Em evento, Barroso chama Joaquim Barbosa de “negro de primeira linha”
Quinta-feira, 8 de junho de 2017

Em evento, Barroso chama Joaquim Barbosa de “negro de primeira linha”

Foto: Banco de imagens STF

Nesta quarta-feira, 7, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, compareceu à cerimônia de aposição de seu retrato na galeria de ex-presidentes da Corte. Na ocasião, também estavam Luís Roberto Barroso e o ministro Ricardo Lewandovski, que também teve retrato inaugurado. 

Durante o evento, em tentativa desastrosa de elogiar Joaquim Barbosa, Barroso se referiu ao colega como “negro de primeira linha”. As informações são do jornal “O Globo”

A universidade (Uerj) teve o prazer e a honra de receber um professor negro, um negro de primeira linha vindo de um doutorado de Paris. 

Visivelmente incomodado, no mesmo instante Barbosa mudou o semblante, mas depois não quis comentar o ocorrido.  

Militantes presentes na cerimônia demonstraram claro descontentamento. Em tom de brincadeira, diziam que se o ex-presidente da Corte era de “primeira linha”, eles seriam de quarta, quinta ou mais.

Joaquim Barbosa ficou nacionalmente conhecido após ser relator da Ação Penal 470, o “Mensalão”. O ex-ministro se aposentou em 2014 e desde então tem demonstrado interesse em disputar as próximas eleições presidenciais do país. 

Ministro pede desculpas em sessão no STF

No início da sessão o ministro pediu a palavra para se desculpar e dizer ter sido mal compreendido. Segundo ele, sua intenção era dizer que Barbosa se tornou “um acadêmico negro de primeira linha” para “celebrar uma pessoa que havia rompido o cerco da subalternidade chegando ao topo da vida acadêmica”. Barroso, no entanto, afirmou ter se expressado de forma “infeliz”.

“Não há brancos ou negros de primeira linha, porque as pessoas são todas iguais em dignidade e direitos, sendo merecedoras do mesmo respeito e consideração. Eu, portanto, gostaria de pedir desculpas às pessoas a quem possa ter ofendido ou magoado com esta frase infeliz. Gostaria de pedir desculpas, sobretudo, se involuntária e inconscientemente tiver reforçado um esteriótipo racista que passei a vida tentando combater e derrotar”, disse o ministro com a voz embargada.  

Quinta-feira, 8 de junho de 2017
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