Para pesquisadora, acusação contra os Quatro de Copacabana comete erros conceituais primários
Terça-feira, 31 de outubro de 2017

Para pesquisadora, acusação contra os Quatro de Copacabana comete erros conceituais primários

Ato do Furacão 2000 onde discursaram os juízes. Foto: Mídia Ninja.

Para a Professora e Pesquisadora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Cristina Buarque de Hollanda, é notório o desconhecimento da natureza do evento da Furacão 2000, ocorrido em 2016, por parte da acusação contra os quatro magistrados André Nicolitt, Cristiana Cordeiro, Rubens Casara e Simone Nacif, processados por discursarem na ocasião contra o impeachment de Dilma Rousseff. A decisão do Conselho Nacional de Justiça de investigá-los por suposta “atividade político-partidária” rendeu intensos protestos na comunidade jurídico, que manifestou amplo apoio aos “Quatro de Copacabana”.

Leia também:

Punição de CNJ a juízes causa espanto e revolta na comunidade jurídica

Manifesto reúne centenas de juristas e intelectuais em apoio aos “Quatro de Copacabana”

Organizações sociais internacionais e ativistas declaram apoio aos “Quatro de Copacabana”

Juízes amordaçados

Cristina foi responsável por exarar parecer no processo, no qual analisa os argumentos da acusação. Dentre eles, chamou a atenção da pesquisadora a classificação do ato da Furacão 2000 pela desembargadora Maria Augusta Vaz, corregedora no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e responsável pela peça acusatória, como “manifestação de indiscutível natureza político-partidária”. Para a pesquisadora, diante da classificação, fica nítido o desconhecimento por parte de Maria Augusta da natureza do evento:

“Na realidade, um evento convocado pela maior produtora de baile funk do estado do Rio de Janeiro, Furacão 2000, importante articuladora de uma das mais populares expressões culturais no país. Em um contexto de marcada politização da sociedade brasileira, não é surpresa que o entrelaçamento sempre potencial entre cultura e política se faça explícito e manifesto – sendo o evento em questão uma espécie de expressão exemplar deste amálgama. Sua complexidade escapa francamente, contudo, à categoria “político-partidária”, de aplicação estrita à face formal da política – desde de junho de 2013 confrontada com grave crise de legitimidade” – afirmou.

Para Cristina, reduzir os manifestação composta em sua maioria por pessoas que não se identificam como integrantes de partido político como uma manifestação partidária é desafiar o conhecimento sobre política do Brasil contemporâneo: “Embora distintos nas suas compreensões sobre democracia e política, os manifestantes dos dois lados do espectro político não se identificam, em sua maioria, como partícipes de partido político. Como assegura Mara Telles, “há um sentimento anti-partidário bastante forte entre manifestantes”. A associação estrita, redutora e automática entre manifestação política e ato partidário desafia o conhecimento produzido sobre a conjuntura e os operadores da política no Brasil contemporâneo”, afirmou.

A pesquisadora apontou equívocos conceituais e primários na peça contra os Quatro de Copacabana: “Nesse ponto, o erro factual enseja – ou é ensejado – por grave equívoco conceitual: a Desembargadora fundamenta seu argumento de denúncia na equivalência entre os domínios político e político-partidário. À luz do campo da Ciência Política, que tem, como se sabe, a política por objeto primordial, trata-se de um equívoco primário”, escreveu.

Além disso, Cristina chamou a atenção ao argumento falacioso de que as provas supostamente “falam por si”. Como didaticamente explicou a Professora da UERJ, no entanto, “objetos inanimados não falam por si e exigem interpretação”. Leia o parecer na íntegra

Terça-feira, 31 de outubro de 2017
Anuncie

Apoiadores
Seja um apoiador

Aproximadamente 1.5 milhões de visualizações mensais e mais de 175 mil curtidas no Facebook.

CONTATO

Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP

[email protected]

Send this to a friend