Desembargador ameaça deixar sessão de julgamento por conta de roupa de advogada
Sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Desembargador ameaça deixar sessão de julgamento por conta de roupa de advogada

Nesta quinta feira, 17, o desembargador Eugênio Cesário, do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18), localizado em Goiás, interrompeu a sessão de julgamento para exigir que uma advogada, que não teve seu nome divulgado, colocasse uma roupa “adequada” para realizar a sustentação oral. A profissional estava de vestido e após a cena do magistrado, que ameaçou deixar a sessão, acabou pegando emprestado um terno de um advogado.

“Podem discordar, mas nós temos um decoro forense a cumprir. A atividade do advogado requer esse decoro também. A senhora tem que estar à altura na forma, na aparência do exercício dessa atividade, certo? Fórum, isso aqui é feito de simbologia, olha aquelas bandeiras de simbologia, olha nossas togas aqui e olha o que senhora vai vestir aí e a senhora vem fazer uma sustentação de camiseta, doutora?” – vociferou o magistrado, o qual anunciou que, caso a advogada não colocasse outra roupa, ele sairia da sessão.

O episódio protagonizado pelo desembargador foi filmado. Abaixo, você pode assistir ao vídeo disponibilizado no canal do portal jurídico Migalhas:

Em nota, o TRT-18 não endossou as queixas do magistrado e preferiu tratar o caso como “caso isolado” – “Quanto ao ocorrido com a advogada na 2ª Turma de Julgamento, o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região lamenta e entende ser um incidente isolado, acreditando na manutenção das boas relações mantidas com a nobre classe dos advogados ao longo dos seus quase 27 anos de existência, sempre pautadas pelo mútuo respeito às prerrogativas próprias do exercício das relevantes funções igualmente indispensáveis à administração da justiça”.

Já as comissões da Mulher Advogada (CMA), Especial de Valorização da Mulher (CEVM) e Especial da Voluntária Advogada (CEVA) da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Goiás condenaram a postura do desembargador: “o preconceito não é condizente com o dever do Poder Judiciário pela prestação jurisdicional”, afirmou em nota.

“Impedir a advogada de cobrir os braços com a beca e de fazer voz da Tribuna fere direitos jusfundamentais, prerrogativas funcionais da advocacia e a competência da Ordem dos Advogados do Brasil para disciplinar questões de vestimenta em espaço forense, como já advertiu o Conselho Nacional de Justiça” – afirmaram as representantes da OAB/GO.

Sexta-feira, 18 de agosto de 2017
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