“Acidente pavoroso”, “não havia santos”: políticos minimizam omissão do Estado
Quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

“Acidente pavoroso”, “não havia santos”: políticos minimizam omissão do Estado

“Eu quero numa primeira fala, mais uma vez, solidarizar-me com as famílias que tiveram seus presos vitimados naquele acidente pavoroso que ocorreu no presídio de Manaus”, afirmou nesta manhã o presidente Michel Temer.

“Não tinha nenhum santo. Eram estupradores, matadores (…) e pessoas ligadas a outra facção, que é minoria aqui no Estado do Amazonas”, afirmou ontem, 5, o governador do Amazonas José Melo.

 

As duas declarações feitas por autoridades diretamente responsáveis por estabelecer rumos para a política penitenciária no Estado que protagonizou a maior carnificina desde o massacre do Carandiru, na década de 90, revelam uma preocupação maior em retirar dos ombros do Estado a responsabilidade pela guerra às drogas, do que admitir a falência das medidas historicamente adotadas.

No caso do Presidente, a fala chegou a ser “traduzida” por grandes jornais. A Folha de S. Paulo trouxe em suas manchetes “Temer fala em ‘massacre pavoroso’ e responsabiliza Estados por presídios”. A frase que troca a palavra “acidente” por “massacre” contém também uma informação que não retrata, de fato, o que foi dito.

Isso porque o Michel Temer isentou o Governo Federal e do Amazonas de qualquer responsabilidade, uma vez que os presídios eram privatizados – “Vocês sabem que lá em Manaus o presídio era terceirizado, era privatizado e, portanto, não houve, por assim dizer, uma responsabilidade muito objetiva, muito clara, muito definida dos agentes estatais”, disse o presidente.

Essas declarações foram feitas dias após de indecisão do chefe do executivo nacional de vir a público comentar o episódio. Como bem ironizou o site de notícias irreais, SensacionalistaTemer chama massacre de Manaus de ‘acidente’ e a conclusão é de que era melhor ter ficado mudo”.

Já o Governador do Amazonas amenizou o ocorrido ao dizer que não havia nenhum santo entre os mortos. Em suas redes sociais, o Juiz Federal e Professor da Universidade Federal do Paraná, Flávio Antônio da Cruz, comentou o episódio – “o governador do Amazonas diz que não havia santos entre os mortos. Nas entrelinhas do seu discurso, afirma-se que quem morreu merecia mesmo ter morrido. A expressão é para lá de infeliz, sobremodo quando proferida por uma autoridade pública. No final das contas, ela faz coro com o fascismo cotidiano que imagina que todo suspeito/preso/condenado deva ser morto ou que massacres como esse não deveriam causar comoção a ninguém”.
Quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
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