Apesar de tortura, Justiça do Rio decreta prisão preventiva dos torcedores do Corinthians
Quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Apesar de tortura, Justiça do Rio decreta prisão preventiva dos torcedores do Corinthians

A juíza Marcela Assad Caram Januthe Tavares, coordenadora da Central de Audiências de Custódia do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, determinou a conversão das prisões em flagrante em preventivas dos torcedores do Corinthians, que foram detidos no último domingo, dia 23, após conflito com policiais militares nas arquibancadas do estádio do Maracanã. O grupo de 30 torcedores foi ouvido nesta terça-feira, dia 25, na audiência de custódia realizada no Fórum Central do Rio.

Em sua decisão, a magistrada destacou que a prisão preventiva se revelou “imperiosa e necessária, já que os presos são oriundos de outro estado, o que poderia colocar em risco a instrução criminal”. Segundo o auto de prisão em flagrante, os acusados foram identificados pelos PMs como autores da agressão e também responsáveis por dano ao patrimônio, como deterioração do espaço público.

“Os fatos foram cometidos mediante o emprego de desmedida violência contra policiais que faziam a segurança do estádio, prestando, portanto, relevantíssimo serviço público, garantindo a integridade física e a incolumidade de todos os que ali estavam no intuito de se divertir” – destacou a magistrada.

“Resta claro para esta magistrada que, se não unidos previamente com o intuito de cometimento de crimes nas dependências do estádio Mário Filho, os custodiados, no momento exato das agressões, uniram-se covardemente contra os agentes da Lei e da ordem. Impossível o Estado chancelar a violência que vem imperando nos ambientes esportivos e afastando a torcida familiar dos estádios” – ressaltou Marcela Caram.

Tortura foi ignorada na decisão

No entanto, os torcedores presos relataram ao portal Mídia Ninja tratamento similar ao de uma penitenciária. Torturas, agressões, xingamentos e ameaças. A violência policial começou ao final do jogo, quando os corintianos foram orientados a esperar para se retirarem de estádio e os policiais começaram a procurar os envolvidos, sob ameaças e cacetadas, de acordo com os torcedores. “A gente quer pegar os animais, os que gostam de bater em polícia, porque os Gaviões gostam de bater em polícia”, diziam os PMs.

Todos os torcedores do Corinthians no estádio foram mantidos sem camisa, com seu celular apreendido enquanto policial procediam o reconhecimento facial de um por um. A cena foi transmitida ao vivo em diversas emissoras e na internet.

“O Carandiru é aqui, porra!”, gritou um policial, de acordo com o relato de um torcedor ao Mídia Ninja. Os corintianos ficaram por horas sentados no corredor interno do Estádio do Maracanã sem contato externo, enquanto mulheres e crianças aguardavam ao lado de fora.

Quando algum torcedor era supostamente identificado com as características procuradas pelos militares, eram conduzidos ao túnel, em que, de acordo com o relato publicado no Ninja, era possível ouvir os gritos das torturas praticadas para confissão da participação do torcedor na briga durante o jogo.

Ironicamente, as audiências de custódia consistem na garantia da rápida apresentação do preso a um juiz nos casos de prisão em flagrante para evitar episódios de tortura. A juíza disse que vai solicitar à Secretaria estadual de Administração Penitenciária que o grupo fique em unidade penitenciária, numa ala neutra, separado dos demais presos. O processo vai tramitar no Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos.

*Com informações do TJRJ e do Mídia Ninja

Quarta-feira, 26 de outubro de 2016
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