertor de uma noite gelada e percorre nosso corpo, que faz arrepiar nossos cabelos, que nos faz enxergar o mundo de outra forma. Aquela que vive quebrando a barreira da tranquilidade. O que falta, o que temos ou o que doamos: O amor.

Ted Mosby, interpretado por Josh Radnor na série norte americana “How I met your mother”, em um dos episódios finais da série, nos traz a seguinte reflexão: "Mas amor não faz sentido. Digo, não dá pra ser lógico ou não sobre isso. Amor é totalmente sem sentido, mas temos que continuar ou então estamos perdidos e o amor está morto e a humanidade deveria enterrá-lo. Porque amar é a melhor coisa que fazemos. Sei que soa brega, mas é apenas a verdade. E isso não tem que fazer sentido para fazer sentido.".  Então se o amor não faz sentido, o que mais na vida faz?

Não escolhemos quem ou o que amamos. O amor apenas acontece. É a sorte de encontrar um guarda chuva amarelo no meio de uma tempestade, um trevo de quatro folhas na floresta de pedra, andar com um pouco de sal grosso no bolso ou até um pequeno Hamsá.   Amamos dormir. Amamos conversar. Amamos ler. Amamos discutir (e como amamos!). Amamos cantar e dançar. Amamos amar.

Especialmente neste inverno, me assusta a quantidade de pessoas com o coração congelado. Pessoas que desrespeitam o próximo pelo gênero, orientação sexual, pela ideologia, pela forma de se vestir, de se portar. Pessoas que, às vezes, passaram pelo curso de Direito (que a meu ver, deixa claro que não há espaço para preconceito) e impõem apenas o direito de ser indiferente. Indiferença esta que impede qualquer evolução, posto que, ao contrário do ódio, não permite que nos coloquemos na situação do outro.

Entendo que somos codificados. Todos nós temos o próprio código da vida, com os princípios particulares. Entretanto, uma cláusula pétrea inerente a todos é pautarmos a vida mediante o respeito.  Nos nossos contratos de relações interpessoais, implícita ou explicitamente, está o respeito, no seu lugar ao lado da boa-fé e da função social da vida.

Mas como saberemos se estamos em um ambiente impregnado pelo ódio? Um bom termômetro é a boa e velha mesa de bilhar. Alguma vez no breve período chamado vida, você já enfrentou uma mesa de bilhar. Jogou e desafiou. Ganhou e perdeu. Escreveu sua marca no pano verde limpo (ou nem tão limpo assim). Entretanto, se não encontrou nem um coração, mesmo que escondido perto da última caçapa à esquerda e, ao invés, encontrou palavras de ódio e xingamentos, principalmente às mulheres (Ah, essas feministas !), deixo minha sugestão de luta. Lute por respeito e igualdade.

E, se por um acaso, tenha você, leitor(a), entendimento diferente do meu, o que se admite por amor às palavras que se formam, e tenha sua mente povoada por pensamentos negativos, que possam inclusive ter até gerado aquela risca de giz no pano da mesa, aproveite a chance para pedir desculpas. Ninguém sabe o prazo que temos para agir. A preclusão é certa. O próximo despacho será feito pela sua própria consciência, o nosso grande juiz interior, e contra ela não cabe agravo algum, apenas o senso comum.

E se, eventualmente, o prazo terminou e a parte contrária não está interessada em nenhuma manifestação, aceite que o erro foi cometido, aprenda com ele e cresça para a vida.

Amor é luz. Sejamos luz, meus amigos. Luz aos nossos amigos, aos nossos familiares, aos nossos colegas. Luz ao Direito. Luz ao mundo. 

Hélio Tomba é Estudante de direito da Faculdade de Direito de Sorocaba.
Terça-feira, 15 de setembro de 2015
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