“Não” a acordo de paz com as Farc é lamentado por organizações de direitos humanos
Segunda-feira, 3 de outubro de 2016

“Não” a acordo de paz com as Farc é lamentado por organizações de direitos humanos

No último domingo (02), 50,2% dos eleitores colombianos optaram pelo “não”, e 49,7% escolheram o “sim” no plebiscito que decidiu rejeitar o acordo de paz entre Colômbia e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O plebiscito trazia a pergunta “você apoia o acordo final para o fim do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura?”.

A Colômbia enfrenta uma guerra com as Farc há 52 anos. Neste período, o conflito já resultou na morte de mais de 200 mil pessoas. O acordo é resultado de uma longa negociação, de quatro anos, que teve início em 2012. O documento foi assinado na semana passada pelo atual presidente Juan Manuel Santos e pela guerrilha, que tem como líder Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko.

Segundo o portal Opera Mundi, o “não”, impulsionado pelo senador e ex-presidente Álvaro Uribe, de perfil de extrema-direita, é visto por analistas como uma derrota a Santos, que venceu a reeleição em 2015 com a proposta de finalizar o conflito armado no país“.

De acordo com informações da Agência Brasil, Timochenko garantiu que o grupo mantém sua vontade de paz. “As Farc lamentam profundamente que o poder destrutivo dos que celebram o ódio e o rancor tenha sido incutido na opinião da população colombiana. Com o resultado, sabemos que o nosso desafio como movimento político é maior e nos requer mais força para construir a paz estável e duradoura”, disse.

Além disso, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou hoje (3) que não vai desistir de assinar o acordo de paz com as Farc após a derrota inesperada nas urnas. “O cessar-fogo é bilateral e definitivo. Não desistirei. Buscarei a paz até o último dia do meu mandato”, disse, em sua primeira declaração após a divulgação do resultado do referendo.

Decisão foi profundamente lamentada por organizações de direitos humanos

A decisão do povo colombiano surpreendeu a todos e foi profundamente lamentada por organizações de direitos humanos.

Para Erika Guevara Rosas, diretora para as Américas da Anistia Internacional,“este dia será lembrado nos livros de história como o momento em que a Colômbia virou as costas para o que poderia ter sido o fim de uma guerra de mais de 50 anos que devastou milhões de vidas”.

Pedro Abramovay, coordenador da Open Society Foundation, também comentou o episódio em suas redes sociais, afirmando que a aposta foi rejeitada pelo ódio e forçada pela direita, relacionando à votação britânica do Brexit, cujo resultado das urnas de se retirar da União Europeia foi lamentado pela comunidade internacional.

É o nosso Brexit porque é uma decisão empurrada por uma direita raivosa, dessas que vendem medo para comprar a guerra. É uma decisão na qual um lado tem um plano claro e o lado vencedor não tem plano.  O acordo não era simples. Ele era uma possibilidade muito bonita de conciliação nacional. De aposta na democracia como forma de superar a guerra. De aposta na Justiça como algo maior do que as prisões”.

Segunda-feira, 3 de outubro de 2016
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