A escola em greve
Quinta-feira, 27 de abril de 2017

A escola em greve

Foto:Tânia Rêgo / Agência Brasil

Dia 28 de abril. Greve. Como professora universitária muitos questionam que deveria estar em sala de aula, “ensinando”, em vez de ir para a rua.

Eu apoio a greve. A rua estará ensinando. Meus alunos e eu estaremos aprendendo. 

Só vejo duas possíveis formas de entender a educação. A primeira é a educação fordista, a escola-linha de produção, a escola-cadeia, a escola-mercadoria, a escola que reproduz consumidores e trabalhadores acríticos, a escola que deixa morrer as ideias. A segunda é a educação que desafia, que luta, questiona, critica, duvida; a que se envergonha da verdade absoluta e batalha contra a censura e o senso comum. A escola que deixa voar as ideias.

O momento  que Brasil vive é dramático. De um lado os trabalhadores estão sendo atacados por duras leis que vão vulnerar ainda mais seu presente e seu futuro. Do outro, a escola  está sendo atacada por projetos inquisidores como  Escola sem Partido, os mercenários de uma política obscurantista que querem destruir direitos e para isso precisa aniquilar o pensamento livre porque, para eles, o pensamento é ameaça.

A escola nunca pode ser passiva, inerte, cadáver. O Brasil precisa de uma escola viva, que briga, que não se esconde, que entende o aprendizado dentro e fora dos livros, na sala de aula e na rua. O aluno não pode ficar só sentado na sua cadeira, escutando, deglutindo os conhecimentos que lhe são passados, parado, em corpo e em ideias. O aluno tem fala, tem voz e deve poder falar, interpelar, estar em movimento, se erguer como cidadão.

A greve é um instrumento de empoderamento coletivo,  de fortalecimento de nossa identidade como trabalhadores.  Os alunos que adiram a paralisação e saiam às ruas estarão aprendendo, sim. Aprendendo a serem cidadãos que não confundem direitos com privilégios, que sabem de seu poder, que conseguem identificar a opressão e as formas de resistência a ela.

Não reduzam a educação à sala de aula.

Não reduzam a escola a um prédio. A vida é escola.

Lutar sempre é educar.

Uma escola que não luta, é uma escola morta.

Professores e alunos juntos dia 28. 

Esther Solano é Doutora em Ciências Sociais e professora da Universidade Federal de São Paulo. 

 

 

Quinta-feira, 27 de abril de 2017
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