A Samarco não pode voltar com suas atividades
Segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A Samarco não pode voltar com suas atividades

Meses depois do ocorrido em Mariana e a Samarco ainda não foi devidamente punida pela tragédia que desencadeou.

Os prejuízos ambientais, por outro lado, são imensos e só cresceram; foram mais de 600 quilômetros de rios afetados, milhares de peixes mortos, de vegetação destruída.

A lama da Samarco varreu o distrito de Bento Rodrigues do mapa e até hoje a população está desolada. Depois de perderem suas casas – alguns os parentes -, foram alojados em Mariana, mas isso não é o suficiente. Dificilmente haverá uma compensação que esteja à altura do dano causado.

O plano de recuperação dos danos apresentados pela empresa ao IBAMA foi rejeitado, porque, segundo o órgão, era genérico e superficial, além de não conter prazos para o cumprimento das metas. Tal fato mostra o desinteresse da Samarco em mitigar a situação. O desinteresse, aliás, estava presente desde o início, afinal, não existia um alarme que avisasse a população sobre a queda das barragens, não havia sequer alguém monitorando a situação.

Enquanto isso, a lama se desloca e causa ainda mais danos, mar e rios a fora. A empresa ainda conseguiu adiar o prazo, para 3 de fevereiro, para realizar o depósito de dois bilhões para o fundo de recuperação da bacia hidrográfica do Rio Doce.

A situação vai se arrastando e nada é realmente feito para mitigar os danos ambientais ou a situação da população afetada pela Samarco. O mais triste é que a cidade era tão dependente da mineração e, consequentemente, da empresa, que, temendo o desemprego, pede a volta das operações da Samarco.

Autorizar uma empresa tão inescrupulosa a retornar suas operações é, no momento, algo que deve ser totalmente descartado, pois os riscos de novos desastres ambientais são iminentes. No último dia 27 de janeiro, por exemplo, houve um novo deslizamento na barragem de fundão. O deslocamento de lama ocorreu, conforme a mineradora, por causa das chuvas dos últimos dias. A estrutura está totalmente colapsada; é impossível que a empresa volte à suas atividades, afinal, não há onde depositar os rejeitos de minério e não há garantias de que novas quedas das barragens aconteçam.

Tudo que se espera é que a Samarco arque com suas responsabilidades perante as famílias afetadas e todo o dano causado ao ecossistema.

Carolina Salles é Mestre em Direito Ambiental, ativista animal.
Segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
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