Saia da Matrix: o mundo é muito mais do que os fracassos e frustrações da política
Quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Saia da Matrix: o mundo é muito mais do que os fracassos e frustrações da política

Então… as coisas andam bem difíceis, né? Acho que esse é um sentimento que surpreende [email protected] aqueles que se importam, que são sensíveis e que almejam viver em um mundo mais justo e igualitário. A má notícia é que as coisas ainda vão piorar… mas a boa notícia é que podemos preparar, desde já, um futuro melhor porque ele é possível!

A grande cilada do momento é pensar que o retrocesso é a única verdade e que eleições ou políticas governamentais ditam o ritmo do mundo que vivemos. Engano! Esse mundo é só uma Matrix e está fadado a acabar. Este é apenas o último suspiro de uma proposta falida, hierarquizada e careta que já não se sustenta mais. O nosso mundo é maior do que isso, nosso mundo não reconhece as fronteiras porque é livre, diverso, sólido, fundamentado em ideias e em pessoas. E a nossa arma é o olhar, mas não qualquer olhar…. é um olhar profundo que chega até o coração do outro e pergunta: “E ai? Você tá bem?”. A gente enxerga. E sabe que nem todo mundo precisa estar bem o tempo todo. Mas, também sabe que eu só posso estar muito bem, quando o todo está bem. Nosso mundo vai além do nosso umbigo e rejeita todas as formas de concentração, seja ela de amor, poder, política ou renda.

Mas esse mundo ainda está sendo preparado. Precisamos regar a semente e construí-lo a partir do amor e da tolerância. Precisamos não só nos unir, mas fazer debates em torno de temas fundamentais que simbolizam o recomeço de um movimento. Precisamos pensar no protagonismo das mulheres nesse mundo em construção e retomar nossas lutas pela terra. Mulheres e terra podem ser um ótimo ponto e partida para pensar no todo.

Um amigo (um dos mais cínicos) me fez pensar que vivemos um tempo infinitamente melhor e evoluído. Veja bem, dizia ele, há pouco tempo as pessoas tinham seus corpos explodidos por serem puxadas em cavalos que corriam em direções opostas e leões comiam pessoas vivas em espetáculos teatrais.

Um amor me fez perceber que nada do que se apresenta é novidade. Dizia ele que a história é cíclica, mas que hoje temos muito mais consciência e discutimos com muito mais profundidade os assuntos que influenciam nossa sociedade. Isso é positivo e deve ser fomentado porque é daí que sairão os caminhos alternativos que precisamos buscar.

Uma irmã de coração me falou que os fracos se cansam, os grandes apenas descansam. E, uma bruxa me disse que eu preciso pensar se quero colocar toda a energia que habita em mim na destruição de um cenário terrível ou na construção de algo positivo que pode aparecer a partir do caos.

Juntando tudo isso no meu caldeirão particular, conclui que estamos passando por um momento crucial de descobrir aonde investir energia e pensamento. O que se apresenta como realidade não passa de uma questão de perspectiva e o caos vai passar. Podemos olhar para o caos até sermos sugados por ele, ou podemos enxergar o outro, o novo mundo, seus avanços e o nosso papel de reconstrução, resistência e difusão de amor. Analisando esse questionamento, eu decidi ser o amor! Nunca foi tão preciso amar! Amar incondicionalmente e sem limite. Sempre ouvi que o amor é revolucionário, mas acho que até agora eu não tinha entendido a real amplitude disso.

Fato é que precisamos nos cuidar e nos agarrar com Bethânias, Caetanos e Mercedes. Quando ficar muito difícil, uma taça de vinho (ou várias), mais amor e Chicos! Para quem ainda não conhece, experimenta Orquestra Mushi Mushi e Tiganá Santana. Se nada disso for suficiente, chore. Chore, soluce, descanse e pense que o papel que você desempenha neste momento é fundamental para aquilo que queremos (e vamos) construir.

Essa semana eu recebi um poema escrito por Paco Urondo, jornalista e guerrilheiro argentino. Ele dizia, dentre outras tantas coisas, que a direita é mal comida. E é isso que nós temos a nosso favor: a liberdade! A liberdade e a possibilidade de amar. Por isso, minha proposta é simples: Façamos nudes, nos amemos, reduzamos as distâncias (aviões e financiamentos coletivos para amar serão necessários) e estejamos prontos para enfrentar todo o conservadorismo e o retrocesso que se apresentar porque ele não será mais forte do que a nossa vontade de viver!

Gabriela Cunha Ferraz é advogada, militante, mestre em Direitos Humanos pela Universidade de Strasbourg e realizadora do projeto Vidas Refugiadas (www.vidasrefugiadas.com.br)

Quinta-feira, 3 de novembro de 2016
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