Umberto Eco está certo: as redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis
Quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Umberto Eco está certo: as redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis

Redes sociais tem se tornado um campo vasto para contemplação de relações interpessoais, infelizmente, isso não necessariamente é uma coisa boa.

Sociologicamente falando, perdemos a capacidade de nos relacionarmos sem corriqueiros embates pela supremacia da verdade, pela verdade absoluta.

Umberto Eco referiu que “as redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis”[1].

Infelizmente não há como discordar do nobre Doutor Honoris Causa em Comunicação e Cultura pela Universidade de Turim/Itália, uma vez que é perceptível a gradativa ‘imbecilização’ das pessoas ao debater (discutir) sobre qualquer tema, com ou sem propriedade no assunto, aprofundando-se ou não no tema, vivendo em uma guerra virtual!

Acredito que o Doutor Eco ao referir ‘imbecilidade’, não o fez pensando no grau intermediário da tríade oligofrênica[2], esta é doença, mas sim a imbecilidade escolhida, abraçada, como se fosse à verdade maior sobre tudo e todos, que somente as redes sociais nos proporcionaram.

Resultado dessa letargia cognitiva causada pelo conforto de nossos notebooks, smartphones e outros modos de interação na manifestação de opiniões é a inevitável colisão de Direitos Fundamentais, previstos pelo nosso ordenamento jurídico.

E isso nem se dá em razão do mérito das ditas “opiniões”, uma vez que grande maioria não passa de sofisma ou opinião pessoal, mas pelos desdobramentos ao serem contrapostas.

Do Artigo que refere essa citação de Umberto Eco ainda ressaí que “As redes sociais foram um fenómeno que nos permitiu ter acesso a conteúdos que, de outra forma, seriam muito difíceis de ter conhecimento. Mas… nem tudo são rosas e, a verdade, é que muitas pessoas não estão ‘educadas’ para saberem estar na Internet no geral e nas redes sociais em particular.”[3]

Tal ausência ou falta de ‘educação’ reflete quase que automaticamente em nossas liberdades individuais, e neste ponto pertinente é o entendimento do Eminente Paulo Gustavo Gonet Branco.[4]

Direitos fundamentais não são em princípio absolutos, não podem pretender valia unívoca de conteúdo a todo tempo e em todo lugar. Por isso, afirma-se que os direitos fundamentais são um conjunto de faculdades e instituições que somente faz sentido num determinado contexto histórico. O recurso à história mostra-se indispensável para que, à vista da gênese e do desenvolvimento dos direitos fundamentais, cada um deles se torne mais bem compreendido.

Portanto latente a necessidade de que sejamos educados a respeito de quais Direitos (gerais e abstratos) temos, e de que o princípio basilar da proteção aos próprios Direitos Fundamentais é o respeito ao Direito do próximo.

Como posso invocar meu direito a liberdade de expressão, quando minha manifestação está evidentemente ferindo direito alheio?

Neste sentido, o que mais se vislumbra são ataques e achaques pessoais à distância, em que mera discordância de opinião acarreta um derramamento de fatos típicos em imputáveis, e frases de efeito “datenianas”.

Hobbes em seu Leviatã disse que a sociedade viveria em eterna Bellum omnium contra omnes (guerra de todos contra todos), caso não se optasse por um contrato social onde abrir mão de certas liberdades, nos faria conviver em uma sociedade pacífica.

A conclusão que podemos chegar é que ou Hobbes estava errado, ou fizemos um adendo no contrato social onde fisicamente exigimos uma sociedade pacífica, virtualmente nos sentimos felizes por estar em “guerra”.

É certo que o contexto histórico altera a percepção e o alcance dos Direitos Fundamentais, mas cabe indagar se nosso contexto Histórico atual não propagará efeitos danosos às gerações futuras em razão de nosso comportamento hoje.

Fabrício da Costa Venâncio é Bacharel em Direito graduado pela Universidade de Caxias do Sul, Ex Voluntário e Estagiário Forense da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, Ex Estagiário da 1ª Vara Criminal, Tribunal do Júri e Execuções Criminais do TJRS, trabalha na Rossi Advocacia – Vacaria/RS.

[1] http://pplware.sapo.pt/informacao/as-redes-sociais-deram-voz-aos-imbecis-afirma-umberto-eco/ (visualizado em 05/01/2016);
[2] CID – F71;
[3] Idem 1
[4] Mendes. Gilmar Ferreira et al. Curso de Direito Constitucional. 6ª Ed. São Paulo – SP. Saraiva. 2011
Quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
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