Mídia pode influenciar decisão de julgamentos, afirmam advogados criminalistas
Terça-feira, 21 de junho de 2016

Mídia pode influenciar decisão de julgamentos, afirmam advogados criminalistas

A operação Lava Jato, investigação focada em casos de corrupção e desvio de dinheiro do Brasil, é um dos assuntos mais comentados nas coberturas de notícias jurídicas. No entanto, há uma série de divergências sobre o quanto a presença da mídia pode influenciar o andamento tradicional dos processos dentro da justiça. Cada vez mais a imprensa se faz presente aumentando o debate entre advogados criminalistas sobre o assunto, principalmente considerando o contexto atual do país.

A advogada criminalista e conselheira do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Flávia Rahal acredita que a mídia tem uma grande relevância em alguns casos de cobertura criminal. No entanto, em outros deles são perigosos, como a que está sendo realizada sobre os eventos da Lava Jato. "A operação constrói seu mecanismo de ação e tem uma estratégia claramente definida que usa a imprensa”, afirmou. 

Rahal não acredita que algumas das ações da operação tenham sido por acaso. “É o vazamento seletivo no momento ideal, por exemplo. Então assim, a imprensa precisa perceber (essa estratégia). Mas tudo bem, talvez tenha um interesse grande em comum, em ser usada também. O vazamento seletivo claramente faz parte de um estratagema”, opinou. A advogada acredita que, nesse sentido, a influência que a mídia tem é de extrema importância para a determinação do andamento do processo.

Julgamentos midiatizados

Durante o Mensalão, operação que investigava a corrupção política do Brasil que aconteceu entre 2005 e 2006, houve julgamentos que foram televisionados. A prática é uma inovação brasileira, já que não acontece em outros locais do mundo e também é questionada por advogados criminalistas.

Para o advogado criminalista que atua no processo da Lava Jato, Marcelo Leonardo, as transmissões ao vivo são um capítulo extremamente infeliz para a história do Supremo Tribunal Federal (STF). “Isso mudou o modo de ser e de agir dos ministros do STF. Eles ficam preocupados com a imagem e como vão falar”, apontou. Para ele, é mais uma das influências que a mídia é capaz de exercer sobre o andamento tradicional dos processos judiciários.

Nós estamos sofrendo uma influência. Se o doutor Sérgio Moro é escolhido como personalidade do ano pela rede Globo, como um dos cem homens mais influentes do mundo pela Times e há todo um trabalho feito em defesa da conduta dele, as prisões que decretadas por ele o judiciário não tem coragem de revogar”, comentou Marcelo. 

Rahal também concorda com a opinião do advogado. Ela argumenta que “pode haver o acesso a informação, mas é diferente de transmitir isso em rede nacional de televisão. Hoje em dia os ministros do supremo viraram celebridades. Até que ponto isso é bom?”. Segundo ela, os julgamentos podem ter um andamento diferente do previsto por causa das transmissões, impactando diretamente nas decisões. “Eu acho muito perigoso em um certo sentido. Eu também sou contra”, concluiu. 

Terça-feira, 21 de junho de 2016
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