Para especialista, Habib’s responde pelas ações dos seguranças que resultaram na morte de jovem
Sexta-feira, 3 de março de 2017

Para especialista, Habib’s responde pelas ações dos seguranças que resultaram na morte de jovem

Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

No último domingo (26), João Victor Souza de Carvalho, 13 anos, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória em frente ao restaurante Habib’s localizado na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo. Segundo testemunhas o jovem morreu depois de ser perseguido e agredido por seguranças da empresa. De acordo com o depoimento do pai do jovem, Victor costumava pedir dinheiro para os clientes na porta do estabelecimento e, há dois meses, chegou até a ser ameaçado pelos seguranças. Um vídeo da câmera de segurança revelado pela Ponte Jornalismo, mostra o momento em que o menino é arrastado por funcionários do Habib’s. 

Nesta quinta-feira (02), cerca de 300 pessoas compareceram em frente ao restaurante para protestar e pedir Justiça pela morte do menino. A ocorrência foi registrada no 13º DP como morte suspeita e está sendo investigada pelo 28º DP. Um vídeo da câmera de segurança revelado pela Ponte Jornalismo nesta tarde, mostra o momento em que o menino é arrastado por funcionários do Habib’s. Veja o vídeo abaixo. Contém imagens fortes:

A morte de João Victor traz à tona uma antiga questão: a formação e a supervisão do trabalho dos profissionais de segurança pública ou privada. Segundo Felipe Freitas, mestre em Direito pela Universidade de Brasília e membro do grupo de pesquisa em criminologia da Universidade Estadual de Feira de Santana, “é importante que haja responsabilização do profissional que o agrediu, mas, sobretudo, é necessário discutir como determinados padrões de abordagem são estimulados pelas empresas“.

“Não podemos perder de vista que o segurança de uma empresa, no caso do restaurante Habib’s, age sob a absoluta responsabilidade da empresa do ponto de vista jurídico e também do ponto de vista técnico”, disse Felipe, que acredita que a empresa tem que se responsabilizar pela atitude dos seus funcionários, pois, “no dia a dia estes profissionais de segurança agem de modo autoritário e violento e contam com o estímulo dos seus patrões, e, da sociedade em geral“.

Acerca do contexto social de João, o pesquisador reitera que este não é um caso isolado, uma vez que é visível no dia-a-dia atitudes violentas em relação a determinados grupos de pessoas – negros, mulheres, pessoas em situação de rua, LGBTs, são alguns triste exemplos. “Meninos como João Victor são invisibilizados socialmente de modo que as agressões de que são vítimas deixam de ser consideradas pelas pessoas e pelas instituições. Há uma forte tolerância social a violências praticadas contra corpos negros no Brasil e isso é parte do fenômeno que vitimou este garoto“, afirma Felipe.

Para ele, o problema é que costuma-se agir como se a violência não compusesse uma violação, “mas, como se fosse parte do repertório de atuação destas carreiras. Isso é que precisa ser questionado em todos os níveis“. E continua, “não podemos esperar que os casos aconteçam e nem que a sociedade se mobilize para que promotores, delegados, juízes, defensores públicos cumpram seu papel. Independente da existência ou não de reação social na denúncia destes casos é importante que os órgãos públicos atuem“.

Outro lado

Até o momento, a polícia não tem o resultado do laudo para informar a causa da morte do menino. A reportagem tentou contato com as assessorias da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) e do Habib’s que não responderam as perguntas até o fechamento desta matéria.  
Sexta-feira, 3 de março de 2017
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